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                     ARQUIVO 46     

                

 

                                                MARÇO -2010

DATAS DO MÊS

08/03 - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

14/03 - DIA NACIONAL DA POESIA

21/03 - DIA MUNDIAL DA INFÂNCIA

27/03 - DIA DO CIRCO E DO TEATRO

 

                                                ZUUULEIKA

 

                                              Por Maria Alice Muller

 

       No desempenho de suas funções de babá, em meio ao zumbido provocado pelo bater de asas das obreiras, voando em todas as direções dentro da Colméia na rotina costumeira de produção de alimento, de repente, Zuuuleika pousou na área do berçário e contemplando as larvas, dentro de seus casulos a espera da metamorfose que as transformaria em pupas, voltou a pensar no problema que afligia a Colméia no momento. O grande desfalque de guerreiras que o último entrevero entre rivais, havia provocado no exército real.

       Esses pensamentos preocupantes já tinham surgido pela manhã, durante a “dança da localização” das batedoras, enquanto ela assistia juntamente com as companheiras, os semicírculos efetuados por elas. Essas retornavam ao ponto de origem e descreviam outro semicírculo em direção oposta, formando uma espécie de ícone do infinito, repetindo várias vezes a mesma operação.

      Quando finalmente a localização das flores foi indicada, tomando por referência a posição do sol, e o mutirão de obreiras deixou a Colméia rumo ao local indicado pelas batedoras, Zuuuleika pousou os olhos na Rainha, cercada por suas aias. Ela estava fazendo a postura dos ovos que originariam as novas guerreiras. A babá sabia que a Rainha providenciaria a recuperação do exército, mas lá, bem no fundo de seu cérebro, incomodando e causando um certo mal estar, ficava piscando insistentemente, como um anúncio em néon, o tempo que isto levaria. Até os ovos eclodirem, as larvas tecerem seus casulos, passarem pela metamorfose, transformadas em pupas e finalmente chegarem à forma adulta. Seria um período de vinte e um dias, em que a defesa seria precária, colocando toda a comunidade em risco.

              Enquanto pensava em todos esses fatores, uma pupa começou a romper seu casulo, ovalado, semelhante a um favo e aí... Eureka! Zuuuleika encontrou a resposta.

             Os casulos eram rompidos ao meio, deixando duas metades ovais de material resistente, formado pelo própolis. Porque não aproveitar os casulos vazios, inúteis e usa-los como armadura, protegendo as guerreiras sobreviventes? Caso houvesse um novo ataque, nesse período de vinte e um dias de espera, elas estariam melhor aparelhadas para o combate, reduzindo as chances de sucumbir frente a um exército maior. Seria usar a tecnologia para compensar o número reduzido de soldados.

               Pronto! A idéia estava iluminada! Faltava usar a criatividade para concretiza-la.

              Ainda observando as pupas em sua liberação dos casulos, notou que com alguns ajustes laterais e diminuindo o comprimento, eles formariam excelentes escudos, deixando livres as asas para locomoção e os ferrões para ataque,  ao mesmo tempo em que protegeriam os corpos das combatentes.

             Assim, Zuuuleika, a pequenina abelha obreira cuja função era tomar conta do berçário, usando sua criatividade forneceu um equipamento de defesa que possibilitou a segurança da Colméia, durante os vinte e um dias de espera para renovação das guerreiras.

            E, pela primeira vez na história das abelhas uma obreira babá ganhou da Rainha o privilégio de uma voadora nupcial, seguida por vários zangões, retornando fecundada como Rainha.

            Como uma Colméia só pode ter uma Rainha, a mais antiga levou seu séqüito de obreiras e guerreiras para outro local e começou uma nova Colméia.

            Zuuuleika permaneceu na casa antiga, rodeada agora de aias, providenciando a postura de ovos que originariam as novas castas de obreiras, zangões, batedoras e guerreiras.

           Mas, mesmo voltando a rotina, Zuuuleika se surpreendia às vezes pensando... pensando... antevendo uma reforma no berçário... quem sabe uma transição mais curta de larvas para pupas e dessas para adultas...

          Ou então... talvez... um local mais apropriado para que as batedoras pudessem desenvolver a “dança da localização” ... ou então... quem sabe...