CONTOS   CRÔNICAS    POESIAS    TEXTOS DIVERSOS    REALIDADE & REFLEXÃO   FICÇÃO   CIENTÍFICA    MÚSICA    IDENTIFICAÇÃO      ESPECIAL    ARQUIVO     IMAGENS     LINKS

                      ARQUIVO - 16           

               

                                                   MAIO - 2007

 

                                                 

DATAS DO MÊS

01/05 - DIA DO TRABALHO

13/05 - DIA DAS MÃES

                            

   MÊS DE MAIO       RODOVIÁRIA    MORAL E CIVISMO

 

                                          MÊS DE MAIO

        Data importante para muitos, principalmente para o GRUPO DAS QUATRO, que está comemorando o seu décimo terceiro aniversário.

       Um grupo que começou com uma simples brincadeira entre amigos, mas que hoje já se destaca na comunidade e continuará a destacar pelos caminhos dos jovens que estão aderindo ao mundo da arte e da literatura.

       Brilhou e brilha como uma pequena estrela sobre o universo dos sonhos, a procura sempre de novas inspirações, que possam nos transmitir as mensagens do coração, do amor... Onde a saudade nos eleva a tempos passados e nos faz viver a realidade de tudo, mesmo que seja em uma simples palavra ou em um pequeno toque... Onde nossa alma tenta nos mostrar o outro lado, mesmo que seja só o reflexo do paraíso.

       Para mim e com certeza para todos os outros integrantes deste grupo maravilhoso, que começou com apenas duas pessoas, depois quatro e hoje já ultrapassa os seus quarenta elementos, posso ou podemos resumir tudo isso numa enorme corrente de amigos. Mais que isto, numa família, que aumenta a cada reunião que passamos juntos ou mesmo na nossa convivência do dia a dia.

      Sei que é um simples e pequeno texto, mas foi escrito com as vozes do coração a todos que participam ou não do nosso grupo.

      E por hoje é só.

      Obrigado pela atenção.

      Até a próxima oportunidade, se Deus assim nos permitir.

      E ao GRUPO DAS QUATRO...

                            PARABÉNS!

  IDAILDO HENRIQUE PRADO

ANDRADAS – MINAS GERAIS

MAIO DE 2007  

                              

                           RODOVIÁRIA

                                                                             Por Luiz Carlos Gonçalves

      Eu estava na rodoviária esperando o ônibus para voltar para casa. Como não tinha nada para fazer no momento, comecei a observar as pessoas num vai e vem naquele local e por alguns instantes um senhor dos seus 60 anos me chamou a atenção. Vi que ele não conversava com ninguém e pude perceber que estava com uma feição muito triste. Resolvi conversar com ele, que por sua vez, num gesto muito educado, me disse:

      --- Seu moço estou muito triste, porque já faz 10 anos que venho aqui nesta rodoviária todos os dias, à espera de meu filho que partiu para algum lugar desse meu Brasil e até hoje não consegui encontra-lo. Sei que a esperança é a última que morre, por isso nunca vou desistir de um dia poder encontra-lo e o abraçar novamente.

      Perguntei:

      --- Poderia me contar um pouco da sua vida? Talvez eu possa ajuda-lo?

      Ele respondeu:

      --- Moço, não sei quando ele vai voltar, mas se você não estiver com pressa, sente-se mais perto e vou falar um pouco de minha vida:

      Eu era bem moço quando os meus pais morreram, e por isso fui criado numa fazenda que tinha perto de minha cidade. Era muito bonita com o nome de “Fazenda Feliz”. Havia um rebanho de gado e pastagens enormes em volta do casarão. Um grande jardim e ao fundo uma casa menor onde eu ficava. Ali eu trabalhava e cuidava dos animais e das plantações; alguns empregados me ajudavam no trabalho do dia a dia.

      Perto da fazenda ficava localizada a Vila Santa Clara. Era muito bonita, tinha quase de tudo, até um pequeno hospital que ajudava alguns doentes das outras fazendas vizinhas.

