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                                ARQUIVO - 54-     

                                        

 

                                                         NOVEMBRO-2010

DATAS DO MÊS

02/11 - FINADOS

15/11 - PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

19/11 - DIA DA BANDEIRA

 

Felicidade, Ilusão de um Sonhador

Por Elaine Ventureli Caldas - em memória

           O sol já ia a pino.  O calor intenso queimava a pele e o corpo do roceiro.  O chapéu desabava de um lado, corroído pelo tempo.  O matuto, no entanto, não parecia sentir nem ouvir o trotar cadenciado do cavalo que puxava a carroça seguindo preguiçosamente pela estrada poeirenta.  De vez em quando o bicho relinchava com o focinho voltado para o alto parecendo reclamar do calor escaldante.

         José estava com o pensamento longe, junto de Mariazinha que provavelmente neste momento devia aproveitar a sombra do cajueiro e calmamente cerzir as meias furadas.  Ao seu lado o bebe dormiria no berço improvisado numa cesta de vime.

         Sentia de vez em quando uma dor fininha apertar-lhe o estômago.  Já era meio dia e ainda não almoçara.  Queria comer o arroz com feijão mais o torresmo frito junto de sua mulherzinha, que naturalmente o esperava ansiosa.

         Ao relembrar Maria um sorriso iluminou seu rosto. Via a mulher jovem, no vestido de chita vermelha e lenço na cabeça, alegre cantarolando uma música sertaneja.

         Era feliz!  Pensava numa exclamação vitoriosa.

         Logo estaria em casa e o seu lar refletiria todo o amor e carinho que dedicavam um ao outro.

         Sentiu desejo ardente de chegar logo.  Estalou o chicote no ar com um:

   Vamos Capeto, estamos perto, apresse-se.

O animal pareceu entender a ansiedade do dono e apressou o passo.

         Na curva do caminho José avistou a casinha branca.  Estranhou!  A chaminé não soltava a fumaça costumeira.

   O que teria acontecido? 

 Instigou novamente a besta, que num relincho mais estridente passou a correr arrastando a carroça e o homem.  Aproximaram-se rapidamente.  Desconfiado José olhou rumo ao pomar.  Nada!  Maria e o bebe não estavam tomando a fresca.  Pulou do carro e dirigiu-se assustado pela casa à dentro chamando pela mulher.

 — Onde estaria sua companheira?

Sobre a mesa da cozinha um bilhete com letra tremula, dizia:

— Adeus José!  Fui rumo a minha felicidade.  Levo o bebe comigo.  Não me condene.  Cansei de ser pobre e segui o senhorio que me prometeu um palácio junto ao mar. Deixo para você a felicidade que construiu, uma casa de pau a pique coberta de sapé.