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                                  ARQUIVO - 17 -            

   

                               JUNHO - 2007     

DATAS DO MÊS

07/06  - CORPUS CHRISTI

12/06 - DIA DOS NAMORADOS

13/06 - SANTO ANTÔNIO

24/06 - SÃO JOÃO

29/06 - SÃO PEDRO

                                        

COMEMORAÇÕES   NAVIO NEGREIRO  LEMBRANÇAS DA JUVENTUDE VIVENDO E APRENDENDO  NOSSO TEMPO

                                              COMEMORAÇÕES

                                                                                         Por Elaine Ventureli Caldas

               Este mês de junho vai ser especial para nós do Grupo das quatro. Completamos em maio, treze anos de encontros e por isto vamos comemorar no dia quatro, na Fazenda Aldeia velha.

              Faremos uma reunião e em seguida o jantar, onde receberemos com muito carinho, o CEPAC (centro de poesia e artes de Campinas). Seremos homenageados por eles e retribuiremos dando toda nossa amizade e agradecimento.

            Às três horas, um grupo de Campinas fará uma homenagem, colocando flores no busto de nosso ilustre conterrâneo José Roberto Magalhães Teixeira, saudoso prefeito daquela cidade por dois mandatos.

            Ainda não chegamos no inverno e um frio cortante faz parte de nossos dias e noites. Os preparativos para as festas juninas já tiveram inicio e fogueiras, bandeirinhas e cantigas regadas por vinho quente, quentão, pipocas, batatas doce e bolos de fubá alegram as noites geladas de céu límpido. Terços são rezados para os três santos do mês – Santo Antônio, São João e São Pedro. Os corações se aquecem e os jovens aproveitam para demonstrarem seu amor no dia doze, especial para os namorados.

            Apesar da temperatura, todos, jovens, velhos e crianças bailam ao som das violas e acordeons e se divertem com alegria nas ingênuas festas juninas.  

                               

                                                    NAVIO NEGREIRO

                                                                                                            Por Elaine Ventureli Caldas

              Ontem, dia 16 de maio de 2007, fui assistir à peça teatral de nome Navio Negreiro, baseado no poema de Castro Alves, com o excelente ator negro Vado.

            Com o decorrer da peça, um monologo, que durou duas horas, fui me sentindo, cada vez mais, assustada.

            Já não é a primeira vez que sinto esta sensação de desconforto e por que não dizer de pavor?

            Sim, pavor! Porque para quem nasceu em meio a uma grande guerra mundial, sabe o perigo que corremos com, ainda remanescentes, neonazistas.

            Sempre fui a favor da abolição e integração entre as raças, indiferente de qual seja, escrevendo inclusive, há alguns anos atrás, um poema sobre este assunto.

            A mistura de raças, que pelo presenciado causa um aprimoramento do físico, parece, em alguns casos, afeta as mentes.

            Tenho visto e ouvido mulatos de diversas graduações de cores jogando com os sentimentos das crianças e adolescentes.

            Jogo perigoso para ambas às raças, negras ou brancas, pois de que lado vão ficar os “misturados”? Do lado do pai negro ou branco?

            São perguntas que minha inteligência não consegue calar.

            Colocando-me no lugar desses jovens e vendo a maneira como essas pessoas, que usam sua inteligência, dom, capacidade de influenciar estão fazendo através da internet, principalmente o orkut, e de outros meios de comunicação para tornar os “misturados” revoltados, fico pensando como agiria.

            Imagino, depois da peça a que assisti, que se fosse mulata, mesmo tendo um mínimo de mistura, sairia dali com vontade de torcer o pescoço do primeiro branco que encontrasse.

            Pela minha genealogia não creio que tenha esta mistura, nas muitas que possuo, mas meus descendentes já os têm. Como eles ficam? Pobres de suas cabecinhas com tanto ódio destilado por algumas pessoas.

            Sabemos que o Nazismo não acabou e os seus descendentes estão aí, para num bolo, unirem negros, pobres, judeus, homossexuais, e outros e os levar para as câmaras de gás ou fuzilamentos.

            É assim que iremos substituir o ódio pelo amor?

            É assim que iremos unir os povos e transformar a todos numa única massa, onde a única coisa que importa é o fato de sermos irmãos, filhos de um único Pai?

            Claro que não podemos generalizar. Há negros de bom senso, como brancos que repudiam todo o mal que nossos antepassados fizeram, e não negamos isso, apenas nos sentimos tristes e tentamos amenizar. Agora pergunto: - É justo inocentes pagarem pelos pecadores? Cristo, o filho Unigênito de Deus, se fez um de nós para ensinar como devemos agir: - Perdoar e amar, dando a vida aos irmãos. Estamos fazendo isso? Os deuses apresentados pelo autor, Nossa Senhora como exemplo, é a mesma dos católicos? Se for, então por que ele usou a igreja para justificar a venda de negros africanos pelo seu próprio povo?