      Numa das festas que havia na vila conheci uma linda moça que se chamava Mariana. Ela era morena, cabelos e olhos bem pretos. Dava aula na escolinha da vila.

      No dia da festa de São Pedro fui me divertir um pouco com meus amigos, nesse momento vi que a Mariana estava num canto sentada junto com suas amigas. Enchi de coragem, fui até a sua mesa e convidei-a para dançar. Seu moço acredite, naquele momento mal sabia que iria começar nossa linda história de amor.

      Mariana aceitou a minha companhia e, então, depois de alguns encontros, começamos a namorar. Passados alguns meses de namoro fui à casa de seus pais e a pedi em casamento. Eles ficaram muito felizes, pois sabiam que eu era um bom moço, e disseram que Mariana não podia encontrar outra pessoa melhor para se casar.

      --- E como foi seu casamento?

      --- Olha seu moço foi um dos casamentos mais bonitos daquela Vila; meus patrões me consideravam como um filho e por isso fizeram a festa para mim.

      Eu e Mariana morávamos ali mesmo na fazenda. Depois de alguns anos vivendo sozinhos resolvemos ter um filho. Nesse momento seus olhos encheram-se de lágrimas e sua voz quase não saia. Então perguntei:

      --- Por que está chorando? O senhor está se sentindo bem?

      --- A minha felicidade iria acabar naquele dia no Hospital de Santa Clara. Mariana entrou na sala de parto para ter nosso filho, mas não resistiu às dores do parto e ali mesmo ela morreu. Depois de alguns dias de observação voltamos, eu e meu filho, sozinhos para nossa casa. Chegando olhei  para aquela criança inocente e prometi a mim mesmo que iria cuidar de meu filho e que faria dele um grande homem, nem que para isto tivesse que derramar a última gota de meu sangue.

      Durante muito tempo meu filho estudou na escolinha da vila e já com seus 17 anos resolveu estudar em uma universidade. Dizia que iria ser doutor. Ele foi para a cidade grande e nunca mais me deu notícias. Hoje já deve ter-se formado.Trabalhar num hospital ou quem sabe, até mesmo ter seu próprio escritório médico.

     Hoje, meu rapaz, estou aqui nesta rodoviária para ver se ele chega em algum ônibus ou se alguém possa trazer algum recado seu dizendo que está bem. Talvez ele já tenha se esquecido de seu velho pai. Eu jamais esqueci, e como já disse a você, enquanto eu tiver forças vou vir aqui todos os dias e esperar meu filho.

     Logo depois que ele me contou a sua história baixou a cabeça e ficou calado por um longo tempo.

     Meus olhos encheram-se de lágrimas e comecei a chorar, porque depois de 10 anos estava ao lado de meu pai. Neste momento virei para seu lado, dei-lhe um forte abraço e disse:

      --- Seu Antonio, os seus dias de espera acabaram, porque eu tenho notícias de seu filho!

      Ele por sua vez ficou muito alegre. Então me disse:

      --- Onde está meu filho, seu moço?

      Foi um abraço mais forte e, com lágrimas nos olhos, que dei naquele senhor. Só então ele entendeu que estava abraçando o seu próprio filho que  tanto procurava.

 

(esta história foi escrita na Rodoviária de São José dos Campos – SP ) 02.01.2006

                          

                                               MORAL E CIVISMO

                                                        Por Armando de Oliveira Caldas

          Há muito tempo que nossas escolas deixaram de ministrar uma das mais importantes matérias. Trata-se de Moral e Civismo, cujo conteúdo só benefícios poderia trazer. Talvez não tivéssemos tanta corrupção, tanto banditismo. Até hoje me pergunto: por que isto aconteceu? Que interesse maior houve em se abandonar a inclusão das normas de vivência.

          Tomei a iniciativa de copiar para esta página 120 regras ou citações que bem mostram a importância desse ensino. Foram extraídas de livros antigos, conforme seguem:

 ”””””””””””””’’””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””

001   -   A vontade é a melhor força do homem.

