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                    ARQUIVO - 23 -                         

     

 

                                                DEZEMBRO - 2007

                             

DATAS DO MÊS

08/12 - DIA DE NOSSA SENHORA

08/12 - DIA NACIONAL DA FAMÍLIA

10/12 - DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS

25/12 - NATAL

ASSUNTO QUE NÃO PODE FICAR NO ESQUECIMENTO ANDRADAS PARAISO ENIGMAS DA VIDA

                 

 

                 ASSUNTO QUE NÃO PODE FICAR NO ESQUECIMENTO

                                                                                                       Por Armando de Oliveira Caldas

       Tanto quanto os grandes eventos que mobilizam a população como: eleições, disputas esportivas e outros, os regulamentos para a SAÚDE são levados para debate democrático de quatro em quatro anos.

      Trata-se de um trabalho exaustivo, começando dentro das esferas municipais com levantamento de necessidades através dos Conselhos de Saúde, terminando com a eleição de representantes para participar nas capitais dos Estados no segundo passo, ou seja, estabelecimento de prioridades a serem apresentadas na Capital Federal.

      Neste ano Andradas esteve presente pela primeira vez, graças ao esforço de Elaine Ventureli Caldas, ao conseguir em Belo Horizonte vaga para a participação na 13ª CONFERÊNCIA NACIONAL DA SAÚDE.

http://www.andradas.mg.gov.br/noticias/news_item.asp?NewsID=488

      Ocorreu então de 14 a 18 de Novembro de 2007 referida conferência, onde Elaine e Rodolfo Pinaffi estiveram presentes, juntamente com cerca de 4.000 participantes de cidades de toda a Nação.

      Foram quatro dias de intensos debates que começavam de manhã e seguiam até altas horas da noite.

      Centenas de itens mereceram aprovações e rejeições, tendo havido assuntos extremamente polêmicos, entre eles: o aborto, a CPMF, a mudança do Rio São Francisco e outros também de muita importância.

      No item aborto houve uma participação ativa de nossa representante que se posicionou contrária, auxiliando na vitória da não inclusão.

      Quanto ao Rio São Francisco, embora nossa posição fosse contrária, venceu o Norte e Nordeste que se posicionaram a favor.

      A CPMF não deixa de ser um imposto de interesse dos usuários. Caso seja cortada, as verbas para a saúde podem ser diminuídas, no final, o pobre é prejudicado. Portanto uma posição consciente, respeitando decisões futuras, foi a de que o valor que se recolhe do tributo seja integralmente aplicado na saúde.

      Apenas quem participou ativamente dos trabalhos pode dizer da seriedade e responsabilidade com que o expressivo número dos presentes lutou pelos direitos de uma melhor saúde no Brasil.

       Apesar de todo o trabalho executado, faltaram notícias. A mídia, infelizmente, prefere falar sobre bandidos, não apresentando as coisas boas que são feitas. É uma realidade, apenas buscam o negativo, porque isto dá IBOPE. 

                                

                                ANDRADAS

 

Por Maria Izabel L. Chiodeto

 

Tu me encantas com tuas belezas.

Trago na lembrança tempo de outrora.

Ao amanhecer o meu galo canta.

Vejo o sorriso de nova aurora.

 

Altas montanhas cobertas por flores.

Gotas de orvalho quase ofuscante.

Desce pela serra uma cachoeira.

Parece um imenso colar de brilhantes.

 

Tua terra mãe que ampara o filho.

Carinho de pai que ao filho se apega.

Terra abençoada nos dá o sustento.

Para os filhos teus, o teu pão não nega.

 

Esta nossa terra já é centenária.

Terra abençoada cada dia mais.

Essas longas ruas já foram parreiras.

Onde é o centro já foi cafezais.

 

Quando celebramos teu aniversário.

Um ano que passa cheio de alegria.

Como um sorriso que nunca se apaga.

Trazendo esperança para cada dia.