            Parece que o ator precisa estudar um pouco mais da história da humanidade. É matéria de estudo logo no ensino fundamental, de como os povos vencedores em uma guerra faziam escravos os vencidos. Isto, indiferente de qual raça pertencessem. Não é mérito de brancos ou negros. Talvez seja nosso instinto animal que nos faz querer dominar para mostrar nossa superioridade.

            Justamente porque, somos diferentes dos animais, apenas pela nossa inteligência mais aguçada e o poder de dominar nossos instintos, que nos tornamos reis da criação. Este verniz, no entanto, é apenas uma tênue camada e qualquer arranhão pode por à mostra nossa verdadeira índole.

            Cuidado! Muito cuidado devemos ter ao por para fora nosso verdadeiro caráter e querer formar “guerreiros” que um dia poderão pegar suas armas primitivas e se virarem contra seus próprios professores.

            A lei do amor ainda é a melhor opção. O orgulho da etnia deve ser mostrado através das conquistas nos esportes, nas artes, na ciência, através do estudo e não no confronto frontal de raças que no passado eram antagônicas.

            O ódio e a vingança não levam a nada, a não ser pelo gosto amargo que fica na boca e nos corpos espalhados nos cenários terrificantes das guerras. Sejam elas de bandidos nas grandes cidades e, hoje, atingindo o interior, ou nos campos de batalhas provocadas pelas grandes nações. Não deixemos que o ódio que sentimos chegue até nosso cérebro e faísquem através de nossos olhos e nossas palavras.

            A Fé, o Civismo, o Respeito às diferenças é que nos tornarão realmente irmãos.

                              

                                                         LEMBRANÇAS DA JUVENTUDE

                                                                                                               Por Lázaro Gonçalves Reis

          De acordo com alguns estudos astrológicos, a terra antes de 1960, vivia na era de peixes, e a partir dos anos 60, entramos definitivamente na era de aquárius e o mundo pôde vislumbrar um crescimento tecnológico impressionante.

  Este assunto me fascina, pois quem viveu os primeiros anos de sua vida, a sua juventude e adolescência em outro circulo astrológico, sabe e muito bem valorizar o que hoje se presencia em matéria de progresso.

 Eu nasci no início da década de quarenta, em plena segunda grande guerra. A começar do mobiliário de uma casa modesta como a minha, já se sentia que o atraso era muito grande. As famílias mais pobres, (no caso a minha) nada possuíam de conforto. Era o fogão de lenha, que hoje é elogiado nas suas qualidades de cozimento dos diversos alimentos, porém tinha a grande desvantagem de esfumaçar a casa inteira, com lenhas retiradas do meio ambiente, produzindo um desmatamento contínuo, e eram armazenadas em um depósito nos fundos das residências, servindo de esconderijo para insetos e outros inconvenientes, além da enorme sujeira. Mas, era o que se tinha. Uma panela, daquelas de ferro, que colocado ao fogo, demorava uma vida inteira para se cozinhar. Tais fogões eram providos de serpentinas, espécie de canos que eram aproveitados para o aquecimento de água para os diversos fins.

As residências tinham também tanques de lavar roupas, providos de batedouro, em que a lavadeira, utilizando as mãos, esfregava as roupas e após, as batiam no batedouro numa forma cansativa de tirar a sujeira mais grossa do tecido que lavavam. Era um “deus nos acude”.

Os ferros de passar roupas eram muito rudimentares. Em minha casa tinha um desses, era grande, e pesado. Consistia em se colocar carvão em brasa em seu interior para esquentá-lo. De quando em quando, minha mãe o colocava na janela, para que a brisa pudesse ativar as brasas e aumentar a sua temperatura. Era comum ter-se a roupa queimada pelo excesso de calor desprendido do rudimentar aparelho.

TV nem existia, ou se existia era em preto e branco e só era vista em cidades de grande porte e pegava um só canal, porém a era geladeira exclusivamente de cor branca, com seu tradicional pingüim a enfeitá-la só era vista em casas de pessoas mais abastadas. Era sonho a longo prazo para o brasileiro de classe média para baixo.  

Algumas poucas pessoas possuíam veículo motorizado, mas a grande maioria andava à pé ou mesmo em carroças ou bicicletas. Lembro-me de ter pego “carona” com um vizinho nosso e sentir o conforto de se ter um carro.

