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                        AGOSTO-2009

DATAS DO MÊS

12/08 - DIA NACI0NAL DAS ARTES

09/08 - DIA DOS PAIS

24/08 - DIA DA INFÂNCIA

                   

HISTÓRIA E VIDA  EQUILÍBRIO   MUNDO ERRADO

                                                   HISTÓRIA E VIDA

                           por Armando de Oliveira Caldas

 

            Fazer história é uma responsabilidade que parece se perder com o tempo. Não vemos mais as crianças empenhadas em acompanhar os acontecimentos que poderiam trazer alívio e até uma mudança radical de comportamento futuro. Será de minha parte um atraso na realidade?

            Um pouco de ufanismo sobre as nossas coisas nunca será demais. Raramente a juventude se prende às boas realizações de nossos antepassados e, quando isto ocorre sempre existe alguém a contradizer fatos, a menosprezar nossas ações. Não precisamos ser superpatriotas, a idolatrar super-heróis, mas no mínimo nunca criarmos anti-heróis. A principal força de uma nação está na crença sólida de amar a terra onde nasceu.

            As atuais regras de conduta já influem muito negativamente em nossos dias, permitindo uma liberdade excessiva, como se isto fosse uma forma preestabelecida e as causas se mostram cada vez mais perniciosas.

            Nada mais justo que homens e mulheres trabalhem, no entanto os filhos não podem sofrer descaso. A criança deve continuar a receber especial zelo, muito mais do que nos tempos antigos. A mãe criava e o pai cortava algumas arestas, era simples, mas funcionava.

            O homem passou a ser fruto das experiências do dia a dia. Nem sempre encontram o lado correto de viver. É óbvio que o jovem de hoje será adulto amanhã, mas qual a sua real maturidade? Trilhar o caminho das drogas, da honestidade, da decência pensará no futuro seguro para os filhos? Já não temos mais condição de estabelecer um percentual tranqüilo. É simplesmente terrível vermos jovens serem encaminhados pela polícia, simplesmente porque suas mentes não foram bem formadas. Será sempre assim, ou quem sabe a sociedade ainda resolverá o problema!

            Esqueceram das crianças! São meninos e meninas sem fixação de um caminho. Colocados num mundo hostil, culpa só dos pais? Hoje esta questão é controvertida, como consertar o errado? Os chamativos bens de consumo atacam sem piedade os pobres, querem também usufruir confortos, muitas vezes acima de suas possibilidades.

             Bem, mostrar falhas e erros é a maneia mais fácil de escrever, ou melhor, de criticar. O que necessitamos é encontrar caminhos para recuperação da juventude e porque não dizer o de muitos Barbados.

              Há alguns dias ao fazer compras em um supermercado deparei com uma cena que me chamou a atenção. Dois jovens com idade não maior de 16 estavam parados perto de uma banca enquanto um fiscal lhes advertia. Um deles respondeu:

   --- Estamos só olhando! Em seguida saíram.

   Quanta história poderá estar por trás dessas simples palavras!

   Um fato que bem dá para refletir nossa época.

    Pode ser que ali nasceram dois marginais admitindo-se que não fossem.

     A orientação tem que partir dos pais, dos professores muito antes dos caminhos que seguem nossa juventude.

                            

                                          EQUILÍBRIO

                                          Por Armando de Oliveira Caldas

     Da mesma forma que a natureza criou o equilíbrio para a manutenção da vida, o homem precisa criar um perfeito entrosamento entre classes: produção, renda e consumo para todos. A inteligência humana é capaz disto, depende de um grande e sério estudo.

    A riqueza poderá ser muito maior se todos os habitantes da nação consumirem.

    Conclusão fácil e lógica, no entanto para se chegar ao objetivo, muito estudo terá que ser feito. Só uma cabeça não poderá encontrar respostas para o grande problema.

    A resposta até seria simples: todos terem renda.

    Para todos terem renda, todos tem que ter o trabalho.

    Não serão necessários detalhes, pois o emprego é difícil.

    Para ser conseguido este tipo de caminho, a matemática, a informática e equipes científicas teriam que ser colocadas em franco estudo. Da mesma forma que se conseguem grandes inventos, também é possível equacionar uma solução para toda a Nação.

    Visando a criação de opções de trabalho, um primeiro passo poderia ser um levantamento de profissões existentes e adição de grande quantidade de outras que possam atender a demanda. 

     Para um ponto de partida temos que voltar no tempo e observar o que já aconteceu , desde a época da troca de bens, do aparecimento do dinheiro até nossos dias.

     Até bem pouco tempo todos produziam e usufruíam, mesmo com diferenças marcantes, mas podiam trabalhar. Existiam pobres e miseráveis mas  conseguiam sobreviver.  A concentração de dinheiro é antiga, mas as concentrações de trabalho levam famílias ao desespero.

     Se não podemos ir contra à evolução, pelo menos temos de criar condições de renda para os marginalizados, cujos índices só aumentam.

      Tudo depende de organização, de apoio social.

       Uma coisa que já vem sendo feita é o sistema de cooperativas, que poderiam ser criadas para todos os tipos de ocupações. Por exemplo, numa cidade as residências necessitam de limpezas, de consertos gerais de pequeno porte, coisas que muitas vezes não encontramos. Para manutenção de jardins particulares, de vias rurais, para cuidar de animais, etc.

                           

                                         MUNDO ERRADO - conto -

                                           Por Armando de Oliveira Caldas

    Diante da bela paisagem que se descortinava, Julião observava sua propriedade. Para conseguí-la, muito trabalho tivera. Eram mais de trezentos alqueires, num vale muito rico, totalmente cultivado com cafezais e vários cereais. Seus filhos, todos casados partilhavam da fazenda. José o mais velho fazia o papel de administrador geral, os demais eram Zinho e Reinaldo que cuidavam da produção.

     O ainda forte homem de setenta anos, apesar da brancura dos cabelos era muito lúcido e mantinha sob seu comando os destinos da propriedade.

     José gostava de inovar, amigo da modernidade, sempre procurava viver de acordo com a época, dizia:

     --- Se não acompanharmos a evolução perderemos terreno.

     Ambicioso, sem ainda nem acreditar na vida como uma passagem, por vezes se extrapolava. Onde havia algum interesse financeiro lá estava ele. Foi assim que acabou se envolvendo com um “gringo”, passando a encarar o mundo como “aldeia global”.

       Num luxuoso escritório na Capital, José foi recebido muito cordialmente por Mr. Junks, que lhe fez uma oferta muito atraente. Poderia triplicar os lucros, cedendo parte da propriedade para a instalação de uma fábrica de fertilizantes. Foram tantas as demonstrações que o rapaz ficou de fato entusiasmado.

        Faltava falar com o pai. José chegou tão sorridente que Julião logo desconfiou:

        --- Tem alguma muito boa noticia para dar.

        --- De fato meu pai. É algo muito importante que depende de sua autorização. E contou detalhadamente, com pormenores, até floreando sobre a oferta. Enquanto falava observava que o velho fechava a cara e quando terminou:

         Então meu pai, o que me diz?

        --- O que lhe digo é NÃO!

        Nunca vou dividir minhas terras com estrangeiros!

        Não foi isto que lhe ensinei!

       --- Mas pai, os tempos são outros.

       --- Aí é que você se engana. Os homens não mudam, ninguém faz nada sem um interesse maior. Procure enchergar nas entrelinhas, procure saber o que realmente existe por detrás desse “bom negócio”, como diz, depois volte a me falar.