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                              JULHO - 2006 -

LEMBRANÇAS DA FESTA DO VINHO INFORMALIDADE COMO CONSERTAR O MUNDO? POLÍTICA

 

DATAS DO MÊS

09-07 - FINAL DA COPA

SEGUNDA QUINZENA - FESTA DO VINHO

                                                         

                   NÃO GANHAMOS A COPA,

                       MAS CONTINUAMOS

                       AMANDO O BRASIL.

                                             

 

                              LEMBRANÇAS DA FESTA DO VINHO

 

                                                  Por Márcia Maria Melo Magalhães Manzoli

                                              

       Ano de 1954. Andradas dava início a sua primeira Festa do Vinho que, também, seria a minha.  Pequena, ainda, ouvia os comentários que os adultos faziam a respeito do evento: será no mês de julho e, para tanto, será construído um grande palácio do vinho para abrigar andradenses e visitantes e, ali, serão realizados grandes bailes e shows; haverá uma eleição para a Rainha do Vinho e algumas moças já estavam sendo convidadas para se candidatarem; até o governador de Minas, Juscelino Kubtschek de Oliveira prometera estar presente.

      Meu pai, nessa época, fazia nossas despesas na venda do Sr. Pedro Salvi, no largo do mercado e, as mercadorias, eram pagas somente por ocasião da colheita do café. Todos tinham uma caderneta na qual eram anotadas as compras feitas (naquele tempo ainda não tinha inflação). Quando mamãe precisava de qualquer coisa da venda, quem ia às compras era eu.

     Um dia, caderneta na mão, lá fui comprar farinha de trigo. Para minha surpresa, ao chegar no meio do caminho, antes do Mercado Municipal, os braçais da prefeitura já iniciavam as escavações para a construção do tão falado Palácio do Vinho. Que susto levei, e que tristeza me deu, ao ver sair da terra, retirado por pás, picaretas e enxadões, diversos crânios e ossos humanos que eram jogados ao lado das valas abertas! Não sabia que, naquele local, existira um cemitério. Fiquei tão assustada que passei muito tempo sem ir às compras. Mas, logo depois, lá estava ele, o Palácio do Vinho já construído, de material simples, mas acolhedor. Era feito de bambu e sapé. Lá no fundo, o grande palco onde íamos ensaiar para as apresentações na festa, cujo início fora marcado para 25 de julho e término em 1º de agosto.

      Do lado esquerdo, mais ao fundo, o lugar onde seria instalado o bar. Era um trabalho muito bem feito por artesãos que nem sabiam que o eram.

      Uma placa chamou-me a atenção: “Coca-Cola”. Nunca havia visto, até então, aquele nome, e corri a perguntar a uma de nossas professoras de dança o que significava, o que era uma coca-cola. Ela me explicou ser uma bebida que pouca gente conhecia.  Satisfeita a minha curiosidade, não notei que essa professora que nos ensaiava havia ficado muito vermelha por ocasião de minha pergunta. Depois nossa outra professora, Nair Duarte, explicou-me que a dona Coca Barbosa achou que eu estava brincando com ela pela primeira palavra da propaganda.

       Nossos ensaios eram feitos no grande palco. Dona Nair e Coca Barbosa nos levavam uniformizadas, em fila única e muito silêncio. Cada grupo de meninas poderia participar de um ou dois shows. Ali, as primeiras artistas andradenses se apresentariam em tão grande evento. Chegou o grande dia. Entre outras, Maria Auxiliadoras Profício, Regina Maria Duarte Isaac, Ione Ansani, Maria Lúcia Donati, Maria Cristina Nhola, Ana Thaís Ventureli Mosconi, Maria Isabel Profício, Maria Aparecida Silveira de Souza, Francis Garibaldi, eu, e muitas outras.

       O piano, tocado por Dona Nair Duarte, dava vida aos nossos passos, às nossas evoluções, aos nossos gestos e os bailados tornavam-se um conto de fadas.

       Da programação da festa, alguns números ainda consigo recordar: as floristas – bailado com chapéus de tule, cheios de linda flores, todas brancas, como os vestidos de organdi suíço com buquês de flores como as dos chapéus.  Lindas rosas e cravos faziam parte da cesta que as floristas, ao final do show, distribuíam às senhoras presentes.

       A música, Lili, tema do filme do mesmo nome, cantada por Maria Izabel Profício, foi um sucesso. Cantei-a durante toda minha vida, nos momentos alegres e tristes. Com ela, embalei meus filhos e hoje embalo meu neto. Começava assim: “Um passarinho me ensinou uma canção feliz, e quando solitária estou, recordo o que ele me ensinou, esta canção que diz...”

       Lá do Moulin Rouge tiraram a idéia para o número Can-can no qual as melindrosas, com longas piteiras e vestidos com muitas franjas imitavam, direitinho, as dançarinas francesas.

       Hoje, muitos anos depois, todos que passaram pela experiência de participar da 1ª Festa do Vinho, não a esquecem jamais.

                                    

                                                       INFORMALIDADE

    Talvez nosso País seja um campeão em termos de informalidade. Não vou fazer aqui nenhuma demonstração estatística, apenas dizer o que penso.