002  -    O preguiçoso diz: - eu queria  // O homem resoluto diz: - eu quero.

003  -    O alcoólatra, vergonha de si mesmo, da família e da sociedade, tem consciência de seu erro, no entanto é incapaz de um esforço para dominar o vício.

004  -    O jogador,  tem diante de si a miséria, não sabe dominar-se, é o escravo ao invés de ser o soberano.

005  -    Querer é poder. Quem quer resolutamente, supera os obstáculos, desfaz as dificuldades, não encontra impossíveis.

006  -    Sentir, querer, julgar resumem todos os atos, todas as operações de nosso espírito, de nossa razão.

007  -    Sentir: - Uma injustiça nos revolta, o bem e o belo nos encantam, um beijo de nossa mãe nos eleva, a narração de uma desgraça nos entristece, a infelicidade de um amigo nos comove, a doença de um amigo nos inquieta, o canto de um passarinho nos alegra, o espaço infinito nos arrebata.

008  -    O corpo é uma admirável máquina, porém se o maquinista não for zeloso, haverá desarranjos na máquina.

               A saúde do corpo é sacrificada em primeiro lugar pela falta de asseio.

              Mas não basta o asseio, condição essencial de todas as máquinas, é preciso da temperança, isto é, evitar apetites imoderados, o abuso de bebidas alcoólicas, etc.

009  -    A embriaguez degrada o homem privando-o de sua razão, tornando-o capaz de todos os crimes, colocando-o abaixo dos animais, que dão-nos o exemplo de não beber e nem comer além de suas necessidades.

010  -    Julgar, comparar, pensar, recordar, são fatos intelectuais ou fenômenos da poderosa faculdade que se chama inteligência.

011  -    É sobre a distinção entre o bem e o mal que devemos basear as nossas ações, firmar o nosso caráter, a nossa conduta de todos os dias; e cada um tem a sua escolha seguir o bom e o mau caminho, se digno ou indigno, moral ou imoral.

012  -    A vontade é uma força poderosa, entretanto pode ser mal empregada por falta de cultivo.

013  -    Toda ciência moral consiste em sabermos o que é o justo e o injusto, o bem e o mal, e , uma vez descoberto o caminho reto do dever, custe o que custar, - é segui-lo desassombradamente.

014  -    Acima de tudo devemos colocar o sentimento do dever, e aí está a - consciência, testemunha  de todos os nossos atos, indicando-nos o melhor caminho a seguir.

015  -    O dever em ação é o exercício constante da virtude que luta dia a dia pelo triunfo e glorificação; é a honra combatendo o ócio e os vícios, afrontando e desafiando quaisquer obstáculos.

016  -     Não há força possível que consiga desviar o homem verdadeiramente honrado do seu dever; nada o amedronta e demove: - nem o isolamento, as perseguições, o exílio, o desterro, nem mesmo a morte!    

017  -    A coragem no trabalho - é a atividade e a perseverança.

              A coragem no infortúnio - é a resignação que aceita os males e as provações da vida, mas no firme propósito de subjugá-los.

              A coragem na miséria - é a paciência, que não desespera nunca, e aguarda melhores dias.

              A coragem ante o perigo e a morte - é a bravura ou intrepidez.

              A coragem na perseguição - é a constância e a firmeza, que aumentam à proporção que as dificuldades crescem.

              A coragem no meio das discussões humanas - é a independência de caráter, que afronta a influência corruptora dos costumes sociais, que combate as doutrinas contrárias à moral, que não fala nem escreve senão a verdade, que não receia a tirania ou a corrupção dos governos.

018  -  A temperança supõe outras virtudes, tais como a moderação nos desejos, a modéstia, o amor da ordem e, sobretudo a economia, que consiste em evitar despesas inúteis.

019  -    Temperança - Em ocasião nenhuma comas por tal modo que chegues a sentir-se incomodado; nem bebas a ponto de perder a razão.

