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                           ARQUIVO - 3              

             

 

                                            ABRIL 2006

DATAS DO MÊS

01/04   =  DIA DA MENTIRA

14/04   =  SEXTA FEIRA DA PAIXÃO

16/04   =  PÁSCOA

19/04   =  DIA DO ÍNDIO

21/04   =  TIRADENTES  |   INAUGURAÇÃO DE BRASÍLIA

22/04   =   DESCOBRIMENTO DO BRASIL

 

TEXTOS DO MÊS

PRIMEIRO DE ABRIL     PARA REFLEXÃO

 

 

                             PRIMEIRO DE ABRIL

     Como O próprio nome diz, no primeiro dia do mês de abril, era comemorado o primeiro dia do ano. Lá pelo século XVI, com a mudança do calendário, veio as brincadeiras com o primeiro de abril e ganharam assim o apelido (O dia da mentira).

       Este dia não é lenda e nem folclore é um costume que foi deixado de lado, pelo menos aqui no Brasil.

        Na França e nos países de língua inglesa ainda é praticado este costume, conhecido como (O dia do bobo).

        É celebrado com trotes, brincadeiras e trocas de presentes falsos ou burlescos.

        No meu tempo de criança, (que se vai ao longe) passávamos trotes nas meninas das outras ruas, mas eram mentiras boas e engraçadas.

       A 1º de abril de 1950, recebi uma linda caixinha de segredo. Abri com o maior cuidado para não amarrotar, pois era forrada com papel de seda. Ao abrir o bilhetinho que havia dentro da linda caixinha, trazia estampado o 1º de abril; pegou-me em cheio. Eu não tinha dado em conta que era o dia dele, (da mentira).

       Passei a tarde enfezada, por ter vindo de um menino feio e malcriado, vivia me chamando de coisas – por exemplo:  vara de apanhar coquinho etc.

       Chamei o menino mais levado da breca e mandei a caixinha com uma folhinha muito cheirosa para Belinha.

        --- Diz a ela que foi o “tico-tico” quem mandou.

       Saí correndo pela outra rua e cheguei primeiro. Eu queria ver a reação da Belinha, pois ela detestava o “tico-tico”.

       Belinha abriu a caixinha sem muito cuidado, sabia que ali teria alguma brincadeira.

       1º de Abril de 195l.

       Logo que amanheceu eu fiquei cogitando, com quem e com que vou pegar na brincadeira de hoje.

       Então fui comprar ovos para minha mãe, na volta passei na casa do Nicnic.

       Nicnic tinha um papagaio e uma arrelienta cacatua;  com tanta atormentação sua mãe via dizendo:

        --- Qualquer dia vai fritar esse papagaio branco.

       Ouvindo isso tive a idéia de brincar com ele; levei os ovos para casa e depois de algum tempo voltei.

       Dona Júlia chamava pelo Nicnic como sempre, o que mais se ouvia na rua era o nome dele.

       Aproximei-me de Dona Júlia dizendo:

       --- Nic foi até o seleiro ver se a bola de capão está pronta.

       --- Vá chamá-lo, o pai não almoça sem ele, faz este favor para mim.

       Era só o que eu queria.

       --- Nic sua mãe está cuspindo formiga, é para você ir almoçar que ela fritou o papagaio branco.

       O menino deu um berro com a boca tão aberta que deu pra eu ver a úvula e a glote em vibração.

        É só o que lembro de Nicnic, dois olhos azuis em cima da boca escancarada.

Edenilda Franchi de Andrade

Ou Éden Franchi

 

Natural de Andradas – MG, reside em Campinas há quarenta e oito anos.

Formada em Artes Plásticas, atua em várias áreas, inclusive na poesia.

Pertence à Casa do Poeta de Campinas e ao Centro de Poesia e Arte de Campinas (CPAC).

 

                                                                PARA REFLEXÃO

 

       Meu “nono” era napolitano, veio para o Brasil com doze anos. Trouxe na lembrança imagens fantásticas de sua infância.

       Pessoa boníssima gostava de falar de sua terra natal, vivia a exagerar em tudo que se referia à Itália.

       Na sua costumeira conversa dizia que as uvas de lá eram do tamanho de uma laranja, que as batatas eram enormes, mas certo dia ele aumentou mesmo:

       --- Vocês não acreditam, mas onde morava colheram uma abóbora tão grande que foi preciso quatro homens para carregá-la!

        Meu pai, que sempre lhe dava atenção, não agüentou e disse:

       --- Seu Étore, sabe que aqui fizeram um tacho tão grande, que martelado de um lado não se ouvia do outro?

       Distraído ou inocente, perguntou:

       --- Para que Luiz? E a resposta foi imediata:

       --- Para cozinhar sua abóbora!

       Esta pequena ilustração é só para mostrar o quanto as pessoas gostam do lugar onde nasceram, é isto o que dá o sentido de Nação.

       Recebemos uma quantidade enorme de imigrantes, de todas as partes do mundo, tanto que hoje uma miscigenação de raças forma nossa população.

       Da mesma forma que meu avô, foram transmitidas de pai para filho idéias de que tudo lá fora era melhor. Isto ainda influencia muitas atitudes por vezes fazendo-nos acreditar nesta utopia.

       É preciso conscientizarmos que nosso País é tão grande que dentro dele caberia todas as nações européias. Que nossa história guarda demonstrações de civismo muito além do que possamos imaginar.

       A luta dos Bandeirantes para dimensionar a nação que conhecemos, estendeu em dobro ou mais as linhas divisórias de fronteiras.  Também não podemos esquecer Tiradentes, o mártir da Independência. Ainda, as inúmeras batalhas que se travaram no correr dos séculos. Portanto, é preciso enxergar mais longe, ver nosso passado.

       Não somos melhores ou piores que outras nações. O ser humano geneticamente é igual e não pode ser diferenciado. No entanto todos preservam suas raízes e procuram evidenciá-las.

       Não é a maioria da população brasileira que por vezes diz coisas que são inverdades, principalmente enaltecendo outras culturas, mas os que adotam tal postura precisam parar para pensar. Afinal vivem na comunhão nacional.

       Há poucos dias encontrei no “orkut” algo que me chamou a atenção, no tópico, numa transcrição, uma Holandesa comentou o seguinte: “Os Brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil. Realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos”.

       Isto quer dizer que até lá fora não entendem nosso comportamento. Atitude que não se enquadra para um País como o nosso.

       É direito nosso reclamarmos dos maus políticos, dos usurpadores de nossa confiança, como também é direito não ficarmos quietos diante das tendências de altas do custo de vida. Temos que dar nomes aos bois, contudo precisamos desvincular a Nação de nossos argumentos. O Brasil é muito mais, é o chão onde demos os primeiros passos, é a escola onde encontramos nossos primeiros amigos, é a nossa vida, é a liberdade de podermos dizer o que pensamos, é o nosso lar. 

        Um dos hábitos condenáveis é dizer:

        --- O brasileiro não consegue ... não tem...  não faz... 

        Quando é dito a palavra brasileiro, quer dizer a Nação e esta tem que ser respeitada. Vejam a observação da “Holandesa”, que afinal significa: que tal atitude é tão errada que até chama a atenção sobre nossa conduta.

        Muito dificilmente se ouviria alguém dizendo:

        --- Minha família não presta!

        Falar mal dos Brasileiros é falar mal de nós mesmos.  

 

                                                                       Armando de Oliveira Caldas