                                                       PARAISO

                                                           Por Armando de Oliveira Caldas

        Novas árvores cobriam os desmatamentos e a grande Transamazônica totalmente pavimentada levava progresso para centenas de cidades. Tal como o majestoso rio, seus braços penetravam a floresta sem nenhum dano. Para quem viajava, a sombra das copadas preservava um ambiente morno. O respeito à natureza tornara-se consciência nacional.

      Todos os rios do País estavam recuperados. Águas cristalinas permitiam ver os peixes. Um túnel de vegetação acompanhava-os em todas as extensões.

      E as cidades?

      Pacatas, sem violência. Presídios transformados em centros de adestramentos profissionais. Em áreas próprias, crianças brincavam felizes. A pobreza deixara de existir e todos possuíam trabalhos honestos.

      Viajei de norte a sul, de leste a oeste e o panorama era o mesmo.

      Não acreditava no que meus olhos viam.

      Perguntava para mim mesmo:

      --- Será que estou no Brasil?

      Estava assim pensando, quando um velho, que parecia ter ouvido minha pergunta, aproximou-se e respondeu:

      --- O que está vendo é o fruto de seu desejo.

      Olhei o ancião e continuei:

      --- Mas como aconteceu tudo isto?

      --- Muito simples. Existe honestidade em nossa política. Nossos representantes vêm deixando seus nomes na história. Não precisamos escolher partidos, a seriedade e a sinceridade são o lema de todos.

      Continuava cético diante do que presenciava, não podia ser realidade, mesmo assim voltei a perguntar:

      --- Qual foi a razão para toda esta mudança?

      --- Não foi tão difícil. As escolas tomaram a direção certa. Do pré-infantil até a faculdade a conscientização de responsabilidades é a principal matéria. O processo vem se repetindo e formando gerações dignas.

      Andando por uma rua movimentada com o idoso senhor, desviei a atenção para um majestoso prédio. Li a placa dourada: Centro de Estatísticas e Estudos Sociais. Foi quando o velho disse:

      --- Entre, você verá como tudo funciona.

      Atravessei o grande portal e me deparei com inúmeras pessoas trabalhando em computadores. Segui aquele homem que ia me levando pelos labirintos da construção até parar diante de uma mesa onde havia um grande livro. Na capa estava escrito: Estatística do Homem através dos Tempos.

      Referido volume mostrava a evolução humana nos últimos três mil anos. Em cada folha uma estatística simples, colunas e percentuais assim dispostos: evolução cultural, evolução tecnológica e evolução humana. Então perguntei:

      --- O que é a evolução humana? Não está ligada às duas primeiras? E o experiente homem me respondeu:

      --- Não, em nenhuma hipótese. Quer dizer a evolução do homem como ser incomparável na natureza, desprovido das atitudes selvagens, que apenas trabalham e compartilham as belezas da vida.

      --- Mas isto não existe!

      --- Quer ver nosso País agora? E abriu no local.

      Nos três itens a porcentagem era de cem por cento.

      --- E o resto do mundo?

      --- A grande maioria não apresenta o mesmo resultado.

      Naquele momento o som de palavras misturou-se com meu sonho. Era o rádio despertador:

      --- Agora de manhã mais um assalto na rua...

      Pensei então:

      --- As coisas não precisam ser idênticas ao que vivi durante a noite, mas bem que poderiam ser próximas. 

                             ENIGMAS DA VIDA

                              Por Armando de Oliveira Caldas                  

 

    Ildefonso Giuliani vivia muito bem com a esposa Marta e as duas filhas adolescentes Miriam e Maria Joana.

    Na intimidade era conhecido por Ildo. Um pacato cidadão de quarenta e dois anos, estatura média, com início de calvície, falador, agradável e possuía até um certo carisma.

    Na sua pequena cidade todos o conheciam, sua presença em fins de semana junto a amigos era comum, onde estivesse sempre havia um toque de alegria.

    Nas segundas feiras tomava seu veículo e partia para visitar farmácias em muitas cidades. Era vendedor de produtos farmacêuticos.

