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        ARQUIVO - 37    

               

 

                        JUNHO - 2009

DATAS DO MÊS

*15º AIVERSÁRIO DO GRUPO DAS 4 - 19,00 ÀS 22,00 HORAS

03/11-   CONCURSO DE POESIAS 

04/11 -  APRESENTAÇÃO DE CORAIS

05/11 -  APRESENTAÇÃO DE MÚSICAS

*OUTRAS DATAS:

11/06  - CORPUS CHRISTI

12/06 - DIA DOS NAMORADOS

13/06 - SANTO ANTÔNIO

24/06 - SÃO JOÃO

29/06 - SÃO PEDRO

 ANIVERSÁRIO DO GRUPO DAS 4O INEXPLICÁVEL IINÃO HÁ MAIS NADA AQUISOMENTE O AMORAH, O AMOR CÓPIA DE E-MAIL                                                       

 

               ANIVERSÁRIO DO GRUPO DAS 4

                                    Por Armando de Oliveira Caldas

        Completamos 15 anos da feliz união que resultou no GRUPO DAS 4.  A Elaine com certeza está junto de nós acompanhando este evento.

     “Entre as novidades está em andamento o Concurso de Poesias Elaine Ventureli Caldas. Uma forma de integrá-la às comemorações.

     Alunos das oitavas séries da rede pública de Andadas estão empenhados em apresentar seus trabalhos. Cada escola enviou três composições para a comissão organizadora formada pelas escritoras Nilza Alves de Pontes Marques e Márcia Maria Melo Magalhães Manzoli. No dia 03-06-2009 os três primeiros lugares receberão um troféu”.

 Um quadro de sua criação “aborto” também será exposto.

  Minha grande companheira de quarenta e cinco anos merece ser lembrada.

  Foi um exemplo de força de vontade, de abnegação aos seus ideais.

  Ativa, atuante, sempre estava disposta a fazer algo: escrever, pintar, ler, resolver problemas, cuidar da casa, etc. Vivia como se nunca esperasse o fim. Porém, o tempo lhe foi curto e a levou muito antes.

Restou-me o vazio, mas a convicção de que suas palavras continuarão a ecoar pela eternidade.

  A saudade não cala, assim, apenas digo:

 Até um dia!

                                               

         

 

O    I N E X P L I C Á V E L    II

(O caso Regininha)

 

                                                                           Por Lázaro Gonçalves Reis

 

            “Existem mais coisas entre o céu e a terra do pode imaginar a nossa vã filosofia”.  Muitos de nós já ouvimos esta citação antes e o nosso relato vem nos mostrar que às vezes o que acontece à nossa volta sendo um caso raro, nos deixa perplexos e pensando seriamente nesta citação e o que não conseguimos entender é que dá um tom extraordinário ao caso.

 

            Nos anos sessenta, morávamos em uma cidadezinha do interior mineiro, aonde vim a conhecer Regina, jovem de classe média alta, mas que não deixou que sua posição social lhe subisse à cabeça, pois era uma pessoa bastante humilde e dada com todo mundo e me sentia privilegiado em gozar de sua amizade. Seu pai era gerente/proprietário do cinema local e igualmente se tratava de pessoa boníssima e educada ao extremo.

 

            Meu primeiro contato com Regina se deu pela apresentação de um outro colega e todas as nossas conversas giravam quase sempre em torno de revistas de histórias em quadrinhos, comumente chamadas de “gibis” e as trocas de revistas novas por outras não lidas. Assim, passei a freqüentar assiduamente a casa de Regina, em principio porque ela sempre usava um biquíni e quase não saia de casa o que não deixava de ser um fato inusitado e que acabava atraindo mais a atenção de jovens como eu e meu colega, mesmo porque Regina tinha 15 anos de idade e um belo corpo cheio de vida e bastante atrativo. Eu era uns dois anos mais velho que ela e gostava de ficar olhando para aquela linda criatura em trajes menores, coisas de rapazes da minha idade, cujos hormônios afloravam de forma tal que quase não podia evitar aquilo e, ainda mais que parecia-me que ela gostava de ser olhada, até que um dia sua mãe percebeu que nossos interesses estavam tomando um rumo além da amizade, me confidenciou que Regina usava aqueles trajes porque a roupa lhe era insuportável, mesmo no frio, em decorrência de uma enfermidade que lhe acometera quando ainda era criança e que estava desenganada pelos médicos. Fiquei tomado de surpresa com aquela explicação e mais surpreso fiquei quando ela me confidenciou que Regina não passaria dos dezesseis anos. A perderíamos irremediavelmente. Diversas foram as tentativas com outros médicos, mas tudo em vão. A única medicação que ela toma atualmente é a analgésica para aliviar as suas dores, pois qualquer outra medicação não resolveria nada. Os médicos suspenderam o tratamento há muito tempo, evitando que ela sofresse mais. Trate bem dela. Ela gosta muito de você e de sua companhia, mas não espere nada, concluiu com olhos em lágrimas.