020  -    Silêncio - Não fales senão em matéria de que possas ter ou possam os outros colher utilidade: evita quando puderes conversações frívolas.

021  -    Ordem - Dê a cada coisa lugar certo: a cada negócio tempo determinado.

022 -    Resolução - Quando tomares resolução a cerca de qualquer coisa, toma-a firmemente e por uma vez, e nunca falte às tuas promessas.

023  -    Economia - Não gastes o teu dinheiro senão em coisas de utilidade tua ou alheia; isto é, goza, mas não desperdices.

024  -    Trabalho - Não percas o tempo, ocupa-te sempre em alguma coisa útil; abstém-te  de qualquer ação desnecessária.

025  -    Evite os subterfúgios, pensa sempre com inocência e justiça e dize sempre o que pensas.

026  -    Justiça - Não ofendas a ninguém, não só evitando qualquer dano, mas fazendo-lhe o bem que puderes.

027  -    Moderação - Foge dos extremos, isto é, usa, mas não abuses: sente o bem e o mal conforme a tua razão disser que eles o merecem.

028  -    Asseio - Não desprezes a obrigação que tens de cuidar na conservação da limpeza e arranjo do teu corpo, casa e vestuário.

029  -    Tranqüilidade - Não tomes a peito bagatelas ou acontecimentos ordinários e inevitáveis.

030  -    Continência - abstém-te de todo e qualquer excesso.

031  -    Humildade - Toma por modelo desta virtude a Cristo. 

032  -    O corpo é um inimigo poderoso do dever e torna-se um déspota quando se apodera da vontade, em vez de ser dominado por ela.

033  -    A ociosidade é um perigo constante, pois está cercada de todos os vícios, associada de antemão a todos os crimes.

034  -    O homem ocioso tem sempre o instinto da prática do mal, não é simplesmente inútil e vil: é um depravado e o seu contato deve ser evitado como se fora um leproso.

035  -    Enquanto o seu vizinho acorda aos primeiros clarões da alvorada e levanta-se verdadeiramente feliz, porque já repousou o corpo e o espírito e é chegada a hora do trabalho, - o ocioso deixa-se ficar na cama, desgostoso de si mesmo e de todos, revoltado contra a sociedade.

036  -    Todo homem deve ter uma ocupação útil, um meio honesto de vida, um ofício, uma profissão que lhe garanta a liberdade.

037  -    Todo aquele que tem um ofício, não precisa ser pusilânime ou mentiroso ante os grandes, flexível ou humilde ante os velhacos, vil bajulador de todo mundo, caloteiro ou ladrão, que é quase a mesma coisa quando não se tem nada.

038  -    Ter uma profissão honesta já é muito, mas não é tudo. Devemos alargar, quanto possível, o nosso horizonte moral e intelectual a fim, de atingirmos o nosso destino individual e social.

039  -    Nunca houve mentiras necessárias: as mais leves podem fazer-nos perder a confiança e a estima de nossos semelhantes.

040  -    A língua é ao mesmo tempo o que há de melhor e pior, segundo o uso que fazemos dela. A língua patenteia a verdade, instrui os homens e dá-lhes amigos; por outro lado espalha o erro, semeia o ódio e a calúnia, produz as guerras entre as nações e os indivíduos.

041  -    Deveis ser amantes da verdade; a mentira é torpe, degrada o homem; é como disse alguém, por mais hábil que ela seja, nunca chega a triunfar.

042  -    O animal que mata para comer segue os instintos de sua raça e não é um criminoso; o homem, porém, que mata para roubar ou saciar uma vingança, é um criminoso, por isso que tem a consciência do crime, o sentimento do dever: cometeu o delito com conhecimento de causa, com intenção, e as leis humanas hão de puni-lo severamente.

043  -    Dão-se circunstâncias em que um homem pode ser responsável do que fazem os outros, e outras em que o mais culpado não é o que comete uma má ação, mas o que concebeu o projeto.

