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                            ARQUIVO -12-         

           

                             JANEIRO - 2007 -

 

DATA DO MÊS

20/01 - SÃO SEBASTIÃO - PADROEIRO DE ANDRADAS -

                       

REMINISCÊNCIAS DA JUVENTUDE COMO SERÁ O FUTURO? CRIATIVIDADE

 

                               REMINISCÊNCIAS DA JUVENTUDE

     De acordo com alguns estudos astrológicos, a terra antes de 1960, vivia na era de peixes, e a partir dos anos 60, entramos definitivamente na era de aquárius e o mundo pôde vislumbrar um crescimento tecnológico impressionante.

  Este assunto me fascina, pois quem viveu os primeiros anos de sua vida, a sua juventude e adolescência em outro circulo astrológico, sabe e muito bem, valorizar o que hoje se presencia em matéria de progresso.

  Eu nasci no início da década de quarenta, em plena segunda grande guerra. A começar do mobiliário de uma casa modesta, como a minha, já se sentia que o atraso era muito grande. As famílias mais pobres, (no caso a minha) nada possuíam de conforto. Era o fogão de lenha, que hoje é elogiado nas suas qualidades de cozimento dos diversos alimentos, porém tinha a grande desvantagem de esfumaçar a casa inteira, com lenhas retiradas do meio ambiente, produzindo um desmatamento contínuo, e, que ficavam em um depósito nas residências, servindo de esconderijo para insetos e outros inconvenientes, além da enorme sujeira. Mas, era o que se tinha. Uma panela, daquelas de ferro, que colocado ao fogo, demorava uma vida inteira para se cozinhar. Tais fogões eram providos de serpentinas, espécie de canos que eram aproveitados para o aquecimento de água para os diversos fins.

  As residências tinham também tanques de lavar roupas, providos de batedouro, em que a lavadeira, utilizando as mãos, esfregava as roupas e após, as batiam numa forma cansativa de tirar a sujeira mais grossa do tecido que lavavam. Era um “deus nos acuda”.

  Os ferros de passar roupas eram muito rudimentares. Em minha casa tinha um desses, era grande, e pesado. Consistia em se colocar carvão em brasa em seu interior para esquentá-lo. De quando em quando, minha mãe o colocava na janela, para que a brisa pudesse ativar as brasas e aumentar a sua temperatura. Era comum ter-se a roupa queimada pelo excesso de temperatura do rudimentar aparelho.

  TV nem existia, ou se existia era em preto e branco e só era vista em cidades de grande porte e pegava um só canal, porém a geladeira branca, com seu tradicional pingüim a enfeitá-la só era vista em casas de pessoas mais abastadas. Era sonho em longo prazo para o brasileiro de classe média para baixo.  

  Algumas poucas pessoas possuíam veículo motorizado, mas a grande maioria andava a pé ou mesmo em carroças ou bicicletas. Lembro-me de ter pegado “carona” com um vizinho nosso e sentir o conforto de se ter um carro.

  De quando em quando meu pai, não tão velho em relação a sua época, nos deixava deleitar com seu gramofone, onde tínhamos de dar corda através de uma manivela e depois colocar sobre o prato um disco de 78 rpm feito de carvão e que pesava tanto que com os meus seis anos, tinha de segurá-lo com as duas mãos. Quando começava a tocar, primeiramente, ouvia-se o comercial da Casa Edson “Disco da Casa Edson, Rio de Janeiro, Brasil”, só então a música se iniciava meio desafinada, mas era o que tínhamos e como gostávamos de tudo isso.

  Na querida cidade de Ouro fino, eu e o meu irmão Elinho aprendemos a andar em velhas bicicletas alugadas da bicicletaria do seu Joaninho Cadam, a um cruzeiro por hora e rodávamos alegres e satisfeitos pela praça da estação até vencer a hora do aluguel.

  Quando fico a meditar sobre estas coisas, me vem um suave langor e uma tristeza que nem chega a ser triste, mas melancólica, me trazendo à memória coisas que tivemos o privilégio de viver. Por exemplo, meu pai, que se deitava com as galinhas, pois nem eram ainda oito da noite e lá estava ele debaixo dos cobertores ouvindo em seu radinho “rabo quente” as piadas de Zé Trindade na Radio Mayrink Veiga e ali ficava até adormecer por completo.

  Nessa época, às vezes, meu pai tinha que dividir seu radinho com sua mãe e irmãs quando estas se dignavam vir nos visitar. Elas sentavam à volta da mesa e a rádio Tupi iniciava a novela, arrancando suspiros de minhas tias solteironas quando Albertinho Li Monta fazia declarações de amor à sua amada em “O Direito de Nascer”. Meu pai ficava do lado, tentando demonstrar que estava contente, mas sabíamos que ele estava se retorcendo todo, porque aquele radinho era tudo para ele e elas dele se assenhoreavam todas às seis horas da tarde. Não podíamos dar nem um pio, senão... Ventou e choveu para que ele deixasse eu e um amigo ouvirmos no seu radinho a final da Copa do Mundo de 1958.