            Sua mãe não declinou do nome da doença e também não perguntei, pois era uma bela mulher, apesar do desgaste pela doença da filha.

 

            Passaram-se os dias, e eu continuei a visitá-la, mas já a via com outros olhos e dissimulava quando falava com ela, pois sentia uma comiseração enorme ao ver uma menina tão bela, tão jovem e saber o quanto ela estava sofrendo, sempre sorrindo e nunca reclamando de nada.

 

            Afastei de sua casa por uns tempos, pois não conseguia assimilar tudo aquilo que estava acontecendo. Mas um dia vim, a saber, que Regina estava acamada e fui visitá-la. Mesmo com a enfermidade avançando impiedosamente, ela continuava meiga e com aquele lindo sorriso estampado no rosto.

 

            Numa manhã fria de junho, acordei com alguém me dando a triste notícia. Regina havia falecido. Os médicos estavam certos, ela tinha pouco mais de dezesseis anos de idade. Seu velório ocorreu em sua casa, mas apesar da multidão que a velou, não tive coragem de me aproximar e fiquei de longe observando e chorando por dentro a perda daquela grande amiga.

 

            Às sete da manhã iniciou-se o féretro. O dia estava límpido e claro apesar do frio que fazia. Seu caixão deixou a casa, e pude ver o seu pai logo atrás da urna funerária amparado por filhos e amigos e na verdade parecia não andar, mas se arrastando atrás da querida filhinha. No meu peito, senti uma pressão muito forte e quase explodi em pranto, mas me contive. Em dado momento, foi formando um nevoeiro em volta do féretro e parecia acompanhar toda a multidão à volta. O inusitado é que o nevoeiro estava somente em volta do féretro e no restante da cidade o dia estava límpido. Na pracinha por onde o féretro passou estava armado um circo que tão logo soube da morte da jovem, suspendeu seus espetáculos e seu alto falante começou a entoar a “Ave Maria” e parecia que aquele som estava vindo do céu, tornando ainda mais misterioso aquele momento. Quando o féretro chegou à Matriz, a multidão que não pode entrar notou que o nevoeiro ficou de fora da igreja, como que parado esperando também a recomendação que durou mais ou menos uma hora, devido à missa de corpo presente. Quando o féretro retomou o seu trajeto, o nevoeiro também seguia a multidão e continuou até o cemitério. Após o caixão baixar à sepultura, o nevoeiro também foi dissipando até acabar.

 

            Aquele acontecimento foi muito comentado, mas aos poucos foi caindo no esquecimento e hoje, passados muitos anos, ninguém mais se lembra do fato, mas eu guardei até hoje na memória como uma grata recordação de uma amizade que nunca deve ser esquecida e como mais um caso que ficou inexplicável.  O anjo voltou a Deus.

 

                                                     ***   

 

                                                                                                                              Lázaro Gonçalves Reis, é militar reformado e escritor andradense, Membro efetivo do Grupo das Quatro, tendo publicado em parceria com outros autores o livro “Cantos da Serra” e tem outros três livros concluídos: Vida de Nossas Vidas, A Justiça dos Homens e Contos Fantásticos, pendentes de publicação. 

           

“CONCURSO DE POESIA DO GRUPO DAS 4 REVELA ALTO NÍVEL ENTRE PREMIADOS E DEMAIS PARTICIPANTES “ CONFORME MATÉRIA DO JORNAL ANDRADAS HOJE (12 A 18 DE JUNHO DE 2009)”.

