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                     ARQUIVO -30-    

          

                                              JULHO - 2008

                 

DATAS DO MÊS

ÚLTIMA SEMANA - FESTA DO VINHO EM ANDRADAS

                                  

                                                  

                               PARAISO

                                                 Por Armando de Oliveira Caldas

         Novas árvores cobriam os desmatamentos e a grande Transamazônica totalmente pavimentada levava progresso para centenas de cidades. Tal como o majestoso rio, seus braços penetravam a floresta sem nenhum dano. Para quem viajava, a sombra das copadas preservava um ambiente morno. O respeito à natureza tornara-se uma consciência nacional.

      Todos os rios do País estavam recuperados. Águas cristalinas permitiam ver os peixes. Um túnel de vegetação acompanhava-os em todas as extensões.

      E as cidades?

      Pacatas, sem violência. Presídios transformados em centros de adestramentos profissionais. Em áreas próprias crianças brincavam felizes. A pobreza deixara de existir e todos possuíam trabalhos honestos.

      Viajei de norte a sul, de leste a oeste e o panorama era o mesmo.

      Não acreditava no que meus olhos viam.

      Perguntava para mim mesmo:

      --- Será que estou no Brasil?

      Estava assim pensando quando um velho, que parecia ter ouvido minha pergunta, aproximou-se e respondeu:

      --- O que está vendo é o fruto de seu desejo.

      Olhei o ancião e continuei:

      --- Mas como aconteceu tudo isto?

      --- Muito simples. Existe honestidade em nossa política. Nossos representantes vêm deixando seus nomes na história. Não precisamos escolher partidos, a seriedade e a sinceridade são o lema de todos.

      Continuava cético diante do que presenciava, não podia ser realidade, mesmo assim voltei a perguntar:

      --- Qual foi a razão para toda esta mudança?

      --- Não foi tão difícil. As escolas tomaram a direção certa. Do pré-infantil até a faculdade a conscientização de responsabilidades é a principal matéria. O processo vem se repetindo e formando gerações dignas.

      Andando por uma rua movimentada com o idoso senhor, desviei a atenção para um majestoso prédio. Li a placa dourada: Centro de Estatísticas e Estudos Sociais. Foi quando o velho disse:

      --- Entre, você verá como tudo funciona.

      Atravessei o grande portal e me deparei com inúmeras pessoas trabalhando em computadores. Segui aquele homem que ia me levando pelos labirintos da construção até parar diante de uma mesa onde havia um grande livro. Na capa estava escrito: Estatística do Homem através dos Tempos.

      Referido volume mostrava a evolução humana nos últimos três mil anos. Em cada folha uma estatística simples, colunas e percentuais assim dispostos: evolução cultural, evolução tecnológica e evolução humana. Então perguntei:

      --- O que é a evolução humana? Não está ligada às duas primeiras? E o experiente homem me respondeu:

      --- Não, em nenhuma hipótese. Quer dizer a evolução do homem como ser incomparável na natureza, desprovido das atitudes selvagens, que apenas trabalham e compartilham as belezas da vida.

      --- Mas isto não existe.

      --- Quer ver nosso País agora? E abriu no local.

      Nos três itens a porcentagem era de cem por cento.

      --- E o resto do mundo?

      --- A grande maioria não apresenta o mesmo resultado.

      Naquele momento o som de palavras misturou-se com meu sonho. Era o rádio despertador:

      --- Agora de manhã mais um assalto na rua...

      Pensei então:

      --- As coisas não precisam ser idênticas ao que vivi durante a noite, mas bem que poderiam estar próximas!

  

                                                      

     FATOS HISTÓRICOS – O TÉRMINO DA 2ª GUERRA MUNDIAL

                                             Apresentação: FÁBIO MATEUS

                        (conforme narração de João Mateus da Costa)

         Assim me contou João:

       ---O término da 2ª Guerra Mundial foi solenemente comemorado em todas as cidades, despertando uma grande alegria entre a população, como, aliás, não poderia deixar de ser, uma vez que a humanidade durante seis longos anos estivera imersa nos conflitos.

        Finalmente estourou a notícia de que a Alemanha Nazista assinava a rendição incondicional, pois Hitler havia morrido e os principais chefes de seu regime militar fracassado, estavam foragidos, alguns também mortos.

        Em Andradas, o povo comemorou o acontecimento pelas ruas fazendo um verdadeiro carnaval. Nos bares e esquinas pessoas amigas trocavam impressões, enquanto o Serviço de Alto Falantes transmitia marchas e discursos proferidos por oradores locais.

        Cinco meses depois, ou seja, no mês de outubro, Andradas se preparava para receber os expedicionários que foram para as frentes de batalha.

        Havia um circo na cidade naquele dia, onde os artistas foram desfilar em praça pública, para alegria da criançada e da população mais carente. A música – “O pingo d’água” de Raul Torres e João Pacífico estava sendo lançada nas rádios – e ao som dessa música foram os artistas, juntamente com o povo, festejar.

        De manhã, em um local denominado Vargem do Rigoni, dois homens aravam a terra sob o sol forte, quando viram chegar a comitiva destes três ilustres pracinhas. Assim que ouviram a aproximação dos carros, pararam para observar a comitiva. Estavam admirados com tal fato, pois eles nunca esperavam ver em Andradas três carros!

