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                   ARQUIVO -44-       

             

                 JANEIRO - 2010

                                              

 

DATAS DO MÊS

20/01 - SÃO SEBASTIÃO PADROEIRO ANDRADAS

                                

         

2010  O PROGRESSO  PLANETA DESCONHECIDO - ficção

                                  2010

                       Por Armando de Oliveira Caldas

          Estamos entrando em um novo período de existência.

        No momento presenciamos evoluções tecnológicas que nos surpreendem, principalmente para quem viveu a maior parte de seu tempo no século passado.

        Na ânsia de produzir bens de consumo o homem negligenciou a própria natureza e agora ela nos cobra. O planeta reage e os resultados aparecem nas mudanças climáticas. Derretimento das geleiras, excesso de calor, chuvas torrenciais causam medo. Esta é a posição que nos encontramos neste final de década.

        Fala-se muito no controle da poluição, do desmatamento, mas as ações para amenizar o futuro são poucas. Até quando isto continuará?

        Não são poucas as mudanças, muitas vezes fugindo do controle trazem danos lastimáveis.

        Sou totalmente contrário às visões catastróficas, por isto, quem sabe este ano que se inicia possa ser ameno e repleto de paz, inclusive que a natureza se ajuste. 

                      

         

 

                                    O PROGRESSO

                         Por Armando de Oliveira Caldas

 

       As mudanças na vida são conseqüências das épocas. O tempo passa e a vida sempre continua.

       Certas atividades, diante da evolução foram perdendo sentido e muitos afazeres de rotina não mais existem.

       Até no meu trabalho de técnico em eletrônica a sofisticação dos aparelhos e a facilidade de aquisição de novos vem influindo no volume dos objetos que recebo para conserto.

       O trabalho de modo geral vem requerendo cada vez mais maior conhecimento e, nem sempre sobram os serviços indispensáveis para a sobrevivência.

       Neste retrato de época, para quem passou pelos períodos anteriores sente que algo está errado, pois qualquer coisa que uma pessoa introduza para ter um ganho, logo uma empresa toma para si com produção em larga escala, cortando uma continuidade que poderia até ser familiar.

       Aos poucos os serviços abraçados pelos pais deixam de ter continuidade com os filhos.

        Por outro lado, na minha juventude qualquer pessoa que não possuísse um emprego não era bem visto, então penso:

     --- Será que o sistema estava errado?

          Verdade que hoje temos uma infinidade de bens e de formas de aliviar as atividades, mas o número de rapazes e moças que buscam trabalho é cada vez maior, porém poucos o encontram e aqueles que conseguem necessitam de aprendizagem cada vez maior, sobrando-se uma leva de jovens marginalizados.

          Não é fácil encarar a realidade que está diante de nossos olhos, soluções necessitam serem encontradas, ou melhor, aproveitar-se de toda força jovem existente de forma que a ociosidade não se instale, nem que para isto o que podemos chamar de serviços arcaicos sejam novamente adicionados aos grupos que não conseguirem colocação no mercado.

         A época é diferente, mas necessitamos que a dignidade do emprego seja restaurada. 

                  

        

 

                             PLANETA DESCONHECIDO - ficção 

                  Por Armando de Oliveira Caldas

         No planeta Natus, escolhido unicamente para centralizar o ensino galáctico periférico, milhares e milhares de centros de treinamento científico se espalham pela superfície. Grandes cabeças recebem conhecimentos do Universo. Formam uma população de quase quinhentos milhões de alunos, vindos de mundos externos altamente civilizados.

       Baixos, altos, cabeças redondas ou afuniladas, de ambos os sexos compõem o cenário. Altas e belas montanhas protegem magníficas instalações.

       Dois sóis e quatro luas fornecem claridade quase constante, mantendo clima agradável e confortante.

      Águas cristalinas, jardins e o colorido das vestimentas propiciam espetáculo a parte.

       Bem, a finalidade não é turística, portanto deixemos de lado a beleza do astro. Nosso objetivo é participar de uma aula no Ensino Avançado 2800, Região Geográfica 500 do Hemisfério Sul. Especializado no conhecimento de planetas do setor 970.

       No vasto salão, repleto de equipamentos, os alunos dispostos em fileiras de assentos aguardam o início.

       Num piscar de olhos são transportados para a dimensão da realidade virtual. Flutuam pelo espaço, em fração de segundos alcançam estrelas e planetas. Observam a vida em cada um, enquanto explicações parecem vir do escuro sideral:

      --- Este tem o nome Talanto, no idioma nativo. Logo deverá fazer parte da Federação, já começaram os primeiros contatos. Vejamos seus habitantes e o modo de vida.