 Segundo o mesmo Jornal “O Grupo das quatro teve a difícil missão de escolher os vencedores do concurso de Poesias “Elaine Ventureli Caldas, na apresentação do Caça Talentos da Literatura, realizado no último dia 3, que comemorou 15 anos de existência do grupo.

RESULTADO DO CONCURSO DE POESIAS REALIZADO PELO GRUPO DAS QUATRO NAS 8ª SÉRIES.

                                             PRIMEIRO LUGAR

                  COLÉGIO JUNQUEIRA LEMOS – OBJETIVO

 

NÃO HÁ MAIS NADA AQUI!

Não há nomes, só despedidas

Não existem respostas, apenas dúvidas

                               Não há razão, apenas emoção

Não é medo é desespero

Não me diga que vai ser assim a vida inteira.

Ouça os gritos que saem da escuridão

Só você me fez acordar,  mesmo que em um mundo diferente.

E então aquela voz ecoou dentro de meu coração gritando pelo  seu nome.

Nunca mais volte se não quiser

Apenas não se esqueça que você é tudo que eu não quero esquecer.

Minha vida sem você se resume em lembranças imortais.

Mais um dia em meu quarto, que passa em vão

E eu aqui fechado entre paredes de solidão.

Veja em meus olhos “Eu sinto a sua falta”,

Mesmo que muito distante, mesmo que nunca mais a gente se encontre.

Construí os primeiros passos na escuridão.

E então tudo se foi, nada restou e encontrei as respostas que nunca quis ter.

Ao lado teu passei muitos dias em meus sonhos, lembranças de ontem

Me destroem hoje.

Cultivando falsas esperanças

O que devo fazer! O que devo fazer!?

 

                        Marlon Seco de Carvalho

                          

  SEGUNDO LUGAR

  ESCOLA JOÃO MOSCONI

 

SOMENTE AMOR

 

Não adianta dar esmolas:

Se você humilha o pobre;

Não adianta fazer o bem:

Se for para sua vaidade;

Não adianta perdoar:

Se ficar recordando a ofensa;

Não adianta fazer milagres:

Se não tiver fé em Deus;

Não adianta oferecer sacrifício:

Se não for por amor;

Não adianta crer na vida eterna:

Se você mal vive a sua vida presente;

Não adianta querer o respeito:

Se não for para respeitar;

Não adianta ter amigos:

                              Se não for para confraternizar;

Não adianta admirar alguém:

Se for para ter falsidade;

Não adianta ter estudo:

Se não for para por em prática;

Não adianta ter amor à vida:

Se for para desperdiça-la.

   

Lucas Batista Belltotti  

 

TERCEIRO LUGAR

COLÉGIO ULTRA

 

AH, O AMOR!

 

Ah, o amor...

Para que existir?

Para sofrer? Sentir dor?

Se arrepender, o que é o amor?

 

Ah, o amor...

Ninguém explica, ninguém entende

se apaixona e depois se arrepende!

 

Ás vezes a gente para, pensa e

lembra das histórias que só tiveram desavenças.

Tantos momentos guardados

e o meu coração permanece fechado.

 

Ah, o amor que bate no meu peito

Me deixa meio assim, um pouco sem jeito

E assim ele vai embora

Deixando a tristeza que fica na minha memória.

 

                                           Andressa Ortega Alves

                               

 

CÓPIA DE E-MAIL ENVIADO POR ALEXANDRE PASTRE GONÇALVES SOBRE 15º ANIVERSÁRIO DO GRUPO DAS QUATRO CUJO CONTEÚDO AGRADECEMOS. 