044  -    Uma pessoa, que dá maus exemplos ou maus conselhos, é o responsável das faltas a que arrastou os outros; assim também o pai que educa mal seus filhos, é o responsável dos vícios que eles adquirem.

045  -    O primeiro dever do homem relativamente ao corpo é o dever de conservação; daí a condenação do suicida, isto é, do homem que tenta contra a própria vida.

046  -    Ainda que pareça um rasgo de coragem, o suicídio é um exemplo de desânimo, de falta de resignação para suportar os males e as dificuldades inerentes à vida, ou lutar contra os azares da fortuna.

047  -    A coragem não consiste somente em arrostar o perigo e a morte, mas sobretudo em suportar a desgraça, a miséria e a dor: - é a virtude da paciência, tão necessária a cada instante nesta peregrinação da vida, onde os males são inevitáveis.

048  -    O suicida, sucumbido sob o peso de seu destino, dá à sociedade um triste exemplo de desânimo ou desalento e pode ser comparado à sentinela que abandona o posto que lhe foi confiado.

049  -    Uma causa  é o suicídio e outra causa bem diferente a morte voluntária, isto é, a morte arrostada pelo bem da humanidade, da família, da Pátria ou da verdade.

050  -    O asseio, que supõe outras virtudes, como a ordem, uma certa delicadeza ou dignidade de si mesmo, ocupa o primeiro lugar entre os deveres relativos ao corpo.

051  -    A sobriedade ou temperança, e bem assim os exercícios corporais, tais como a ginástica e esportes em geral, sendo regulados com prudência, concorrem para avigorar os membros e corrigir muitos defeitos físicos.

52 – Devemos ter o dinheiro na cabeça e não no coração, isto é, não devemos amar o dinheiro pelo dinheiro; mas adquiri-lo como meio indispensável para atingirmos nossa independência pessoal e social, e ainda para utiliza-lo em proveito de nossos semelhantes.

53 – O ganho honesto e o judicioso emprego do dinheiro são da maior importância. O dinheiro bem ganho é com efeito a representação da indústria paciente, do esforço perseverante, da tentação vencida, da esperança realizada, e o dinheiro judiciosamente empregado é o indício de prudência, da previdência e abnegação, verdadeiras bases de um caráter viril.

54 – A economia bem regulada, é um dever de conservação e dignidade; mas a economia, pelo simples gozo de amontoar dinheiro, é vil, ignóbil.

55 – O primeiro dever relativo à inteligência é adquirir a instrução, fonte de inúmeras vantagens: --- ela emancipa o espírito e dilata a liberdade de cada cidadão; moraliza e fortifica a razão e a consciência.

56 – A instrução extingue dois flagelos da vida humana: os prejuízos e as superstições.

57 – O ignorante aceita tudo quanto lhe dizem com a maior credibilidade; tornando-se vítima de inumeráveis erros que perturbam sua existência. Ele acredita em feiticeiros, bruxas, lobisomens, quiromantes, etc. e deixa-se levar pelos charlatões. O ignorante teme e horroriza-se ante a presença de um cometa, acredita em enganos, em horóscopo ou espíritos que aparecem para inquietar os vivos.

58 – A instrução eleva e desenvolve as faculdades intelectuais, é um tesouro precioso, mas não basta tê-lo à nossa disposição; é necessário que saibamos fazer bom uso desse mesmo tesouro, e é a educação que dá-nos os meios necessários para isso.

59 – A instrução dirige-se à inteligência comunicando-lhe conhecimentos indispensáveis, mas não opera senão indiretamente sobre o caráter o coração.

          A instrução dá-nos a ciência, - e a educação dá-nos a sabedoria.

60 – Não sejais escravos nem dos homens nem das paixões. Não sejais igualmente nem parasitas, nem aduladores, nem mendigos.

61 – Sendo o homem superior a todos os demais seres da criação – pela liberdade, pela razão e pela moralidade, - não deve, portanto descer ao nível do bruto, mas respeitar-se a si mesmo e fazer com que os outros respeitem em si – a dignidade humana.

