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                         ARQUIVO - 40 -  

                     

               SETEMBRO - 2009 

                

 

DATAS DO MÊS

 07/09 - INDEPENDÊNCIA DO BRASIL 

               

NOVA TERRA  A ESTRANHA  MINHAS MÃOS  CÃES SÃO ANJOS

                                      NOVA TERRA

                           Por Armando de Oliveira Caldas

 

     Há anos elaborei um livro onde imaginei a Terra sendo destruída e parte da população seguindo a caminho de um novo lugar para viver.

     Uma história que provavelmente nunca vai acontecer, mas que nossa imaginação é capaz de tecer todos os acontecimentos.

O objetivo seria Alpha Centauri (A-B), onde haveria um planeta semelhante ao nosso mundo.

 

http://www.youtube.com/watch?v=jNoRThczj1M&feature=channel

     Esta idéia não está muito longe de uma possível realidade, com um pouco de paciência seria oportuno observarem o youtube acima, aonde a idéia da existência de planetas orbitando o conjunto Alpha possa ser uma das opções futuras. É a estrela mais próxima de nosso Sol, nossa vizinha. Astronomicamente está apenas a 4,5 anos luzes de distância.

Se o homem vier a descer num dos planetas verá dois sóis, existe um terceiro mais distante e frio. Porém, é oportuno nos situarmos apenas entre Alpha A e Alpha B onde planetas pequenos talvez os orbitam, visto não haver indício de gigantes como júpiter. Possibilitando serem encontrados globos bem parecidos com o terrestre e provavelmente sólidos. Dependendo da distância que pelo menos um deles estiver da fonte de luz, a nova Terra poderá estar lá.

     Mais de 300 planetas extra-solares já foram encontrados, mas até hoje apenas os gigantes foram detectados.

     O empenho da astronomia em encontrar um planeta semelhante à Terra obviamente tem a finalidade de localizar algum lugar onde no futuro ainda distante possamos lançar nossas sementes. No sistema solar apenas a Terra pode ser habitada, mas diante da infinidade de estrelas existentes talvez tenhamos uma enorme quantidade de “terras” a nossa espera. Porém, como chegar até elas?

     Viagens na velocidade da luz apenas fazem parte da ficção científica. Na idéia que apresentei em meu livro, grandes rodas permitiam a existência de gravidade, pequenas vilas e um ambiente para possibilitar que gerações fossem capazes de manter a vida pelo tempo suficiente para chegarem até à estrela mais próxima e, lógico estavam certos. Durante 500 anos estiveram no vazio sideral. Pequenas cidades onde até plantações existiam e toda infra-estrutura para manutenção dos habitantes, limitada por um controle rigoroso de natalidade.

     Pelo fato de existirem bilhões de estrelas, podemos supor que a grande maioria possua planetas, mas talvez seja muito difícil encontrar o que esteja dentro de uma área habitável, ou melhor que possua água e temperaturas iguais as nossas.

   As tentativas por radiotelescópios apesar do tempo que já é pesquisado ainda não tiveram respostas.

   Temos que aguardar. 

                                   

               

 

                             A Estranha

            

Ela levantou pela manhã bem humorada. Quando deu a volta à cama para sair do quarto olhou o espelho e parou. “Quem é essa velha e o que está fazendo na minha casa?”, perguntou em voz alta. Do espelho uma senhora de cabelos grisalhos, a cara um pouco armafanhada de quem acabou de acordar, algumas rugas em torno dos olhos, pele sem brilho..., a fitava. Uma voz no fundo da sua mente falou: “É você, é sua imagem no espelho”. Mas como era possível? Ainda ontem estava de mãos dadas ao primeiro de uma série de único amor de sua vida, assistindo o show da Jovem Guarda no teatro Record. Ainda ontem corria dos soldados nas ruas de São Paulo, onde fora em passeata contra a Ditadura, e ainda sentia na nuca o bafo quente do garanhão montado pelo policial que tentava alcançá-la. Ainda ontem, participava das reuniões estudantis do “Diretas já”. Ainda ontem, de mãos dadas, dessa vez com o segundo ou terceiro da série de único amor da sua vida, assistia ao espetáculo teatral “Hair”, marco do protesto dos hippies contra a Guerra no Vietnã! Gostaria de saber quem deixou essa velha entrar! Assim falando, em voz alta, como se a imagem ao espelho pudesse escutar, mostrou-lhe a língua, e foi nesse instante que percebeu que alguma coisa luzia naquela figura. Aproximou-se mais e viu que eram os olhos. Olhos brilhantes de jovem, com uma ponta de malícia e ironia. Então deu um beijo na imagem refletida. Sorriu contente e arrematou: “É isso aí querida, que se dane o corpo, a alma continua a mesma”. E saiu apressada do quarto, pois a cabeça estava cheia de planos para o dia, e se queria dar conta de todos, tinha que se apressar.