    Tudo corria como sempre até que certo dia durante uma viagem sentiu-se muito mal. Palpitações descontroladas, suor frio, dificuldade com o braço esquerdo fizeram com que ele parasse na primeira cidade e procurasse o pronto socorro.

    A situação era séria, foi imediatamente internado e a família foi avisada. Marta e as duas filhas alugaram um Táxi e partiram imediatamente para Carmo da Serra, em duas horas estavam no Hospital Central.

    O mal súbito de Ildo trouxe total intranqüilidade para a família. Recebera alta com severas recomendações do médico que o atendera.

    O Doutor Jânio, conversando com Marta disse-lhe:

    --- Seu marido está com séria lesão cardíaca, todo cuidado será pouco. Desculpe-me se falo desta forma, mas é urgente um tratamento.

    Marta não entendera bem, ficou desnorteada e perguntou:

    --- Poderá ele continuar trabalhando?

    --- Talvez nunca mais possa, aconselho entrar em entendimento com a empresa e pedir aposentadoria por invalidez.

    --- Doutor, então a situação é grave mesmo.

    O médico confirmou, deu alguns medicamentos para controle imediato e orientou sobre as providências que deveria tomar. Também informou não ter dito nada ao paciente, preocupado em não piorar a situação, mas que aos poucos ele deveria ser informado.

    Voltando para sua casa em Pedra Branca não deixou o marido dirigir, dizendo que ele estava sob sedativos. Para as filhas apenas falou que o pai não estava bem.

    No dia seguinte, enquanto Ildo descansava, procurou o Dr. Celso, amigo e médico da família. Contou tudo a ele que imediatamente foi vê-lo.

    O Dr. Celso também entendeu a gravidade do caso e o levou para internação. Depois de muitos exames, de algumas tentativas frustradas fez uma reunião médica onde foi definido que somente um transplante poderia salvá-lo; a operação teria que ser urgente.

    Ildo era muito bem quisto e isto veio a ajudá-lo naquele momento. Nessa altura dos acontecimentos já estava a par da doença.

    Fora dispensado da empresa, indenizado e os papeis de aposentadoria já corriam. Ao contrário do que se esperava ele encarou a doença com otimismo e achava que ainda não seria daquela vez que deixaria este mundo.

    Entrou na fila de espera para o transplante.

    Sua única tristeza era ter de ficar em sua casa e não participar mais das habituais festas.

    Dessa forma ele passou três meses. Numa quarta feira de junho o Dr. Celso foi visitá-lo com a notícia:

    --- Ildo chegou a hora de trocarmos o seu coração, o centro de transplantes de Japirã fará a cirurgia, temos um doador. Devido a urgência de seu caso você encabeçou a lista. Vou levá-lo para lá ainda hoje.

    Em seguida deu instruções à Marta sobre tudo que deveria preparar.

    Assim aconteceu, foram para Japirã e a cirurgia foi um sucesso.

    Em poucos dias Ildo já se sentia outro, queria até sair do hospital, só não deixaram porque ainda precisavam acompanhar rejeições ao órgão.

    No final, recebeu alta e o tempo passou. Alguns meses depois o ex-viajante sentia-se inteiro, perfeito, quase voltando à rotina antiga.

    Cansado de não fazer nada, disse para Marta:

    --- Já estou muito bem. Pedi aposentadoria por invalidez, mas eu posso trabalhar. O que não consigo mais é ficar inativo. E agora?

    --- Ildo, Ildo, não invente moda. Ainda é cedo para recomeçar, só quando o médico disser que mais nenhum perigo existe. Continuou:

    Estou vendo que você está querendo é viajar, pois então façamos uma corrida por todos os lugares onde você vendia.

    --- Eu topo Marta, podemos ir amanhã. Bem, e nossas filhas? Estão na escola.

    --- Elas podem ficar com a avó até voltarmos. Mas vou dizer desde já, eu vou dirigindo.