62 – O justo sentimento da dignidade humana chama-se altivez; mas não deveis confundir a legítima altivez com orgulho, que é o sentimento exagerado de superioridade própria, ou a vaidade, que é outra falsa presunção.

63 – A altivez é nobre, mas o orgulho é insolente, brutal e egoísta.

64 – O diminutivo do orgulho é – a vaidade; aquele é odioso, esta é ridícula.

65 – O mais baixo grau da vaidade é a fatuidade, que consiste nas vantagens exteriores, tais como a figura, o vestuário, as jóias, os enfeites, a moda exagerada, etc.

66 – A virtude oposta ao orgulho e que em nada diminui a dignidade pessoal, mas contribui para realça-la é a – modéstia.

67 – “Quereis ser grande? Diz Sto. Agostinho. Começai por vos fazerdes pequeno. Quereis construir um vasto e grandioso edifício? Pensai primeiro nos alicerces da humildade. Quanto mais elevada for a construção, tanto mais profundos devem ser os alicerces. A humildade modesta é a auréola da beleza”.

68 – Os ignorantes e os tolos são justamente os mais presumidos e imodestos; levam a falar de si, a gabar-se em altas vozes chamando a atenção de todos, ou antes, atraindo o ridículo que só inspiram.

69 – Sede modestos e lembrai-vos de que o orgulho indica um coração fechado a todos os bons sentimentos.

70 – Todos os deveres do homem relativamente aos outros resumem-se nestes sentimentos – justiça e caridade.

71 – “Não façamos aos outros o que não queremos que façam a nós”.

72 – Tratai os outros como quereis que vos tratem.

73 – O roubo, o assassinato, a escravidão, a intolerância, a calúnia, a difamação, são as principais violações da justiça.

74 – Todo atentado à vida de um homem chama-se homicídio; se este crime for acompanhado de perfídia ou traição é o – assassinato.

75 – O homem que mata outro homem comete o mais odioso e o mais grave dos delitos, e a sociedade inteira levanta-se para puni-lo severamente. / Só há um caso, e este se chama legítima defesa, em que temos o direito de defender nossa vida, injustamente atacada ou ameaçada por um agressor ou assassino. Então a culpa não está do nosso lado, não premeditamos o crime e somos levados pelo instinto da conservação a matar para salvar a própria vida.

76 – A guerra, por sua vez, é considerada como um caso de legítima defesa. Quando um país é atacado, necessário se torna que seus filhos o defendam como se defendessem a própria honra ultrajada.

77 – Se o homicídio é para a nossa sensibilidade o mais odioso de todos os crimes, reciprocamente a ação que consiste em salvar a vida de outrem, e sobretudo em dar a vida para resgatar outra vida, é a mais bela e nobre de todas as abnegações.

78 – Depois da vida, o mais precioso bem do homem é a sua liberdade individual, isto é, a liberdade de suas ações e movimentos, de suas faculdades e ainda de suas forças, salvo o uso delas contra o direito de outrem.

79 – A polidez vale muito e não custa nada.

80 – A grosseria e a incivilidade fecham portas e corações, ao passo que a urbanidade e as boas maneiras acham fácil entrada em todos os peitos.

81 – As boas maneiras cercam-se de simpatias e afeições, granjeiam a estima e o respeito; diferentemente da impolidez e grosseria, que incorrem no desagrado geral e dão a medida de um espírito pouco educado.

82 – Há por natureza pessoas reservadas ou acanhadas, são frias em suas maneiras, graves e por vezes insociáveis mesmo: são o que são e não podem fingir ou afetar graças que não possuem e não dependem da nossa influência.

83 - Sêde naturalmente corteses; agradáveis sem afetação; tratai a todos com respeito e lealdade para que vos tratem do mesmo modo.

