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                                      ARQUIVO - 48 -        

                

 

 

                                                            MAIO - 2010

                                     

                                    

    

DATAS DO MÊS

01/05 - DIA DO TRABALHO

09/05 - DIA DAS MÃES

                            

CRESCENTE DAS QUATRO ESTRELAS    ESSÊNCIA

                               CRESCENTE DAS QUATRO ESTRELAS

                  

                       “Saudação a Elaine, Helena, Maria e Nilza – Vivas na Poesia – março 2010”.

 

                                                               Por Noel Rosseti

 

O mundo ao ser concebido

Não o foi por um estalido

Um projeto bem definido

Por um criador decidido

             Quatro elementos elementares

             Água, ar, fogo, terra

             Hidro, sutil, ardente, denso

             Caracteres especiais em união

             Átomos e atitudes – mazelas e incríveis virtudes

             Da primeira estrela à estrela da primazia

             O mundo é uma poesia

Quatro estrelas crescentes

Luzidias, lúcidas, luzentes, refulgentes

Com seus brilhos e cores, desabridas

Instituições, intuição, imensidão

Estrelas da criação

              Sem base ou palco para suas concepções

              Teriam que matraquear para elas mesmas

               Perceptivas, interpretativas, frutricativas, afetivas

               O grupo compôs sua tribuna, púlpito, edição

               Formando um circuito de quatro almas

               Buliçosas, produtivas

               Peneiravam seus poemas, dilemas, anátemas

               Cultura dos próprios enredos e fazeres

                Versos bem elaborados, canteiro de estrelas

                Adeptos deslumbrados

                Grupo informal e sem bornal

                Sem dinheiro e sem normas

                Foi das quatro a mais de cinquenta

                Fora do normal evoluiu por ser anormal

                Crescente, só crescente

De um canto ao alpendre, deste ao barracão

Das declamatórias e declamatórias em poesia

Ao átrio social da maçonaria

Da unidade ao grupo e daí a universalidade

Da discrição à apoteose

Na simbiose aos eventos

Deduzir o ressonante cidadania

Missão lírica dos instantes de cada dia

                Poemas inibidos

                Eventos concebidos

                Desdobramento arte e amizade

                Nas estrofes da criatividade

                Psicosfera da emotividade

                À sombra de rosas brancas e angélicas

                Multiplicando os anais da cultura

                Da luz divina à obscura criatura

Hoje dezesseis primaveras, vestidos longos, togas respeitáveis

Assim a última sexta mensal, plena de alegorias

Cada uma vale um festival

Fantasia, magia dessas sextas, cestas cheias de versos, brilhantes

Ciência, filosofia, arte, música, poesia...

Cesta derramando poesia

Cestas de chuva de estrelas na Rua da Saudade

No alto da Serra coroas de neblinas nos topetes da estrelas

Cerração e estrelas nas carícias sobre o monte

Sinais que o grupo é gigante, crescente

Estrelas novas, minguantes, cheias, crescentes

Respingando traços azuis nos corações

Apenas, poemas, apenas...

 

Evidências nítidas de minha terra nessas visões

Encostas de serras com seus bananais, cafezais, vegetais verdejantes

João de Barro, pintassilgos, colibris, canários dourados

Enfeitando as paineiras, ipês, pinheiros, fruteiras

Sabiás cantadores nas laranjeiras, jabuticabeiras brancas de perfume e sabor

Cantatas ecológicas nos sertões em flor, rincões hospitaleiros

Festas de pássaros nos ramos e frutos dos ingazeiros

Operetas de saracuras nos ouvidos mineiros

Cigarras suicidas nas palmas floridas dos coqueiros

Aves e Minas de Deus

                Água da fonte santa no oratório da serra

                Onde o sedento viajante junta as mãos para beber e rezar

                 Lembrança dos riachos, outrora cristalinos, de minha terra

                Agora os cristais existem só nas neblinas no alto da  mantiqueira

                Salve, salve pingos de recordação

Um primitivo roceiro afirmou “A felicidade é a mais rica riqueza

A diplomacia mais refinada é a delicadeza”

