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                 ARQUIVO - 24 -    

      

                                    JANEIRO - 2008

               

DATAS DO MÊS

20/01 - SÃO SEBASTIÃO PADROEIRO ANDRADAS

                               

     

NOVO ANO NOVO TEMPO COMPANHEIRO DE VIAGEM FELICIDADE, ILUSÃO DE UM SONHADOR O GIRASSOL

 

                            NOVO ANO NOVO TEMPO  

                                                   Por Armando de Oliveira Caldas

  No cronograma da existência, mais um ano desponta. Novos desafios para superar os inúmeros problemas de uma sociedade que está sempre a se ajustar.

    Depois de tantos milênios e dos séculos que se formam no dia a dia, o homem ainda não conseguiu viver sem conflitos?

    Não há necessidade de resposta. A vida sempre estará pendente das normas que se criam. Mudanças que muitas vezes prejudicam uma organização livre da insanidade.

    Enquanto não se pensar na formação infanto-juvenil, os caminhos futuros serão obscuros. Retirou-se o trabalho, mas que orientação profissional é dado para nossas crianças?  Apenas projetos nada significativos, sem uma amplidão visível e segura. Evidente que direciona-las para o esporte é uma opção que merece elogio, mas no amanhã essas mesmas crianças precisarão sustentar suas famílias. Com que? Inexperientes quanto ao trabalho comum, como poderão assumir empregos?

    Temos que entender que nem todos cursarão faculdades e, a grande maioria necessitará de recursos. Este fator já vem ocorrendo e, quantos jovens procuram vagas e não as encontram, ou pior ainda, não passam nos testes de qualificações. Porém tudo isto pode mudar.

    Nosso Brasil é um manancial único de campos a serem explorados. Basta dizer que em poucos anos estamos alcançando posições privilegiadas no cenário mundial. Economicamente marcamos o 6º lugar ao lado de grandes potências tradicionais: Reino Unido, França, Rússia e Itália.

     Considerando nossa atual realidade é necessário que os futuros responsáveis pela continuidade desta evolução estejam capacitados para enfrentarem um novo País, repleto de opções no cenário comercial e industrial.

      Apegos ao estudo, ao conhecimento são bases fundamentais para o amanhã. Chegou o momento de cada adulto, cada criança e jovem perceberem o papel que deverão desempenhar. A época de se levar às coisas na brincadeira terminou. A tecnologia é o fator principal de ora em diante. As orientações escolares necessitam de grandes revisões.

       Quando ouvimos falar em TV digital, quando tomamos em mãos nossos celulares, nem sempre entendemos a razão de existirem e principalmente como são feitos. Pelo menos os princípios básicos devem ser transmitidos para que ninguém venha a pensar que tudo é coisa de ET.

        Podemos chegar a patamares econômicos fantásticos, mas com tanto dinheiro, talvez, ainda permaneça a ignorância e bolsões de pobreza. Para acabar com estes contrastes o ensino tem que estar presente.

 

        

 

                          COMPANHEIRO DE VIAGEM  

                                   Por Armando de Oliveira Caldas

 

        Numa viagem para o Sul encontrei um enigmático companheiro de viagem.

        Tão logo tomei o ônibus um rapaz bem mais novo que eu, aparentando cerca de trinta anos, cabelos pretos e com feição afunilada sentou-se junto a mim.

       De forma natural puxou conversa, para minha surpresa fiquei sabendo seu nome, acreditem: Spoke da Silva. Dizia que estava visitando nosso país. Falava muito e um pouco arrastado, tomei-o por nordestino.

        Começou dizendo:

       --- Você não vai acreditar, mas sou o que vocês chamam de ET.

       Fiquei quieto e ele continuou:

       Minha estrela chama-se Xerxe e meu planeta é Sama.

       Dando um pouco de corda, perguntei:

       --- E onde está sua nave? Veio sozinho?

        --- Minha nave está em órbita lunar, nosso grupo é de duzentas pessoas, viemos a passeio. 

       Logo que terminou de dizer, não agüentei, era dose demais:

       --- Ora moço, você está abusando da minha paciência! É melhor parar com esta conversa senão vou ser obrigado a buscar outro lugar.

       Sem mostrar nenhum constrangimento me disse:

       --- Avisaram-me e eu esqueci, vocês estão num estágio muito primitivo. Pode ficar descansado, não perturbarei mais. Queira me desculpar, às vezes me sinto muito só.

      Daquele momento em diante calou-se mesmo.

     Comecei a me sentir um grosseiro, poderia ter deixado ele sonhar. Afinal loucos tem em toda parte, não custava dar-lhe crédito.

      De qualquer forma as palavras dele ficaram martelando em minha cabeça.   

     --- Ora, ora, disse que viera da estrela Xerxe, como se viajar de uma estrela para outra fosse possível. Depois, o nome dele, vê se pode? Spoke! Que absurdo. Mesmo na velocidade da luz ainda seria improvável.

     Não sei porque, continuava pensando na mesma coisa.

     Passamos cerca de quase uma hora em silêncio. Pensei então, não custa ver até onde vai dar a conversa, ou melhor, a loucura dele. Então interpelei:

     --- Spoke, você disse que veio passear na Terra. Como vocês fazem? Mesmo que estejam na velocidade da luz, quando voltar, muito tempo já passou em seu planeta.