Aniversário do G4/Entrevista com a Nilza
Caro Armando, Tudo bem? Desculpe-me pela invasão, mas estou enviando neste em...
20 mai 2009


ARMANDO DE OLIVEIRA CALDAS para Alexandre 
mostrar detalhes 10:49 (54 minutos atrás) Responder



Alexandre, agradeço sua atenção e terei prazer em divulgar sua mensagem em nosso site www,grupodas4.xpg.com.br.
obrigado - Armando de Oliveira Caldas


2009/5/20 Alexandre Pastre Gonçalves <alexandrepastre@yahoo.com.br>



Caro Armando,

Tudo bem?
Desculpe-me pela invasão, mas estou enviando neste e-mail uma entrevista que realizei e disponibilizei no site www.samambaiando.zip.net para, caso você queira, colocá-la também na página do grupo que gosto muito de acompanhar.
Aproveito, então, para divulgar o meu site também e convido você para acompanhá-lo e fazer sugestões, críticas etc. quando quiser.
Qualquer dúvida, por favor, entre em contato.

Obrigado pela atenção desde já,
Alexandre Pastre Gonçalves

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ENTREVISTA 


APG/16.05.2009
Em comemoração ao aniversário do grupo o Samambaiando programou uma entrevista com uma das líderes do grupo, a escritora Nilza Alves de Pontes Marques, para conhecer mais sobre a trajetória pessoal dela e a história do grupo. 

Mesmo gripada ela largou a palavra cruzada no sofá e atendeu prontamente para responder sem titubear tudo o que foi perguntado a ela na tarde de sábado, 16 de maio. A pedido dela a entrevista está exposta depois do anúncio da comemoração do aniversário do grupo. 

Nós vivemos numa região híbrida, numa cidade de fronteira, mas vejo nas suas obras a predominância de alguns elementos que são remetidos mais ao universo do mineiro, ligado a tradições e valorização da casa, das relações pessoais. A boneca de pano, o fogão de lenha, a negra forra, a saudade dos amigos são alguns deles.
Sim, há muita mineirice em mim e nas minhas obras e isso é espontâneo. E esta região de Andradas, Ibitiúra, Jacutinga, Espírito Santo do Pinhal, São João da Boa Vista e algumas cidades próximas tem muito em comum: o sotaque, o uso de algumas palavras, o comportamento. 

Sei que a intenção do grupo é democratizar o acesso das pessoas, ou seja, qualquer pessoa, de qualquer nível de escolaridade pode participar do grupo, não é?
Exatamente, propomos a valorização da pessoa humana, a criação, porque toda pessoa tem potencial criativo e pode desenvolver sua escrita. 

E não é cobrada nenhuma taxa de associação, arrecadado algum dinheiro para manter o grupo?
Nada, não cobramos nada e nem queremos. 

E o grupo recebe algum recurso público?
Não, mas a nossa proposta é que o grupo seja independente mesmo. Está bom assim, está funcionando e não queremos mexer no time que está ganhando. A única ligação com a administração pública será agora para a comemoração de aniversário, porque faremos a comemoração do aniversário no teatro e a prefeitura o cedeu. Ela também custeará o som, o transporte dos corais e os troféus. Mas que fique claro: não temos coletivamente preferências por partidos ou pessoas. Se é Pedro ou se é Paulo não importa, qualquer um pode estar com a gente desde que queira estar. 

Mas e os dois livros editados do grupo foram pagos por quem?
Conseguimos parcerias com muitas pessoas: um pouquinho daqui, de lá, muita gente ajudando e assim foram lançados os livros Chá das 4 e Cantos da Serra. 

Então não há nenhum critério para fazer parte do grupo? Nenhum regulamento?
A única coisa que definimos como regras para os nossos encontros mensais é o que não queremos: discussões sobre religião, política e qualquer tipo de discriminação. Temos ainda um grupo coordenador que é formado pela Márcia Melo, Márcia Garcia, Maria Alice Muller e as filhas da Helena, Aparecida e Lenice Venturelli. 

Mas e se alguém quiser escrever um poema sobre a crença?
Daí não tem problema e inclusive tenho poemas que remetem à minha crença. O que não pode é na hora do café, na hora que paramos para conversar bem informalmente que se fale sobre estes assuntos. 