84 – Evitai a lisonja, a bajulação em presença de quem quer que seja. Respeitai também os enfermos e as crianças, justamente por causa de sua fraqueza; respeitai as mulheres como respeitais a vossa irmã ou vossa mãe.

85 – Tirar a outrem o que lhe pertence é uma violência, um roubo; mas o roubo não consiste tão somente em apoderarmo-nos do alheio, e sim em todas as maneiras possíveis de iludir a boa fé ou a confiança de nossos semelhantes.

86 – É uma fraude, isto é, um roubo ardiloso, enganar sobre a qualidade ou quantidade das mercadorias, vender gêneros falsificados como o leite, o pão e tantos outros alimentos indispensáveis, preparar drogas nocivas à saúde; aviar receitas adulteradas; finalmente o abuso da confiança de outrem é uma fraude, um roubo, não só condenado pela moral, mas ainda pela opinião pública, e severamente punido pelas leis sociais em toda parte.

87 – O roubo tem diversas formas. O agiota, por exemplo, que empresta dinheiro sobre juros ilegais, o que contrai uma dívida com a intenção de não pagá-la, o que apodera de um depósito que lhe foi confiado, o que falta à fé dos contratos, o que recebe um salário e não trabalha, todos eles empregam expediente destituídos de honradez e lealdade, verdadeiras fraudes.

88 – Probidade pode definir-se: observância exata e constante dos deveres da justiça.

89 – Homem de probidade ou de honesto proceder é aquele que não só não faz mal a ninguém, mas presta positivamente todos os serviços ou benefícios que pode tanto ao seu semelhante ou à humanidade em geral, como ao seu próximo em particular.

90 – A probidade moral ou probidade por excelência é o regular e sincero procedimento do homem de bem, fundado no ditame de sua consciência e do amor do bem geral.

91 – A probidade mercantil é procedimento correto do fabricante, do homem que compra e vende, do agente de qualquer ramo da indústria, e finalmente o funcionário público, determinado pelo amor do lucro ou interesse material, a fim de obter o crédito e as vantagens que daí se prometem.

92 – A probidade política é o procedimento regular e exato do cidadão e do funcionário público na observância das leis sociais, a fim de obter a estima da opinião pública na sociedade onde reside.

93 – Só merece a qualificação de homem de bem, honesto ou de probidade, aquele indivíduo que cumpre fielmente os deveres de justiça e da moral universal, por efeito do seu bom caráter, por motivo de consciência, por amor da ordem e do bem geral, e não por amor do dinheiro ou do interesso mercantil, nem ambição, amor do poder ou qualquer consideração pública.

94 – O homem imoral ou sem probidade apenas comete qualquer ação contrária ao seu dever é logo castigado pelo remorso.  Tarde ou cedo a sua culpa faz-se conhecida, e então se segue também a desonra, que é uma pena imediata que se acumula à primeira.

95 – Chama-se remorso aquela acusação que nos faz a nossa consciência pelas ações imorais que havemos praticado com conhecimento de causa.

96 – A desonra ou vergonha é a reprovação e desprezo das autoridades constituídas ou das pessoas de bem, logo que lhes conta que o nosso procedimento não foi conforme as regras da honestidade ou da probidade moral.

97 – É infiel à sua consciência, insensato e quase louco, aquele que deixa a estrada direita e segura da probidade pelo tortuoso e arriscado caminho do dinheiro mal adquirido ou sórdido interesse material.

98 – A calúnia assemelha-se ao carvão, que enegrece e suja quando não queima.

99 – Aquele que chamou a calúnia de um vício, era um adulador; a calúnia é um crime, e crime monstruoso tão velho como a sociedade, de quem recebe o nascimento.

100 – Costuma-se dizer que o caluniador é mais odioso do que o assassino: este, matando, só tira a existência, porém aquele rouba a reputação, que vale mais do que tudo.

101 – Defendei sempre a reputação dos outros; não vos associeis jamais aos caluniadores e maldizentes, nem a essas convenções tão comuns, cujo tema é – a honra e a virtude – quase sempre discutidas pelos que menos justamente prezam a moral, e em cujos locais, como eloqüentemente disse alguém, - o elogio da virtude se torna desprezível.

