CONTOS   CRÔNICAS    POESIAS    TEXTOS DIVERSOS    REALIDADE & REFLEXÃO   FICÇÃO   CIENTÍFICA    MÚSICA    IDENTIFICAÇÃO      ESPECIAL    ARQUIVO     IMAGENS     LINKS

                          ARQUIVO-34         

         

                      MARÇO-2009  

                         

DATAS DO MÊS

08/03 - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

14/03 - DIA NACIONAL DA POESIA

21/03 - DIA MUNDIAL DA INFÂNCIA

27/03 - DIA DO CIRCO E DO TEATRO

                                  

EXISTIR  OS PEZINHOS  ENTREVISTA COM UM ARTISTA

 

                                                         EXISTIR

                                     

                                              Por Armando de Oliveira Caldas

 

     Existir é a oportunidade passageira de nos mostrarmos durante o curto período em que estamos sobre a Terra. Não construímos apenas castelos de areia, depende de como nos envolvemos para marcar esse período. Nesta luta sempre sobra o mais importante: os ensinamentos transmitidos.

      Não morremos, as raízes continuam e proliferam, é a vida que nunca deixa de permanecer. Assim o tempo passa, os anos se sucedem e as civilizações encontram caminhos.

      Se pensarmos que hoje vivemos numa época repleta de desencontros, podemos estar enganados. Apenas não devemos entender os problemas do momento como insolúveis.

      Foi e sempre será assim, mas se visualizarmos o passado podemos até pensar que o mundo antigo era melhor. Porém, isto não é verdade. Com certeza os idosos se lembram da extrema miséria muito comum.  Muitas pessoas mal conseguiam se alimentar, as crianças com pezinhos nus e roupas maltrapilhas. Moças e rapazes sem condição de irem ao dentista e daí por diante.   

        Hoje o que falta é mais orientação para nossa juventude, que muitas vezes se embrenham pelo caminho das drogas, esquecendo que o futuro depende deles. Não são mais os famintos pelo alimento, mas não deixam de ficar marginalizados.

       Dizer que não existam focos de miséria, também não é verdade, talvez não tanto quanto nos tempos idos.

       Ao caminharmos por este mundo encontramos surpresas boas e ruins. Porém, queiramos ou não temos de enfrentar todos os momentos e procurar a alegria de ver o sol nascer e se por. A união em prol das boas causas representa muito mais vida do que se tornar individualista, querendo apenas para o si o sonho da vivência perfeita.

      Portanto, existir é doar um pouco daquilo que entendeu durante a vida. É mostrar a realidade, sem, contudo pintar apenas os aspectos negativos. Está ao alcance de todos viver bem, lutar por ideais, mas sempre respeitar o semelhante.

      Dinheiro, poder, não evitam o fim comum.

      Por vezes, ocorre até os descrentes em Deus, que se apegam à crendice de que nada mais existe após sua passagem. Diria:

-         Quanta ignorância!

     A vida é uma dádiva para aprimorarmos nosso espírito e estarmos prontos para a grande viagem. No entanto, o fanatismo é o lado negativo que sempre deve ser evitado.    

                                           

                                            OS PÉZINHOS  

                            Por Elaine Ventureli Caldas (em memória)

        Joaquim tinha fascinação por pés. Não sabia porque, mas não podia ver um e logo se apaixonava. Por este motivo resolveu escolher uma profissão que o satisfizesse. Como não poderia deixar de ser foi até o sapateiro mais próximo e pediu, quase numa súplica:

     - Quero ser aprendiz de sapateiro.

     Seu Benedito estranhou:

     - Filho de farmacêutico com um belo futuro pela frente e querendo ser aprendiz de sapateiro? Para que? Bem podia estudar e herdar a farmácia do pai! Estes jovens tem cada uma! Mas se ele queria ser seu empregado, vá lá, não ia desfeitear o compadre que havia aceitado tornar sua inocentinha uma cristã. Ensinaria a profissão e veríamos no que ia dar.