        Para as pessoas desinformadas é bom saberem que carros eram coisas raras de se ver nesta região.

        Hoje, este homem não contempla somente três carros, mas uma cidade cheia de veículos.

        Os tempos mudaram, a cidade cresceu, e se desenvolveu, em conseqüência o aumento dos carros também.

         Isto é o progresso!

         Nota:

       Se perguntarmos as crianças em idade escolar, e mesmo a várias pessoas, quais foram os Expedicionários, talvez poucas delas saibam nos dizer. E com razão, porque, hoje, quase ninguém fala sobre eles.

       Às novas gerações que se preparam para tomar assento na vida, é bom que se diga: Ademar de Oliveira, filho do Sr. Augusto de Oliveira, Agenor Trevisan, filho do Sr. Maximiliano Trevisan Neto, Altibano Ortenzi, filho do Sr. Luiz Ortenzi e juntamente com eles, Osias Pereira, filho do Sr. José Clemente Pereira, este de Mogi Guaçu, que durante a II Guerra Mundial, lutaram, bravamente, nos campos de batalha, honrando o nome do Brasil.

       Eram de famílias do trabalho, criados na simplicidade, não tinham títulos honoríficos ou de graduação, mas tiveram a glória de conhecer, de perto, o drama da guerra e, defender a Pátria do jugo opressor.

 

                                                              

FATOS & HISTÓRIA – A DEVOÇÃO À CIDADE DE APARECIDA

  A Viagem de Felicíssima Modesta de Carvalho à cidade de Aparecida.

                                      Apresentação Fábio Mateus

                     (narrado por João Mateus e Aparecida Tonon)

 

   Corria o ano de 1946, na cidade de Andradas. No Bairro Córrego Fundo, morava a família de José Mateus da Costa, mais conhecido como Zéca Matheus.

   Sua mulher chamava-se Felicíssima Modesta de Carvalho. Felicíssima era uma mulher católica, de uma fé extraordinária. Dotada de um espírito forte, ministrava suas tarefas de uma maneira correta.

   Passou sua curta existência só fazendo o bem. Humilde, sem estudos regulares, criada na roça, ela nos legou um exemplo, que dificilmente será esquecido.

   Se todos nós (não importa a religião que professamos) fizermos uma oração sincera à sua alma, cremos que ela se sentirá grata. Para quem crê na imortalidade da alma, a sugestão é válida e encontra-se em ressonância. Do contrário, respeitamos o ponto de vista de cada um.

   Conta-se que Felicíssima sentia uma vontade enorme de ir a cidade de Aparecida, pois nunca havia ido até lá para fazer sua devoção.

   No seu bairro, alguns parentes resolveram fazer uma romaria. E ela acabou indo junto com seu irmão, Antonio Luiz de Pontes – (Tio Toinho).

   Tudo arrumado para este dia, Felicíssima organizou as poucas coisas que poderia levar. Uma troca de roupas, uma garrafa de água, algo para comer na viagem e um pouco de dinheiro. Estava feliz, pois ia realizar seu grande desejo.

   As viagens naquela época não eram tão confortáveis como hoje. Os veículos eram mais lentos, e os acentos dos bancos não eram lá grande coisa. Pela idade dela (60 anos), talvez seria melhor quando lá chegasse tivesse um pouco mais de comodidade em algum Hotel. Como ela nunca havia se aventurado ir sozinha em viagens, achou melhor levar consigo uma moeda de 1.000 réis para suas despesas, como garantia. Uma quantia alta em si, mas, pensava, é melhor sobrar do que faltar.

    Quando chegou na cidade de Aparecida chovia muito. Felicíssima, mesmo debaixo de chuva, foi fazer sua oração. Acontece que a igreja estava fechada, mas mesmo assim, ela na porta da mesma, prostrou-se de joelhos a orar.

   Muitas das pessoas que a acompanhavam tentaram de toda maneira desencorajá-la, mas tudo em vão. A fé falava mais alta.

   Diziam:- “A senhora vai se molhar e ficar doente! Vamos para o hotel! Outra hora a Senhora vem fazer sua devoção”.

   Mas isto não adiantou, ela não dava ouvido.

   Depois de sua devoção, rezando o credo, aconteceu o inesperado. Ao chegar ao hotel, suas roupas deveriam estar molhadas de tanta chuva que tomou, mas não! Estavam totalmente secas. Naquela época, senhoras como ela, usavam vestidos longos, retos, aos quais chegavam até a encobrir os pés. O espanto foi tanto que todos ficaram deslumbrados diante deste fato. O dono do hotel, que presenciou este acontecimento, ficou tão comovido que não quis nem cobrar sua estadia.

    Como prometera levar uma imagem da Santa, para dar de presente a uma de suas cunhadas, o dono da loja também não quis aceitar o pagamento. E assim, sucessivamente, outros estabelecimentos também não quiseram aceitar a moeda, quando tomaram conhecimento do fato.

    Eis aqui a prova da fé de uma pessoa. Isto não é uma mera passagem, mas um dos relatos que se deve preservar entre os filhos dessa honrosa Senhora.

   São os mistérios de Deus para com a fé dos homens.

 

Nota:

A moeda mencionada acima foi dada a seu filho – João Mateus – é uma moeda de prata de 1.000 Réis. Seu filho nunca chegou a gasta-la. Preferiu preservá-la, virando assim, uma relíquia de família.