     --- Não é bem assim Januário. Vou mostrar-lhe um exemplo aqui da Terra. Li alguma coisa sobre o passado de vocês, ainda bem recente utilizavam animais para se locomoverem e hoje aviões, ônibus e outros meios. Antes das invenções, vocês teriam dito que seria impossível evoluírem a tal ponto. Calcule então o que acontecerá nos próximos mil ou dois mil anos.

     A civilização evoluída de nosso planeta já conta com dez mil anos e acredite, ainda continuamos descobrindo caminhos.

    --- Bem, vou entrar na sua. Diga-me o porquê de seu nome.

    --- Sou o que vocês chamam de estudante. Entre os trabalhos que recebemos estava o de encontrarmos mundos desenvolvidos. Assim direcionamos nosso “radar” para diversos planos espaciais. Nos surpreendemos com imagens que recebemos de seu planeta. Vimos uma grande nave vasculhando o espaço, inclusive mostrando o dia a dia interno. Não sabíamos que se tratava de ficção. Com um pouco de trabalho conseguimos traduzir o que diziam os tripulantes e um deles chamava-se Spoke, gostei do nome e o adotei quando vim para este mundo.

     --- Mas Spoke, o que me diz é fora de cogitação, uma transmissão da terra levaria um tempo tão grande para chegar em qualquer estrela que me parece impossível você me dizer isto.

     Spoke me olhou com certa recriminação e me respondeu:

    --- Já lhe disse sobre nossa evolução. Se fosse lhe contar sobre tudo que podemos fazer, julgar-me-ia um demente total. Por exemplo, se você pudesse viver milhares de anos e se a Terra mantivesse evoluindo sempre, perceberia que não há limites para a ciência.

    --- Está bem Spoke, mas para onde vai quando chegarmos em Curitiba?

    --- Vou me reunir com os companheiros e à noite embarcaremos em um pequeno transportador.

     No restante da viagem nos acomodamos e a conversa foi pouca.

      O ônibus parou na rodoviária. Desci e ele também. Nos despedimos e seguimos rumos diferentes.

     Tomei um táxi e fui para um hotel. No apartamento, após um banho, desci para o refeitório.

     Depois de jantar, estava cansado e resolvi voltar para meus aposentos, antes de deitar abri a janela, logo vi um céu estrelado e limpo. Tive então a maior surpresa de minha vida, vi um óvni, isto mesmo, um objeto voador, em baixa altura, suficiente para que pudesse defini-lo com precisão e não era um avião!

    Depois disto não duvidei mais do meu companheiro de viagem. Tenho certeza de que ele passou propositalmente perto de onde eu me encontrava.    

 

        

                    

 

Felicidade, Ilusão de um Sonhador

                                                        Por Elaine Ventureli Caldas

             O sol já ia a pino.  O calor intenso queimava a pele e o corpo do roceiro.  O chapéu desabava de um lado, corroído pelo tempo.  O matuto, no entanto, não parecia sentir nem ouvir o trotar cadenciado do cavalo que puxava a carroça seguindo preguiçosamente pela estrada poeirenta.  De vez em quando o bicho relinchava com o focinho voltado para o alto parecendo reclamar do calor escaldante.

            José estava com o pensamento longe junto de Mariazinha, que provavelmente neste momento, devia aproveitar a sombra do cajueiro para cerzir as suas meias furada.  Ao seu lado o bebe dormiria no berço improvisado numa cesta de vime.

            Sentia de vez em quando uma dor fininha apertar-lhe o estômago.  Já era meio dia e ainda não almoçara.  Queria comer o arroz com feijão, mais o torresmo frito, junto de sua mulherzinha, que naturalmente, o esperava ansiosa.

            Ao relembrar Maria um sorriso iluminou seu rosto. Via a mulher jovem, no vestido de chita vermelha e lenço na cabeça, alegre cantarolando uma música sertaneja.

            Era feliz!  Pensava numa exclamação vitoriosa.

            Logo estaria em casa e o seu lar refletiria todo o amor e carinho que dedicavam um ao outro.

            Sentiu desejo ardente de chegar logo.  Estalou o chicote no ar com um:

      Vamos Capeto, estamos perto, apresse-se.

O animal pareceu entender a ansiedade do dono e apressou o passo.

            Na curva do caminho José avistou a casinha branca.  Estranhou!  A chaminé não soltava a fumaça costumeira.

      O que teria acontecido? 

 Instigou novamente a besta, que num relincho mais estridente passou a correr arrastando a carroça e o homem.  Aproximaram-se rapidamente.  Desconfiado José olhou rumo ao pomar.  Nada!  Maria e o bebe não estavam tomando a fresca.  Pulou do carro e dirigiu-se assustado pela casa à dentro chamando pela mulher.

 — Onde estaria sua companheira?

Sobre a mesa da cozinha, um bilhete com letra tremula, dizia:

      Adeus José!  Fui rumo a minha felicidade.  Levo o bebe comigo.  Não me condene.  Cansei de ser pobre e segui o senhorio que me prometeu um palácio junto ao mar. Deixo para você a felicidade que construiu, uma casa de pau a pique coberta de sapé.  

 

 

O Girassol

 

Por Elaine Ventureli Caldas

 

 

Gira que gira,

Procurando o sol.

Na cor reflete,

Os raios do mesmo.

 

Quem sabe procure

Aquecer por dentro,

Como fazem

Muitos humanos.

 

Sozinhos e tristes,

Procuram amigos,

Confundem amores

Na ânsia imensa,

De se aquecer.

 

A vida amam,

Mais que tudo.

Giram em torno

Daquilo que brilha.

 

Pois representa

A vida que buscam,

Como o girassol

Em torno do sol.