     Joaquim se mostrou um profissional competente. Com que amor alisava, batia os pregos, até com certo dó. Parecia que tinha receio de magoar aqueles pedacinhos de couros transformados em pisantes. Limpava, engraxava e em sua imaginação depositava um beijo suave nos mesmos antes de colocá-los alinhados na prateleira a espera dos donos. Não importava para ele se eram novos ou velhos, todos possuíam o mesmo valor. Benedito no começo arregalava os olhos e ficava imaginando que o compadre possuía um filho maluco. - Coitado!

A vida, no entanto é assim mesmo. Quem tudo pode é o que menos aproveita, filosofava ele. Com o tempo o sapateiro foi se acostumando e já não dava mais atenção às esquisitices do rapazote. Passou a separar para o aprendiz sapatinhos de crianças e jovens. Sabia que com isso estava agradando o menino.

    Um dia apareceu um par de sandálias. Eram delicadas, apenas umas tiras presas ao dedo e seguras no calcanhar. Com pedras negras coroadas de prata. Lindas. Como de costume Benedito passou para o ajudante. Ele segurou as mesmas nas mãos, mirou de um lado e de outro. Consertou algumas das pedrinhas que estavam soltas. Limpou, brilhou e colocou na prateleira bem na sua frente. Do lugar onde estava não tirava os olhos das sandálias. Já via os pezinhos delicados de alguma menina-moça calçando-as. As unhas pintadas de esmalte-rosa pérola para combinar com a delicadeza das mesmas. Em sua imaginação foi subindo, subindo até chegar nas pernas. Naturalmente eram longas, delgadas, elegantes. Subiu mais, o corpo fazia jus aos pezinhos, cintura fina com delicado cinto prendendo a saia rodada. Seios de menina em corpo de mulher que desabrocha. Chegou afinal no rosto. Angelical, pele aveludada de pêssego maduro. Olhos azuis e todo o conjunto emoldurado por vasta cabeleira dourada. Joaquim sentia todo seu corpo fremir num arrepio de satisfação. Foi difícil acordar com a voz mais alta de Benedito que quase gritava:

    - Acorde seu sonhador! D. Rosália veio buscar as sandálias. Vai usar logo mais na festa de São Sebastião. Passe as mesmas para ela!

      Joaquim abriu os olhos e fitou a dona das sandalinhas:

      - Uma senhora gorda e amarrotada, olhos esbugalhados e cansados! Os pés? Uma bola inchada com unhas encardidas e por fazer? Analisou Joaquim.

     Até hoje seu Benedito não entendeu por que perdeu o eficiente aprendiz de sapateiro que preferiu ir fazer injeções na farmácia do pai. 

                                              

                               ENTREVISTA COM UM ARTISTA

                            (Concedida para Roselane de Sousa Caldas para fins   

                       escolares em 2008 – UNIPAC)

 

1 – NOME COM PLETO?

R – Elaine Ventureli Caldas

2 – DATA DE NASCIMENTO?

R – 22/07/1943 registrada em 22/10/1943.

3 – ESCOLARIDADE?

R – 2º grau – Colegial.

4 – NATURALIDADE?

R – Andradas – Minas Gerais – Brasil.

5 – QUAL O ESTILO DE ARTE QUE REALIZA?

R – Fiz cursos de desenho e pintura por correspondência – Universal e Panamericana onde aprendi diversas técnicas de pintura como, por exemplo: bico de pena à nanquim – aguada com guache – etc – além de óleo onde procurei me especializar. Depois fiz um curso com o professor e pintor Matiolli, em Poços de Caldas, para aprender a usar espátula. Fui sua aluna até seu falecimento. Em seguida com o pintor premiado Dr. Aldo Stopa, também em Poços de Caldas, onde entrei em contato com a pintura clássica.

Pinto desde 1.964 e continuo estudando e procurando conhecer outras técnicas, como por exemplo, a pintura transparente. Não sigo um estilo específico. Prefiro o figurativo.

