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                                        AGOSTO - 2007

DATAS DO MÊS

12/08 - DIA NACI0NAL DAS ARTES

12/08 - DIA DOS PAIS

24/08 - DIA DA INFÂNCIA

                                           

VONTADE DE VENCER   O POLÍTICO

                                     VONTADE DE VENCER

                                      

    Medalha após medalha nossos atletas conseguiram o recorde nacional no Pan Americano-Rio 2007.

   Vontade de vencer glorificada. Um coro inigualável de torcedores acompanhou cada vitória. Nossa brasilidade aflorou em cada coração.

    Nossas crianças acordaram com alegria, buscando imitar seus heróis. Perspectiva de um novo País. Uma nação que agregará novos e ainda melhores frutos no Esporte.

    Bons exemplos faltavam, mas agora nossa juventude já encontrou um caminho. Através das competições logo perceberão quanto importantes são as outras finalidades da vida.

    A dignidade, o respeito, enfim a cidadania se enquadra neste momento feliz. Que nossas autoridades vejam o grande resultado, dando o devido apoio às escolas para que se mantenha viva a Chama Olímpica.

   VIVA O BRASIL!

                                                         Por Armando de Oliveira Caldas

                   

 

                            O Político - conto

                                 Por Armando de Oliveira Caldas

 

    José Kelvin Silva e Antonio Sérgio Ambrósio eram dois amigos inseparáveis, confidentes, residiam em Santa Gertrudes do Sul, uma pequena cidade mineira. Pode-se dizer que eram os jovens mais bem quistos da localidade.

     Como todo lugar pequeno mineiro, uma igreja central e o jardim na frente, onde a juventude namorava ou conversava.

      Numa daquelas belas noites, na pracinha, José e Antonio comentavam sobre seus planos para futuro. Antonio, muito simpático, cabelos preto, altivo, não ficava nada a dever para o amigo, que também possuía uma ótima aparência e demonstrava as mesmas qualidades.  Ambos estavam com vinte e um anos e sempre iam juntos às festas.  Nunca havia o mínimo desentendimento, assim se completavam numa sólida amizade. A conversa deles era simples.

       --- Pretendo abrir uma pequena oficina de consertos eletrônicos, disse Antonio. 

       --- Será que isto dá dinheiro? Observou José.

       --- Não sei, gosto da profissão, faz tempo que trabalho pro Zico.

       José Kelvin trabalhava num escritório de contabilidade. Pensou um pouco e disse:

        --- Eu não quero abrir nenhum escritório. Meu caminho será outro, quero ficar muito rico, mas muito rico mesmo. Vou me esforçar até entrar para a política.

         Antonio olhou o amigo com certa surpresa e respondeu:

         --- Você na política Zé?

         --- Vou provar para você.  Nisto, a namorada de Antonio chegou e ele deixou o amigo.

         José Kelvin namorava, mas não se comprometia, ora com uma ora com outra. Naquele dia ele não pensou noutra coisa. Distanciou-se do local, foi para um bar, pediu uma cerveja e sentou-se junto a uma mesinha. Enquanto absorvia o líquido, imaginava-se como Prefeito, depois Deputado. De repente, lembrou-se do próprio nome:

         --- Meu nome é José Kelvin, portanto JK. É isto aí, de agora em diante vou dar um jeito de ser chamado de JK. Falou baixo para si mesmo.

         Foi para casa, onde a pobreza estava à mostra. Deitou-se e continuou a sonhar.

         No dia seguinte foi até o Banco do Brasil, onde possuía uma pequena conta e solicitou ser mudada a sua assinatura.

         Com a maior satisfação assinou o cartão: J.K.Silva.

         Depois disto, para todos e quaisquer pagamentos, mesmo pequenos, emitia cheques. No escritório e em tudo que dependia de sua assinatura e até em vistos colocava o J.K.

         Fazia parte de seu plano, aquilo chamava a atenção e era o que queria. Por natureza já era prestativo, mesmo assim redobrou sua atenção para oferecer ajuda às pessoas e não media esforços para auxiliá-las.

         Sempre que podia, dizia:

         --- Meu nome é José Kelvin, mas pode me chamar de JK.

        José assumira tantos compromissos, que ficara difícil encontrar com o amigo. Mas Antonio ao vê-lo na rua, o chamou:

        --- José, por que tanta pressa?

        O amigo parou para lhe dar atenção:

        --- Oi Antonio! É o trabalho.

        --- Não temos encontrado mais, o que aconteceu?

        --- Tenho tido dificuldade em sair, estou trabalhando também em casa. Quero ganhar uns extras.

        --- Está bem José, qualquer dia nos veremos.

       José estava começando a traçar seu caminho para a política. Primeiro se mostraria uma pessoa prestativa, até sentir ser a hora de se candidatar a vereador. A eleição era no ano seguinte.