    --- Não vejo a hora de pegar no volante. Eu dirijo o carro.

    --- Veremos! Não vai não e se teimar nós ficamos.

    --- Está bem Marta, você manda! Por enquanto!

    Combinada a viagem, o casal alegremente colocou a bagagem no veículo, despediram das filhas e partiram um tanto sem rumo.

    Ildo estava eufórico, depois de algum tempo entraram na primeira cidade.

    Marta ficou conhecendo pessoas e lugares onde o marido costumava ir. Almoçaram num restaurante e depois, ainda no mesmo dia seguiram para uma outra localidade. E assim, ainda foram para uma terceira, onde pernoitaram.

    Quando amanheceu já estavam de novo na estrada. O ex-viajante estava recordando e não deixava de ficar aborrecido, afinal nunca havia esperado que seu tipo de vida fosse interrompido.

    Marta, percebendo, procurou distraí-lo e direcionou seus pensamentos para outras coisas. Assim, perguntou-lhe:

    --- Para onde vamos agora?

    --- Para Santana da Paz e depois para Serra Mestra?

    --- E o que tem de interessante nelas?

    --- Você vai gostar, há recantos maravilhosos, só que por hoje vamos apenas nas duas, teremos que andar mais de cem quilômetros.

    --- Mas, não têm outras entre elas?

    --- Não me lembro, parece que sim, mas não era do meu roteiro de visitas.

    Chegaram em Santana, passearam e se divertiram e depois retornaram para a estrada.

    Na metade do caminho de Santana para Serra Mestra, havia uma cidade cuja entrada era bem próxima à pista. Quando estavam perto Ildo comentou com a esposa:

    --- Ora, não entendo, o nome é Pitangueira e me parece bastante familiar.

    --- Quer dar uma entrada para conhecermos? Não estamos fazendo nada mesmo, não custa conhecê-la. Disse Marta curiosa.

    À medida que o carro passava pelas ruas e vielas, mais lembranças do lugar iam surgindo, chegou até a ponto de falar para Marta que ao entrarem em determinada rua encontrariam o grupo escolar. O que de fato aconteceu.

    Ildo começou a ficar preocupado, tinha certeza de nunca ter ido aquela cidade.

    Ao dobrar uma esquina viu um homem que o deixou bastante estranho. A esposa observou a mudança de fisionomia e logo interpelou:

    --- O que aconteceu? Você conhece aquele homem? Você ficou branco!

    --- Olha Marta tenho certeza de que nunca o vi, por outro lado tenho também certeza de que o conheço muito. Será que a doença me perturbou? Isto é muito estranho.

    Ildo deu mais uma volta com o carro e tornou a passar perto da mesma pessoa que permanecia junto à porta de um escritório. Uma vez mais afirmou para Marta que conhecia aquele homem.

    Marta ficou preocupada e fez com que o marido saísse de lá e continuasse o caminho. Para acalmá-lo disse que já havia lido sobre tal tipo de acontecimento. Explicou que algumas vezes nossa visão adianta um pouco em relação ao raciocínio e provoca este tipo de coisa, ou seja, a impressão de já ter estado em determinado lugar.

   Sabia que ela passava muito tempo lendo, por isto aceitou seu argumento.

   Passaram toda uma semana viajando, divertiram-se e voltaram para casa.

   Tudo corria bem, sem problemas.

   Dez meses depois, certa noite, Ildo acordou assustado. Havia tido um pesadelo, sonhara com o homem do escritório. Estava numa estrada de terra onde havia uma grande pedra e nela a propaganda, Casa do Agricultor, em letras enormes; olhava para o escrito quando referido homem chegou perto dele puxou de uma arma e atirou em sua cabeça, ao cair viu que ele colocava o revolver debaixo da pedra.

   Contou para Marta que não deu maior valor, dizendo que ele deveria deixar de comer antes de deitar.

   Dali em diante o mesmo pesadelo sempre voltava.