 

 

22/04/2007 

     Maria Alice Muller

           

 

                      MINHAS MÃOS

Por Nilza Alves de Pontes Marques

 

Minhas mãos

acariciam,

Tocam,

Tecem,

Trançam.

Os fios longos

de cabelos sedosos.

São macios,

Coloridos,

Verde – dourado,

Rosa em vários tons.

Suaves como veludo

a escorregar pelos meus dedos.

E eu me encontro

neste mar de espigas

do milharal.

Enquanto os fios compridos

balançam alvoroçados,

Soprando sua beleza promissora

de belos grãos,

E as minhas mãos...

tecem!

Na inocente brincadeira,

Artista em sua

apresentação primeira:

As mãos trançam à toa

Só p´ra dizer que a vida

é boa.

Talvez um sonho aqui...

Outro acolá...

Páginas de fios entrelaçados

dependurados no varal.

São quimeras,

Desejos esvoaçados,

Levados pela brisa sussurrante

de anseios agonizantes.

Mas as minhas mãos trançam.

Rápidas, nervosas, nuas,

Ressentidas

por não terem

o calor das tuas.

 

Andradas-16-06-2009  

Cães são Anjos

                                                 Maria Alice Müller

Muitos são os que estranham o meu afeto pelos animais. Já  ouvi comentários do tipo: nossa, a senhora gosta de cães, né? Ou – credo, que paciência a senhora tem! Ou ainda: a senhora dá ração aos cães de rua? Alguns desses comentários são indignados, como se meus atos fossem o máximo do desperdício. Outras vezes são críticas mesmo: Porque a senhora não adota uma criança? Ou - Eu não gosto de cães eu gosto de gente. Como se uma coisa impedisse a outra. Na verdade não saberia explicar o que sinto por eles. Muitas vezes fico a pensar nesses comentários e críticas, e nem mesmo eu sei dar explicações sobre esse elo que existe entre meu espírito e o íntimo dos cães. Já dizia Exupéry, no seu livro “Pequeno Príncipe” que somos responsáveis por aquilo que cativamos. Pena... A maioria das pessoas não conhece Exupery e nem leu seu livro. E acho que é exatamente isso que sinto ao ver um cão, ou outro animal qualquer – responsabilidade. De que regiões vêm meu espírito, nessa viagem eterna, que ao olhar os olhos de um cão consegue sentir o que lhe vai no íntimo? Qual a sintonia entre duas espécies tão diferentes que faz com que descubra os seus anseios, sua agonia, sua solidão e necessidades? Não sei. Tudo o que sei é que ao fitar bem dentro dos olhos de um cão, sinto em meu coração os seus apelos, ansiedades, tristezas e alegrias. É como se houvesse uma sintonia entre minha energia e a dele, e às vezes posso até adivinhar toda sua vida passada, a solidão, o abandono, as humilhações e maus tratos. Então eu o cativo, e é aí que me torno responsável por ele, tal e qual afirma Exupery. Somos verdadeiramente responsáveis pelo destino que damos ao conteúdo do nosso cérebro. Isso é apenas um detalhe. E quando me lembro das críticas, fico pensando onde é que está escrito que os humanos têm mais direitos nesse mundo do que as outras espécies, se afinal fomos todos criados pelo mesmo cientista? Divino Ser do qual emanou toda a vida do planeta, e de cuja essência foram formados humanos, animais e vegetais. Conheço pessoas que pregam a igualdade entre os seres humanos, mas efetivamente criam em suas relações, as maiores desigualdades. E conheço animais, que ignoram totalmente essas diferenças, amando sem restrições, pobres e ricos, doentes e sadios, bons e maus, numa dedicação inexplicável, que dura toda uma vida. Cães são anjos, de quatro patas, nariz de bolinha e um imenso coração onde guardam para sempre o amor divino, doado por Deus e esquecido pela maioria dos Homens.