De quando em quando meu pai, não tão velho em relação a sua época, nos deixava deleitar com seu gramofone, onde tínhamos de dar corda através de uma manivela e depois colocar sobre o prato um disco de 78 rpm feito de carvão e que pesava tanto que com os meus seis anos, tinha de segurá-lo com as duas mãos. Quando começava a tocar, primeiramente ouvia-se o comercial:  “Disco da Casa Edson, Rio de Janeiro, Brasil”, só então a música se iniciava meio desafinada, mas era o que tínhamos e como gostávamos de tudo isso.

Na querida Ouro fino, eu e o meu irmão Elinho aprendemos a andar em velhas bicicletas alugadas da bicicletaria do seu Joaninho Cadam, a um cruzeiro por hora e rodávamos alegres e satisfeitos pela praça da estação até vencer a hora do aluguel.

Quando fico a meditar sobre estas coisas, me vem um suave langor e uma tristeza que nem chega a ser triste, mas melancólica, trazendo-me à memória coisas que tivemos o privilégio de viver. Por exemplo, meu pai, que se deitava com as galinhas, pois nem eram ainda oito da noite e lá estava ele debaixo dos cobertores ouvindo em seu radinho “rabo quente” as piadas de Zé Trindade na Radio Mayrink Veiga e ali ficava até adormecer por completo.

Nessa época às vezes meu pai tinha que dividir seu radinho com sua mãe e irmãs quando estas se dignavam vir nos visitar. Elas sentavam à volta da mesa e a rádio Tupi iniciava a novela, arrancando suspiros de minhas tias solteironas quando Albertinho Li Monta fazia declarações de amor à sua amada em “O Direito de Nascer”. Meu pai ficava do lado, tentando demonstrar que estava contente, mas sabíamos que ele estava se retorcendo todo, porque aquele radinho era tudo para ele e elas dele se assenhoreavam todas às seis horas da tarde. Não podíamos dar nem um pio, senão... Ventou e choveu para que ele deixasse eu e um amigo ouvirmos no seu radinho a final da Copa do Mundo de 1958 na Suécia, quando a seleção canarinho conquistou o primeiro título.

O que mais me aborrecia era ter de recolher lenha, que era trazida da roça por um carro de boi e que devia ser armazenada num pequeno rancho que quase todo mundo tinha no fundo de seus quintais. Porém tinham coisas boas, como buscar leite num retiro logo abaixo de nossa casa e meu pai se gabava de que o leite estava quentinho, recém saído da vaca.

Meu pai apesar de ser funcionário público, era pobre, pois sua família era numerosa e o salário sempre fora parco e mal dava para as despesas com aluguel, luz e alimentação da família. Por isso não vivíamos confortavelmente, mas tenho certeza que ele procurava fazer o melhor que podia. E éramos felizes assim mesmo.

Aos domingos, colocávamos as nossas melhores roupas e íamos à missa, mas depois tinha a matine do cinema onde assistíamos aos filmes de faroeste em preto e branco e após o filme, vinha o seriado. Ainda não existia o cinemascope nem o Vistavision. Era uma alegria só. Tenho saudades de quando os filmes podiam ser assistidos por todos da casa, sem as pornografias a que somos submetidos atualmente.

As comunicações eram precárias. Eu cheguei a trabalhar na Telefônica de Andradas no início dos anos sessenta, onde de uma mesa eu contatava com o resto do país mas era através do magneto. Os funcionários telefonistas tinham de decorar os números de telefones de todos os clientes e saber seus nomes e apelidos. As chamadas interurbanas costumavam a demorar de seis a 18 horas, era uma verdadeira batalha.

Se os jovens de hoje, tivessem vivido à nossa época, talvez ficassem maravilhados como eu, de ver tanta tecnologia e tanta facilidade para se viver na época atual. Fico impressionado ao notar que nossos jovens mesmo diante de tanta tecnologia, como a TV a cores, o celular, o CD, o DVD o Mp3, o som estereofônico, o computador e a internet, os home theaters, os satélites a circundar ao redor da terra, ficam totalmente apáticos a tudo isso, mas talvez, no meu tempo, as novidades da época também nos faziam sentir assim.

Pergunto:

           O que terão mais para inventar? Como será daqui pra frente? Como resposta, eu gostaria de dizer que gostaria de estar nascendo agora, para ver até onde vai a capacidade do homem e desfrutar de todo esse conforto.