       Continuou o plano, o tempo passou e seu nome era comum. Não demorou em que o partido do então Prefeito Juliano o chamasse para que fosse filiado ao PGN.

       Sua primeira vitória. Fez-se um pouco de rogado, mas havia conseguido dar o primeiro passo.

       Seus amigos aumentavam dia a dia e acabaram ajudando-o a candidatar-se a vereador. O prefeito optou pela reeleição e nunca recebera tanto apoio como o que JK lhe prestou.

       Antonio marcou casamento e o convidou para padrinho. No dia da cerimônia JK se destacava na festa e as pessoas faziam questão de cumprimentá-lo.

       Dois meses se passaram e o dia do pleito chegou. Teve uma votação maciça, bem como o Prefeito. Eleito, passou a exercer o cargo de Presidente da Câmara. Sabia o que devia fazer e assim continuou da mesma forma que antes, fazendo tudo para melhorar a comunidade.

       Depois do casamento de Antonio, ambos nem mais se encontravam.

       Pena que tudo o que José fazia não fosse proposital para alcançar seu objetivo. Seu trabalho como vereador foi um sucesso sem precedentes na localidade. Seu nome JK era repetido não só no município, mas estendia-se para outras cidades vizinhas. Não parou, continuou na mesma linha.

      Antes do fim do mandato, sentindo-se que seu nome estava sendo pronunciado na região, deu um pulo, candidatando-se a Deputado Federal. Partiu para as campanhas, com o nome feito, com testemunhas de sua atuação, foi ganhando confiança.

      Na humilde casa do técnico em eletrônica, este falou para sua esposa Matilde:

      --- Meu amigo prometeu e cumpriu. É um político.

      Sua esposa com o filho no colo, vendo a fisionomia do marido, não entendeu e perguntou:

      --- Mas isto não é bom?

      --- Matilde, que fique entre nós. Não votarei no José.

      A mulher se surpreendeu, afinal, eram amigos, e interpelou:

       --- Mas por que Antonio, ele só tem demonstrado amizade com a gente, mandou um belo presente para nosso filho.

       --- Prefiro arrepender-me de não ter votado nele, do que me arrepender de ter votado. Não me pergunte o porquê.

       Antonio não esquecera a antiga conversa, não confiava nas intenções de José.

       As eleições vieram e JK foi eleito.

       No cargo, passou a atuar aparentemente da mesma forma que sempre fazia. Casou-se com Cristina, filha de um riquíssimo Deputado nordestino.  Fez uma grande festa, convidou Antonio, mas este alegando falta de condição agradeceu o convite. Matilde votara em José e não entendia o marido.

      JK estava relativamente bem financeiramente, mas depois de ir para Brasília, não demorou em construir, adquirir terras, gado, veículos de luxo. Quando visitava a pequena cidade já não era o mesmo, inclusive possuía seguranças que o acompanhavam. De qualquer forma nunca deixava de visitar Antonio, que o acolhia com muita amizade.

      JK não se conformava de ver o amigo sempre pobre. Ofereceu a ele oportunidade às mais diversas, querendo ajudá-lo a ter uma boa vida. Certa vez, assim falou:

       --- Antonio, venha para Brasília, poderá ter uma excelente loja de eletrônica.

       Antonio o fitou bem nos olhos e lhe respondeu:

       --- Vou lhe contar uma coisa José, não votei em você!

       --- Mas isto não tem importância nenhuma, cheguei onde queria, é o que me basta.

       --- Sou pobre e vou continuar assim. Disse José, ao que JK insistiu:

       --- Não entendo Antonio. Por acaso lhe dei algum motivo para decepção?

       --- Não amigo. Muito te considero, você para mim é como um irmão. Não sei porque, mas não confio em você como político. Sua ambição o está levando para um caminho sem volta, o dinheiro está subindo em sua cabeça. Sei que o ganho de deputado federal é ótimo, mas não dá para fazer tudo o que anda conseguindo. Não venha dizer que tem ajuda do pai da Cristina porque não é verdade. Perdoe-me por dizer o que penso, mas foi você mesmo que há muitos anos disse que entraria para a política para ficar rico.

        Neste ponto da conversa Cristina e Matilde entram na pequena sala.

        --- Vamos JK, temos que ir para Belo Horizonte.

        Depois desse encontro, mais de um ano se passou.

        Numa tarde, após o serviço, Antonio Ambrósio voltava para casa, como era seu costume. Matilde estava na porta e logo lhe disse:

        --- Venha ver o noticiário na TV! JK teve seu mandato cassado e vai responder a inquérito na Polícia Federal sobre sérios desvios de verbas, poderá até ser preso.

        --- É Matilde, sinto por ser meu amigo, agora você entende porque não dei a ele o meu voto.