   Diariamente comentava com a esposa, reclamando da vida e do sonho que se repetia. Marta cheia de problemas acabou perdendo a paciência:

   --- Veja se faz alguma coisa, agora você já pode, o Dr. Celso me disse que não há mais risco. Também não me aborreça mais com teus pesadelos, pense em outros problemas.

   Ildo ficou magoado, quis responder, mas ponderou: - ela tem razão, está trabalhando no meu lugar, cuidando da casa, de mim e das filhas. Depois disse:

   --- Bem Marta, você tem razão, vou viajar um pouco e ver se consigo fazer alguns bicos.

   No entanto ele queria mesmo era desvendar o porquê de seus pesadelos. Não dissera a ninguém, mas começava a acreditar que a memória do doador estava nele.

   Achava um absurdo, mas passou a acreditar que bastaria descobrir como morrera o homem que lhe salvara a vida para ficar livre dos sonhos. 

   Procurou o Dr. Celso, mas este nada sabia. Disse apenas que alguma informação talvez só no centro de transplantes em Japirã. Com receio de cair no ridículo não contou para o amigo o verdadeiro motivo da pergunta.

   Foi a Japirã, mas nada conseguiu. A família do doador proibira informações.

    Cada vez mais desconfiado de que seus pesadelos tinham a haver com o transplante, se empenhou em conhecer de uma forma ou de outra quem teria sido o doador, fixou seu pensamento nas imagens do sonho.

   Resolveu voltar a Pitangueira e investigar.

   Com base na data em que fora operado, procurou no arquivo municipal, jornais locais.

   Não demorou muito para encontrar o que queria. Dois dias antes da data de sua cirurgia encontrou a manchete:

Mauricio Jonas Lutércio encontrado agonizante.

   Verificando o jornal do dia seguinte viu a notícia sobre a morte do rapaz.

   Pelo que constava não havia pistas sobre quem teria assassinado o jovem. O jornal dizia tratar-se de pessoa bem relacionada, que desfrutava de bom conceito.

   Fazendo algumas perguntas ficou sabendo que a polícia não havia encontrado o assassino. Lembrou-se então do homem que lhe aparecia em sonho. Acabou descobrindo-o no mesmo lugar, seu nome: Antonio Justino Mafoto. Foi fácil, era dono de um cartório e seu nome estava numa placa frontal no prédio.

   Associando sonho e fatos, entrou em várias pequenas estradas municipais procurando a pedra que via nos pesadelos. Encontrou-a, mas nem desceu do carro para procurar a arma.

   Algo parecia lhe dizer para não perder mais tempo e informar a polícia. Com tal pensamento saiu de Pitangueira e voltou para sua cidade. Em sua cabeça tinha certeza de que o doador era a vítima e de que não precisava de maiores detalhes.

   De sua cidade fez uma ligação anônima chamando o delegado de Pitangueira e disse-lhe:

   --- É sobre a morte de Maurício Jonas Lutércio, sei quem foi seu assassino. Basta procurarem na estrada que vai para o Bairro Seco, mais ou menos na metade do caminho, encontrarão uma grande pedra e nela a propaganda Casa do Agricultor, debaixo da mesma tem um vão e lá encontrarão um revolver. As digitais nele deverão indicar pertencer a Antonio Justino Mafoto, o criminoso.

   Poderia ter ido à delegacia, mas achou que se assim procedesse não surtiria o efeito desejado, acabariam julgando-o louco. Razão de optar por uma denúncia anônima.

   Depois de alguns dias Ildo ficou sabendo sobre a prisão do culpado e que o mesmo confessara o crime.

   O ex-viajante nunca mais voltou a ter qualquer sonho relacionado e sentiu merecer aquele coração.

   Contou tudo para a esposa que acabou acreditando nele e no final lhe perguntou:

   --- Será que era o espírito do rapaz?

   Ildo pensou um pouco, depois respondeu:

   --- Não sei, é um grande enigma. Não quero nem pensar e nem falar mais do acontecimento. Começaremos nova vida.