6–EM QUEM SE INSPIROU?

R – Quando menina gostava de desenhar e procurava fazer principalmente o rosto de meu irmão e cópias de revistas onde aparecia alguma pintura famosa. Depois de casada que estudei realmente pintura e desenho.

Gosto de pinturas clássicas como dos renascentistas, mas admiro todas, desde o francês Rousseau, primitivista, Van Gogh, holandês, que retrata em sua loucura, o que lhe vai n’ alma, até Michelangelo, italiano do renascimento assim como Leonardo da Vinci, o gênio em todos os sentidos. Goya, pintor espanhol, surdo, que pintava belas mulheres, monstros e guerras, assim como Portinari, brasileiro que retrata as pessoas simples do nosso cotidiano, principalmente a miséria e sofrimento do nordestino. Enfim, sou amante das artes. Durante alguns anos dei aulas de desenho e pintura em telas, tecidos e gesso. Hoje me dedico, além da pintura, ao artesanato fazendo crochê, tricô, bordado. Sou uma curiosa e sempre que possível procuro fazer cursos para um conhecimento mais abrangente de todo tipo de arte. Foi assim que fiz um curso de cerâmica pelo SEBRAE.

7 – QUANTAS OBRAS JÁ REALIZOU?

R  - Perdi a conta das obras que realizei. Tenho muita em meu poder. Aquelas que escolhi para me acompanharem. Vendi um bom número de quadros, além de artesanato, principalmente blusas e toalhas de crochê, coisa que gosto de fazer.

8 – QUAL A TÉCNICA UTILIZADA?

R – Procuro, como já disse, aprender um pouco de cada técnica, mas prefiro óleo sobre tela.

9- QUAL O ARTISTA EM QUE VOCÊ SE INSPIRA, PARA REALIZAR SUAS OBRAS?

R – Admiro a arte em si, independente de qualquer artista que a tenha realizado, mas prefiro a pintura figurativa, onde creio, posso exprimir meus sentimentos com maior liberdade. Sempre que possível pinto retratos e figuras de mulheres principalmente japonesas e índias com seus olhos amendoados e feições delicadas.

10- ALÉM DAS ARTES O QUE MAIS VOCÊ GOSTA DE FAZER?

R – Gosto de escrever e foi assim que junto com mais três amigas formamos o Grupo das 4 que começou com 4 mulheres e hoje somos mais de 50. Contamos com jovens de 9 a 90 anos e muitos setores da arte e da literatura ali representados. Temos desde um berranteiro até poetas, contistas, cronistas, cantores, violeiros, artistas plásticos e artesãos. Temos dois livros editados: Chá das quatro e Cantos da Serra além de ter participado da antologia “Estros” pelo CEPAC de Campinas e Escrevendo Mulheres do Rio de Janeiro.

     Também gosto do trabalho voluntário e já participei do Conselho da Criança e do Adolescente. Dei curso de Batismo por 30 anos e atualmente faço parte há já uns 10 anos do Conselho da Saúde, estando envolvida na defesa da vida contra o aborto e a eutanásia. Meu mais recente quadro é uma obra sobre a gravidez onde mostro a beleza da mesma numa representação de uma jovem com seu ventre crescido mostrando a tranqüilidade do bebe ali gerado.

11 – QUAL A DIFERENÇA ENTRE UM ARTISTA PLÁSTICO E UM ARTESÃO?

    Ao meu ver o artista plástico é aquele que cria algo: um quadro, uma escultura, etc. e o artesão aquele que copia. O artista nem sempre se preocupa com detalhes, enquanto o artesão é minucioso.

12– COMO VOCÊ SE SENTE DIANTE DAS OBRAS QUE REALIZA?

R – Tudo o que faço: - desde um bolo, até um conto ou um quadro, faço com amor e dando tudo de mim, por isso sou apaixonada por todos os meus trabalhos. Ali existe um pedacinho de minha alma, com certeza, e sou capaz de levantar de madrugada para ir namorar um pouquinho meus quadros.