CONTOS   CRÔNICAS    POESIAS    TEXTOS DIVERSOS    REALIDADE & REFLEXÃO   FICÇÃO   CIENTÍFICA    MÚSICA    IDENTIFICAÇÃO      ESPECIAL    ARQUIVO     IMAGENS     LINKS    

                          ARQUIVO -45-   

 

                         FEVEREIRO -2010

 

DATAS DO MÊS

22-02 - ANIVERSÁRIO DE ANDRADAS

16-02 - CARNAVAL

17-02 - QUARTA FEIRA DE CINZAS

                                     A NATUREZA E O HOMEM

                         Por Armando de Oliveira Caldas

        A Terra já completou mais de 4,5 bilhões de anos. Estamos presentes numa parcela insignificante de tal período. Infelizmente nossa presença não tem sido benigna para mantê-la dentro da estabilidade. Podemos nos considerar como predadores.

         A princípio o homem apenas usufruía os frutos, dos peixes, pouco alterando o clima, mas sua inteligência lhe dizia que poderia ter muito mais. Cortou matas, levantou cidades e mais cidades, porém esqueceu de repor o que utilizava. Derreteu as pedras e delas fez veículos e uma enorme variedade de objetos. 

          Com o dinheiro sempre falando mais alto não se importou em continuar sua tarefa destruidora. Não respeitou limites e fez  dela um grande laboratório, extraindo sua vitalidade.

          Com isto o planeta está doente. As catástrofes acontecem: terremotos, inundações, derretimento das geleiras e a situação vêm fugindo do controle.

           Se ainda existe tempo ele tem de ser dedicado a sanar os estragos causados. Quem sabe o plantio de árvores em todas as partes do mundo possa amenizar conseqüências futuras. O que se faz ainda é muito pouco.

            As previsões para 2012 podem não passar de tolices sobre o fim de nosso tempo, ou fim de ciclo, mas requer algumas reflexões. Por outro lado este tipo de comentário geralmente é alarmista da mesma forma que aconteceu na mudança do milênio. Contudo os acontecimentos que vem assolando a humanidade podem levar a crer que haja algum fundo de verdade. Porém, particularmente descarto tais previsões.

             Pelas estações do ano é possível sentirmos que elas parecem não estarem ocorrendo da mesma forma que em tempos anteriores.

             O que devemos pensar é que se tudo continuar a piorar, que realmente estejamos em colapso, não teremos outro lugar para viver, pois o mundo é o nosso lar. Neste caso não adianta sabermos que muitos “sóis” abriguem planetas semelhantes ao nosso, o que por enquanto não deixa de ser uma fantasia. Assim, a preservação do que nos resta é de importância vital.

              Políticas ambientais muito sérias devem ser colocadas em prática o quanto antes, não há mais tempo a perder. 

    

                                                      UM CONTO

                                             Por Armando de Oliveira Caldas

           Na pequena praça uma boa sombra sobre um banco onde dois amigos sentam-se para um descanso. Ambos são aposentados e o local é costumeiro. João dirigindo-se a Miguel, como sempre falador, logo iniciou seu monólogo:

       --- Sabe amigo vou lhe contar uma história.

        Escute-me, não me interrompa.

        Miguel vira-se para ele e coloca-se a escuta. João com ar de entendido ajeita-se e continua:

         --- Quando era criança, meu mundo era fantástico, uma verdadeira fábula, tudo podia acontecer. Imaginava viagens no espaço, cinema em casa, transportes sem esforços e confortos nunca vistos.

         Pois é, a realidade viria mostrar que minha fértil imaginação estava apenas em parte certa.

         Na minha construção tecnológica o mundo seria uma maravilha, com pouco trabalho as pessoas ganhariam renda. O simples homem deixaria a enxada, passaria a apertar botões e receberia o necessário para uma vida tranqüila e feliz.

         Quanta decepção!

         As máquinas foram chegando, os robôs fazendo o trabalho e o HOMEM EXCLUÍDO.

         O amigo ao lado atento àquela lengalenga concorda com a cabeça e João continua:

         --- Espere! Ainda não lhe disse nada. Ouça o que vou lhe falar.

        Fui gerente de Banco por muitos anos. Lidei com os donos do dinheiro e nunca o tive, o que não me entristece, afinal consegui criar minha família. Mas não é sobre isto que quero comentar e sim sobre a sociedade. Veja o desemprego, a luta desenfreada de moças e rapazes a procura de um lugar ao sol. Oportunidades cada vez mais difíceis, sempre se exigindo mais. Isto não acontecia na minha mocidade. Era até comum alguém dizer para um desocupado: “vai trabalhar vagabundo!”

         Então que mundo é este?

         Se alguém não possui recursos para cursar uma faculdade, para melhorar co conhecimentos, é marginalizado? Não há segurança, não há perspectiva, não há futuro.

         Por que isto?

         Miguel olha para o amigo e balança a cabeça e este retoma a palavra:

        --- Simples, muito simples. É a monopolização de todos os itens da produção.

        Do jeito que vai indo chegará um dia onde não existirão compradores, deve ser isto que as grandes empresas visam.

        A sociedade rica tem péssimo hábito, deixa sempre para as autoridades resolverem. Mas não é bem assim, os milagres não ocorrem.

        O que gera realmente a riqueza é a distribuição de rendas e recanalização delas. Se a população compra em grande quantidade o lucro aparece e o volume monetário cresce.

        Agora que as fábricas e a própria área rural cortaram empregados, como fazer para que o dinheiro chegue a tão grande parcela da humanidade?

        Não será solução os subempregos. A continuar  esta linha de conduta o próprio dinheiro poderá perder o valor.

        Miguel olha um tanto assustado e balança novamente a cabeça, mas João não se detém.

        --- Absurdo? Nem tanto, para uma mudança basta não acreditar nos economistas, tão falhos como qualquer pessoa. Quanta força de trabalho se perde, quanto lucro se esvai.

         Miguel novamente gesticula, interrompe e João continua:

         --- Que lucro é este? Você não sabe?

         É simples, incentivo ao trabalho, seja qual for via gerar produção e aí está a resposta.

         No entanto é triste ver políticos e manipuladores de massa se direcionarem apenas para o pessimismo, incutindo formas negativas de pensar. Na ânsia do poder apenas procuram parâmetros que deveriam ser menos evidenciados. Assim será impossível querer-se uma total união de idéias direcionadas para o bem co Brasil.

         Miguel, o atento ouvinte, lhe faz um sinal.

         --- Você quer saber sobre as máquinas? Diz que o que estou falando é apenas sonho?

         Bem, ocorre que se continuar assim até grupos privilegiados aos poucos se extinguirão. Já estão acontecendo, não raro falências assolam grandes potenciais econômicos.

        As pessoas encontrarão formas artesanais para se manterem, o dinheiro circulante diminuirá cada vez mais e conseqüentemente a venda de produtos manufaturados. Unindo problemas energéticos criados pela escassez natural d´água aos desvarios da ganância  de grupos o Homem sem recursos, que poderá compor a maioria regredirá e o arcaísmo será generalizado.

         O amigo novamente o interrompe gesticulando, Jão entende e responde:

         --- Pena que você não possa se expressar, é mudo como tantos outros.

         Miguel mostrou-se aborrecido abrindo os braços gesticulando.

         --- Entendi Miguel, Não estou me referindo a você. Também o que lhe disse não deixa de ser uma fábula, pois aquilo que não pode ser realidade é apenas fantasia: UM CONTO