                         

                                  VIVENDO E APRENDENDO

                                                                                                      Por Armando de Oliveira Caldas

      Desde a infância o ser humano armazena em sua mente conhecimentos que servirão de base para toda a vida. Aprende com os pais, na escola e com amigos. Aos poucos começa a tomar decisões até chegar a idade adulta. Dependendo das bases que tomou para sua existência, terá uma formação correspondente.

    O raciocínio dentro de um padrão matemático é o melhor caminho. A consciência de não se embrenhar em formulações próprias errôneas é a chave do sucesso.

    Livrando-se do fanatismo, da superstição e da credulidade sem análise é pisar com segurança. Ter religião é necessário, mas querer desvendar os mistérios que a envolve não deixa de ser nocivo.

    Saber, extrair conhecimentos de filmes, de noticiários, de leituras é instruir-se cada vez mais. A ignorância é cegueira, é doença, é a chave dos pensamentos absurdos e das atitudes abomináveis.

    Todo e qualquer ato tem uma conseqüência. Assim, o resultado de uma atitude será ruim se a pessoa não cuidar da emoção.

    Na formação da criança, o cérebro independente dos meios externos recebe o EGO, o instinto e a memória para todo tipo de articulação mecânica do corpo. Ao nascer, tem início a composição da mesma memória diante dos acontecimentos externos. Processo que deve estar completo quando adulto, proporcionando a razão em toda plenitude.

    O EGO é o abstrato e o concreto, é a consciência de ser e estar presente, de existir e de não aceitar a morte. É o grande mistério, está em cada um de nós. É o que nos leva a admitir a alma e o Criador.

    Viver em paz é o melhor caminho que devemos trilhar. Se durante nossa existência soubermos respeitar e compreender, estaremos cumprindo nossa missão. Porém, isto não quer dizer que não devamos lutar por nossos direitos.

    Continuando, vejamos alguns pensamentos que podem auxiliar na vida:

-          Não sejas presunçoso, não sintas dono do mundo. A vida é passageira.

-          Amizade é força, é integração, é união, é solidariedade, é a vida partilhada. Cultiva-la é ter sabedoria.

-          Não seja abelhudo, porque ninguém gosta de ser bisbilhotado.

-          Quem ouve o trinar dos pássaros, o latir dos cães ou mesmo o barulho do cotidiano, tem uma grande vantagem – não está perdido em pensamentos.

-          Quando estiveres no alto, lembre-se que um dia irás descer.

-          Não sejais destrutivo, nem belicoso, pois não leva a nada.

-          Não use mascara, seja sempre franco e autêntico, mas não exagere.

-          Se não sabe a força que tem, utilize a fórmula: inteligência + trabalho + paciência + persistência + otimismo.

-          O amor é a principal peça da intrincada engrenagem da vida.  

                           

                                                          NOSSO TEMPO

                                                                                               Por Armando de Oliveira Caldas

      Fazendo uma análise dos dias de hoje, observo um mundo às avessas, parece que tudo está errado. Penso: - Será que estou velho? Bem, é verdade, já estou com uma soma de anos bastante grande. Por outro lado também reflito: - Durante toda a vida venho acompanhando as mudanças. Nunca deixei de não me integrar nos momentos que foram passando. Justamente para não me surpreender evitei sempre viver no passado.

    O que me deixa estarrecido é a forma de pensar que cada vez mais desvia o sentido de moralidade. A corrupção e a violência se alastraram de forma assustadora, obviamente tudo por falta de respeito à sociedade. A liberalidade sexual foi um dos grandes males e a TV uma das coordenadoras dessa praga que desvirtua nossos jovens.

     Por traz, o interesse financeiro, apenas isto. Aliado às aberrações também a internet oferece o bom e o ruim, mas quem segura os adolescentes de procurarem o que não presta?

     É uma lástima! Para complicar mais, os violentos jogos de videogames estão nas mãos das crianças.

     Sei perfeitamente que, a maioria das pessoas, deste nosso Brasil possuem um senso crítico direcionado para o que é certo. Contudo, vemos uma carga de mensagens enganadoras que começam a inibir uma postura a nosso favor. Para isto é momento de refletirmos com sabedoria. Liberdade de expressão sim, mas ninguém deve tomar certas verdades ou inverdades e direciona-las contra a própria nação. O negativismo tem limites, mas parece que estamos sendo induzidos a desacreditar nossa Pátria. Quais são os maiores interessados? Obviamente que não deverão ser brasileiros. Poderão dizer: - é por causa de nossos políticos, da falta de instrução de nosso povo, da nossa falta de capacidade!

Que absurdo! Nada justifica negar suas raízes. O que está faltando é civismo, isto sim!

    Vou parar por aqui, na esperança de que as pessoas pensem melhor.