102 – Fraternidade. Se vosso irmão corre um perigo qualquer, não é verdade que tendes o rigoroso dever de socorre-lo?... Pois essa obrigação estendesse mais longe: - devereis socorrer, no limite de vossas forças, tanto o vosso amigo como o vosso inimigo mesmo, tanto um vosso compatriota como o estrangeiro. 

103 – Devemos amar a humanidade, mas devemos preferir a Pátria, como devemos colocar a família acima de tudo.

104 – Por muito belo e grandioso que se nos afigure o amor dos homens, - a Pátria é a mãe comum, é o torrão natalício; e para nós brasileiros, a Pátria é o nosso querido Brasil; para nós o seu território é mais sagrado do que qualquer outro, o seu pavilhão mais digno da nossa veneração que todas as bandeiras do mundo!

105 – O patriotismo exclui efetivamente o cosmopolitismo, mas não exclui a fraternidade, que é o laço de união, de amor entre os homens, numa palavra – o fundamento da caridade.

106 – A justiça é o respeito às igualdades naturais; mas a caridade é o remédio para as desigualdades necessárias.

107 – A justiça é absoluta, isto é, não admite exceções ou restrições; emana da lei moral e é imposta pelas leis sociais. A caridade, ainda que não seja obrigatória como a justiça, reveste mil formas diferentes e não pode ser imposta pela força ou violência: - sua beleza, como disse alguém, consiste em sua mesma liberdade.

108 – Entre os muitos meios de exercer a caridade, o primeiro e mais simples é a esmola; entretanto sucede quase sempre que, em vez de ser um benefício, é antes um perigo, porquanto encoraja um vício sobremodo funesto – a mendicidade.

109 – A verdadeira pobreza, longe de esmolar nas ruas, não aparece; vive honestamente à espera que as almas piedosas lhe mandem um pouco de trabalho.

110 – A esmola avilta, humilha; diferentemente do trabalho, que enobrece o homem.

111 – A primeira de todas as escolas é a família, porque os primeiros educadores são o pai e a mãe, a mãe, sobretudo.

112 – O que constitui realmente a família é o amor e o respeito mutuo, a harmonia de sentimentos, a religião do dever, os interesses e os sacrifícios recíprocos; finalmente a honra de um nome.

113 – Qualquer que seja a idade de um filho, deve ele sempre reconhecer, tanto em seus pais como em seus legítimos superiores, uma autoridade necessária e incontestável.

114 – Um bom irmão deve evitar o egoísmo, a impaciência e a inveja. – Um irmão é um amigo dado pela natureza.

115 – A Pátria é o país em que nascemos, cuja história é o nosso patriotismo, e cujo pavilhão é a nossa honra.

116 – Conhecer a história da Pátria é conhecer as suas lutas e os seus reveses; os seus triunfos e os seus dias gloriosos, e bem assim esses heróicos antepassados que morreram combatendo os primeiros inimigos, expelindo os primeiros invasores, edificando com sangue e lágrimas os primeiros templos e as primeiras cidades.

117 – Virá um dia em que a Pátria precisará de vosso concurso, das vossas faculdades, do vosso amor, do vosso patriotismo, enfim, e então é necessário que vos mostreis dignos de tamanha glória, servindo-a com todas as dedicações.

118 – Monarquia é o governo de todos por um. Oligarquia é o governo de todos por alguns. Democracia é o governo de todos por todos.

119 – “Quanto mais envelheço, tanto mais me é dado duvidar do meu julgamento, e ter mais respeito pelo julgamento alheio”.

120 – “A democracia sobreviveu porque não vive de dogmas, de verdade absolutas, de inquisições de fé: Ela vive do poder criativo da liberdade de opinião, de iniciativa, de ter, de trabalhar, de informar, de crer, de descer, de amar, de sonhar”. “””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””