      A falta de opções e emprego, as dificuldades para se abrir uma empresa, o custo para mantê-la são aspectos fundamentais.

       Se a isenção total de impostos para determinado limite de faturamento máximo fosse estabelecida, provavelmente dobraríamos nossa realidade oficial. Um grande número de pessoas sairia da faixa “desempregado”. A exigência da nota fiscal seria mantida, com isto os fornecedores seriam obrigados a recolher imposto sobre muitos produtos que circulam livremente. Influiria diretamente nas estatísticas de produção e nossa posição seria outra.

        Da forma como está, ninguém (pobre) consegue se estabelecer, aumentando cada vez mais os clandestinos. Digo isto porque passei dez anos tentando evoluir uma micro-empresa e só consegui prejuízos.

        Não é só na abertura que existe dificuldade, mas no encerramento. Se um novo tipo de permissão, conforme o exposto, vier a ser possível, um  modelo de empresa poderia ser criado: Empresa Social, por exemplo. O processo deveria ser o mais simples possível. Apenas o registro e um livro de entrada de mercadorias de forma a que o próprio dono do estabelecimento possa preencher. Não tendo sequer ter que recorrer à escritórios contábeis para isto.  Um acordo com as Prefeituras poderia isentar o ISS ou então cobrar uma taxa mínima anual.

        Seria o exposto uma boa solução?

                                                                                                Armando de Oliveira Caldas

                                     

                                        COMO CONSERTAR O MUNDO?

       Impossível pensarmos numa resposta para a pergunta. De qualquer forma estamos numa modernidade injusta. Ao invés da ciência proporcionar à humanidade uma boa vivência ela está levando desconforto para a grande maioria das pessoas. Cada vez mais o cone se alarga para a pobreza, só não sendo pior devido a ajuda que os governos oferecem, afim de evitar o colapso.

      A tecnologia aprimora cada vez mais os robôs, esquecendo que eles substituem o homem no trabalho. Tudo isto em função do lucro para grupos empresariais.

       Ao invés de ser oferecida uma distribuição cada vez maior de serviços, ocorre o inverso.

    Se todos trabalhassem e tivessem pelo menos uma renda suficiente para a sobrevivência, as compras seriam maiores e as sociedades funcionariam bem melhor. No entanto, a máquina entra e o empregado sai. Agora com uma agravante, não encontra opções de ganho. Em tempos idos, no caso de demissão logo eram encontradas alternativas. Hoje, aquilo que poderia ser tomado como ofício está sendo “industrializado”, até mesmo o artesanato.

         O mundo é de todos e não de grupos. A sobrevivência digna é um direito das pessoas independente do grau de conhecimento.

          Está havendo um grande erro, inclusive da sociedade produtora e rica.  Da forma como está, o poder de compra vai cada vez mais diminuindo, conseqüentemente levas de dinheiro deixam de circular e de gerar lucros.  Deveria ser aproveitado o aumento populacional. Porém o imediatismo prejudica a melhor opção.

           O dinheiro perde o valor se não for distribuído e a melhor forma de fazê-lo é através do trabalho. Parece absurda esta afirmação, mas não há sentido adquirir bens sem ele. A continuar como está o futuro será cada vez mais incerto, pois os ricos passarão para médios e os médios para pobres. Coisa que parece já estar acontecendo.

                                                                                                Armando de Oliveira Caldas 

                                       

                                                               Política

 

       Política é a arte ou ciência de governar.

      Consideremos como uma arte. Assim, todo aquele que se dedica à ela terá que conhecer com profundidade as formas de construir o seu quadro, a sua obra.

      As falhas artísticas aparecem, muitas vezes nos levando a crer numa total incompetência do autor. O quadro é repudiado quando pinceladas de corrupção moldam um panorama perigoso para a sociedade. 

      Os críticos deste tipo de arte somos nós. Não somos ingênuos, como os autores possam pensar, sabemos perfeitamente quem é quem no conjunto dos trabalhos expostos.

       Muitas vezes, obras de alguns são assinadas por outros. Uma verdadeira fraude com a finalidade de iludir-nos, mas estamos atentos, sabemos a quem dar nosso crédito.  Ainda existem aqueles que denigrem e querem mostrar o que não produziram.

       Estamos entrando em campanha eleitoral, é o momento dos candidatos apresentarem esboços do que pretendem. Redobremos nossa atenção, vejamos se as linhas traçadas terão continuidade. Precisamos ter a certeza de que dentro dos próximos quatro anos sejam concretizadas, que no final surja uma bela paisagem.

      Nossa expectativa é de que nossos candidatos se comportem dignamente, sem necessidade de acusar ou de procurar dizer que são os melhores. Fazerem afirmações desta natureza é passarem o “carro diante dos bois”, pois só nós poderemos dizer no futuro, caso eleitos, se realmente mereceram nosso voto.

       Os espaços na TV estarão abertos. Esperamos que os artistas sejam convincentes, que sejam capazes de convencer.

        A colocação deste texto no plural é feita pensando que a maioria que tiver oportunidade de tomar conhecimento, pense de forma semelhante.

       Julgo que seja de nosso interesse confiarmos nos futuros representantes, que esta seja um ponto comum de nossa ansiedade política.

                                                                                                 Armando de Oliveira Caldas