Desde o começo, o grupo que começou com a senhora, Maria Francisca da Silva Venturelli, Helena Baptista Ribeiro e Elaine Venturelli Caldas, as quatro, já nasceu com esta proposta de ser aberto para qualquer pessoa, de ir se expandido?
Foi uma brincadeira nossa, uma coisa informal entre amigas, sem pensar, então não formulamos nada, não traçamos metas. A única coisa que definimos no início foi que as reuniões não acontecessem mais quinzenalmente como estávamos fazendo e, sim, mensalmente, porque não queríamos repetir a leitura do que escrevíamos e, com o espaçamento de um mês, isso ficou mais fácil e assim está até hoje. E o grupo foi aumentando de uma forma descontraída. Quando eu era coordenadora do museu apareciam pessoas lá e perguntavam: “é aqui onde se lê poesia?”. E eu ia dizer que não? Daí fomos recebendo novos integrantes. E outras pessoas iam procurando pela Francisca, pela Elaine e pela Helena e atualmente somos um grupo com 51 pessoas, fora os declamadores. 

Então cada comemoração de um aniversário deve ser uma grande surpresa, porque era algo inesperado.
Sim, nossa, nunca pensei que teríamos um grupo assim. 

E como funcionam as reuniões?
Nós nos encontramos todo mês revezando as residências. O dono da casa é o dirigente, mas sempre dispomos as cadeiras num círculo para nos organizarmos para as apresentações de cada produção. Começamos sempre com as leituras: cada pessoa se levanta e faz leitura de um texto a cada rodada. Quando terminam todas as rodadas os músicos, seresteiros e declamadores começam. Eles ficam à parte para dar mais ritmo às reuniões. 

Sempre foram nas casas?
Primeiro, nos dois primeiros anos, todas elas aconteciam semanalmente na casa da Maria Francisca da Silva Venturelli. Depois de lá foram para o museu e de lá para a Escola Estadual José Bonifácio e depois começamos a mudar as casas. 

E depois que duas das quatro fundadoras faleceram o grupo não ficou desanimado para continuar se reunindo?
No dia do falecimento da Helena era dia de reunião do grupo. No velório, me perguntaram se ia ter reunião. Eu disse: “imagina, não tem clima pra isso”. Daí a Elaine [que faleceu recentemente] disse: “é claro que vai ter, porque era disso que ela gostava e a melhor forma de mostrarmos o respeito por ela é fazer o que ela gostava”. Foi uma reunião pesada, triste, mas fizemos e quando eu morrer vou querer que façam o mesmo: quero leitura de poesia, porque é disso que eu gosto. Quando a Elaine faleceu adotamos a mesma lógica: fizemos a reunião pouco tempo depois dela ter falecido, em homenagem a ela. 

E por falar em poesia é o gênero literário que a senhora escreve?
Também escrevo contos e crônicas, mas gosto mais de poesia. 

O que acho mais surpreendente, ao menos me parece, é um grupo crescer tanto, apesar da poesia ser tida por muitos como elitista.
É, poesia tinha que ter métrica e rima, mas há espaço para versos brancos. 

Então, quer dizer que tecnicamente versos brancos e livres abrem a oportunidade para a formação de um grupo assim?
Exatamente. E poesia pode ser poesia sem ter métrica e rima e o universo de cada pessoa ser poético e criativo. 

Você tem rituais para escrever, ou seja, diz para si: “agora tenho que começar a escrever sobre isso”?
Sempre escrevi por prazer, mas escondia e lia pra mim. Não acreditava que era capaz, demorou um tempo para aceitar as minhas criações e apresentar para outras pessoas. Descobri algum valor depois de participar de vários concursos e ser premiada. Num episódio específico fiquei mais convencida disso ao fechar o livro Os Estrangeiros na Construção de Andradas que organizei em homenagem ao meu pai. Eu queria que o livro terminasse com uma poesia dele, pois ele também escrevia, mas morreu antes de escrevê-la como havia planejado. Daí, um certo dia, arrumando a cama, senti como um cochicho, um sussurro dizendo o que eu deveria escrever, fui tomada por um sobressalto. Saí correndo e anotei. Foi a poesia que fechou o livro. 

A senhora também é genealogista. Ela também serve para as suas criações poéticas?
Este poema que li sobre ter nascido negra (*) e ter embranquecido é uma referência ao fato de eu ser descendente do Padre Manoel Gonçalves Correa com a escrava Graça. 

(*) na ocasião, ela leu um dos poemas que serão lidos no programa Movimento da TV Andradas que também relevará o aniversário divulgando as criações do Grupo das 4.

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