      Assim, um após outro, o processo se repete. Por vezes, durante comentários demorados as viagens se prolongam no infinito imaginário. Astros inabitados, mas em condição de suportar a vida também são mostrados.

      Catalogados no superprocessador, a regra da existência para integrar o grupamento superior é única. Para participar, o avanço tecnológico se evidencia, mas muito mais importante é o alcance do nível da convivência interna.

       A voz, sempre presente, continua:

       --- A vida é dádiva celeste. Durante sua permanência no corpo, a absorção do conhecimento é fator primordial para o aprimoramento do espírito. Este fará parte do todo e se associará à inteligência universal. Princípio básico para o acolhimento em nosso meio.

       --- E quanto às espécies não incluídas? Perguntou um dos ouvintes.

       --- Caso estejam em estágio primitivo, apenas são considerados em evolução.

       Por outro lado, detendo alta técnica, acima das fases iniciais, mas continuando individualistas e mantenedores de práticas primitivas, permanecerão isolados.

       Nesta visão de vários mundos, conhecerão violência, absurdas guerras, genocídios, má distribuição da produção, fome, miséria e outras arbitrariedades. Planetas que apresentam algumas dessas situações dificilmente farão parte da Federação. Sempre os visitamos, apenas para observá-los, nunca para contatar seus habitantes. Se tentássemos, provavelmente procurariam nos destruir. Estão classificados de 1 a 10, quanto ao grau de aceitação. Dentro do setor 970, duzentos se enquadram no grupo de indesejáveis, cotados na posição seis para oito. Talanto já atingiu o grau nove.

       Recentemente encontramos um pequeno mundo, com capacidade técnica bastante elevada. Já enviam sondas espaciais e logo estarão chegando a alguma estrela. No entanto, quanto a sociedade, ficamos horrorizados com o que vimos, tantas as barbaridades, é o único de cotação UM.

       --- UM! Deve ser monstruoso o que lá acontece. Gostaria de vê-lo. Comentou alguém da seleta platéia.

       --- Então vamos até lá. Fica bem próximo do espaço intergaláctico na área branca do nosso setor. Sua estrela cobre nove planetas, é o terceiro das órbitas e único habitado.

       A viagem demora alguns instantes. De repente uma brilhante estrela surge, mostrando sua família. Um bonito astro azul se agiganta, povo e belas paisagens negam as palavras do professor.

       --- Mas tudo é muito bonito Professor. Casas e prédios elegantes, belíssimos campos, músicas, pessoas se divertindo.

       --- Espere um pouco, estamos chegando num planeta de contrastes.

       Dissimulação, omissão, falsidades imperam e comandam as massas. A maior parte da evolução técnica provém da ganância de lucros.

       Enquanto o professor apresenta informações, estas parecem não coadunar com cenas do cotidiano. Afinal, divertidos jogos, músicas, festas, belas praias lotadas e muito mais, não combinam com as afirmações.

        Antes que interpelassem, são direcionados para moderno e atraente local.

        Sólida construção, de linhas arquitetônicas invejáveis salientando-se sobre uma região árida. Guardas uniformizados, veículos militares e aparatos de segurança controlam a entrada das pessoas. O grupo (invisível) não se detém, atravessa pavilhões sem maiores atenções, alcança um elevador e desce.  Alguns instantes depois, à frente deles, num gigantesco cômodo, encontram inúmeros cilindros com frentes ovais e propulsores na parte traseira.

        Os estudantes olham aqueles grandes tubos indiferentes, sem entenderem o significado da visita. Alguns segundos de silêncio e a voz do professor:

        --- Sabem o que são?

        --- Naves individuais? Respondem perguntando.

        --- Não! São armas, são bombas desintegradoras suficientes para destruírem toda vida deste planeta. Dominam o átomo, mas ao invés utilizarem-no para o bem, oitenta por cento da sabedoria se destina para o que estão observando.

         Verão daqui para frente o outro lado dos humanos.

         O horror desfila diante dos olhares apavorados. Droga e seus efeitos, banditismo, miséria e a fome; guerras, ataques aéreos, extermínio de semelhantes e massacres; má distribuição da produção, ganâncias, manipulações financeiras; desrespeitos às leis, ao Criador e muito mais.

         Diante do que viam, a aula se tumultua, tanto, que o líder interrompe:

         --- Professor, gostaríamos que encerrasse o assunto, o que vimos já é suficiente. Se fosse possível mudaríamos a classificação, merecem grau inferior a UM.