               O conhecimento ofertado é janela de bendição

               Quem vence a ignorância tem o universo na mão

               Erguer olhos e mãos em noite alta, alcançar e arranhar estrelas na noite de São João

               Afugentar demônios nos momentos infelizes

               Entesourar a memória na caixinha das essências

               Repousar o olhar num barranco de avencas

               Ou no redil das samambaias enredadas nas varandas

               A viola do mineiro toca de um jeito que não tem jeito

               O coração é uma viola

               Só vive a tocar. Planger de violas nos jardins

Na ponte do Pirapitinga, passos das reminiscências

O pensamento vai direto ao Morro Seco, meu berço natal

Vai junto o amor marcante. O amor mercante nos desejos íntimos

Vão esconder-se nos grotões de Minas, refúgios sagrados

E as idéias seguem os caminhos dos meus destinos dos outros

E tempo de aurora, quatro estrelas enfeitam as águas sujas do Jaguari

Estrelas mulheres em galáxias humanas, resistentes, crescente

Jogam segredos do mundo

Encanto, beleza, beleza nos meus cenários

 

O tempo não tem tempo. O calendário é ficção

Diz o velho deitado com o relógio na mão

Apenas as almas bentas são bentas por vocação

A maior humanidade vive com chapéu virado na dança da pedição

                Estrelas crescentes

               São rainhas nos comandos das colméias

               São doces de muito mel e construcentes

               Entornam o mel da cultura nos favos mais seducentes

               Mulheres, estrelas, doce e mel

               Ambas também envenenam...

O mel que é doce pode matar

Por diabetes, diabetes e diabruras

O veneno que é fatal, com ciência pode curar

Transformar a fera bruta em dócil criatura

 

O mato, o campo, o sítio, espancam as birras e as manhas da gente

Cabeças desorientadas espíritos decadentes

Beiras de rios. Pescas de Lambaris, ariscos, beliscam e carregam a linha e o anzol

Fisgá-los, vitória e troféu, coloridos e belos à chuva e ao sol

Correntezas carregando neuras

A natureza limpando a alma

Satanaz morde a isca e chega a sucumbir

 

Natureza cheia de bênçãos

São Sebastião meu padroeiro, mais que santo amigo, irmão

                 São Sebastião com seu arco de linhas verdes de samambaias

                 Setas santas folheadas de tabatinga

                 Natureza em Caracol

                                                Nova galáxia de estrelas crescentes no sideral

                                                Estrelas de minha terra, querida berço natal

                                                Natureza cativante

                                               A envolver seus filhos num enxoval de belezas

                                               Minha terra tem estrelas que se passam por mulheres

                                               Andradas em cima da terra

                                               Andradas debaixo do céu

                                      

 

 

                                                                   ESSÊNCIA

 

                                                                 Por Nilza Alves de Pontes Marques

 

 

Estou num frasco fechado,

empoeirado pelo tempo.

Com uma ranhura aqui,

outra acolá.

E oxalá sejam apenas

umas poucas marcas.

 

Porém de vez em quando.

a tampa sai.

E minha essência loucamente

se esvai.

Esparramada por aí.

 

É quando fico mais sensível!

Sou alegria, sou sorriso,

Paraíso divisado,

Divinizado.

Sou das plantas o perfume,

O lume das escuras noites,

O luar, o chão,

O pulsar do coração.

Sou lágrima pendente

dos cílios molhados.

Sou mágoa, rancor,

Sou a fonte do amor.

Tudo isto misturado

com a pureza e o pecado.

Esta sou eu!

A minha essência!

Muitas vezes, complacência,

outras, divergência.  

De repente a tampa vem

e me fecha.

Sou novamente borboleta

de asas presas,

Cuja imagem grotesca

causa asco,

E no casulo quietinho

de mim mesma

Pergunto:

- Quem se importa com a essência,

de um velho frasco?