  O que mais me aborrecia era ter de recolher lenha, que era trazida da roça por um carro de boi e que devia ser armazenada num pequeno rancho que quase todo mundo tinha no fundo de seus quintais. Porém tinham coisas boas, como buscar leite num retiro, logo abaixo de nossa casa e meu pai se gabava de que o leite estava quentinho, recém saído da vaca.

  Meu pai, apesar de ser funcionário público, era pobre, pois sua família era numerosa e o salário sempre fora parco e mal dava para as despesas com aluguel, luz e alimentação da família. Por isso não vivíamos confortavelmente, mas tenho certeza que ele procurava fazer o melhor que podia. E éramos felizes assim mesmo.

  Aos domingos colocávamos as nossas melhores roupas e íamos à missa, mas depois tinha a matine do cinema onde assistíamos aos filmes de faroeste em preto e branco e após o filme, vinha o seriado. Ainda não existia o cinemascope nem o Vistavision. Era uma alegria só. Tenho saudades de quando os filmes podiam ser assistidos por todos da casa, sem as pornografias a que somos submetidos atualmente.

  As comunicações eram precárias. Eu cheguei a trabalhar na Telefônica de Andradas no início dos anos sessenta, onde de uma mesa eu contatava com o resto do país, mas era através do magneto. Os funcionários telefonistas tinham de decorar os números de telefones de todos os clientes e saber seus nomes e apelidos. As chamadas interurbanas costumavam a demorar de seis a 18 horas, era uma verdadeira batalha.

  Se os jovens de hoje, tivessem vivido à nossa época, talvez ficassem maravilhados, como eu, de ver tanta tecnologia e tanta facilidade para se viver. Fico impressionado ao notar que nossos jovens, mesmo diante de tanta tecnologia, como a TV a cores, o celular, o CD, o DVD o Mp3, o computador e a internet, os satélites a circundar ao redor da terra, ficam totalmente apáticos. Talvez no meu tempo, as novidades da época, também nos faziam sentir assim.

  Então pergunto:

  O que terão mais para inventar? Como será daqui pra frente? Como resposta, eu gostaria de dizer que gostaria de estar nascendo agora, para ver até onde vai a capacidade do homem e desfrutar de todo esse conforto.

 

                                                 Lázaro Gonçalves Reis – Dezembro de 2006.

                       

                                           COMO SERÁ O FUTURO?

           Há alguns anos tive a oportunidade de ver um filme de ficção realizado ainda em preto e branco. A história era simples, dois homens por um motivo que não me lembro, ficaram suspensos no tempo, acordaram em 1980 numa grande cidade. As surpresas: a alimentação era através de pílulas; o telefone era representado na forma de uma parede na qual se descortinava a imagem das pessoas; nas ruas o movimento era pouco, mas no ar os aviões se enfileiravam, oferecendo a idéia do meio comum de transporte.

             O exposto é mostra do absurdo que pode acontecer quando queremos mostrar o futuro. Na realidade as mudanças acontecem pelo interesse de lucros, pela sede de poder e muito distante pelo interesse social. O consumo e o que ele representa financeiramente muda a vida, nações e o planeta.

              Se o dinheiro deixar de existir estacionaremos no tempo.

              Em função desses aspectos o século XX não caminhou, deu pulos. Passamos do arcaico para o modernismo. Quem nasceu aproximadamente na metade do século passado teve uma oportunidade única, ou seja, participar de dois estágios da humanidade. No primeiro andou em charretes ou no lombo de cavalos, no segundo entrou nos veículos automotores e deixou de ver cinemas para tornar-se assíduo telespectador.

             A partir deste início de terceiro milênio, mesmo que a técnica continue a superar barreiras, nada mais parecerá novidade. Apenas a recordação dos antigos continuará presente até entrarem na eternidade. Lembranças das coisas simples: do ferro de passar utilizando brasas, do fogão a lenha, da roupa que era lavada na beirada de rios e principalmente das conversas com amigos nas portas das casas.

            Mesmo que o homem alcance as estrelas o impacto nas futuras gerações nunca será igual.

           Tudo mudou, até os conceitos de existência. A liberalidade sexual não é aceita pela maioria dos idosos. Para elas é difícil integrar-se neste novo mundo. Homem e mulher disputando o mercado de trabalho lado a lado, reflexos da época em que estamos vivendo.

           Mudanças radicais muitas vezes deveriam ser repensadas. Existem excessos, mas o caminho não deixa de ser a integração do homem inteligente.

           Embora tanta evolução, nem tudo parece direcionarem-se para o correto, muito há de se fazer para uma autoconscientização sobre melhores formas de comportamento individual. Seja visto o exagerado interesse econômico, suplantando todo tipo de moralidade. Nele está o rendoso comércio das drogas, do sexo e da corrupção.  O negativo também envolve o desrespeito para com a natureza.

           Neste caminhar para o futuro os tropeços poderão ser danosos. Deixando de lado a poluição, o desmatamento e outros fatores antiecológicos, pensemos na ciência genética. A ação direta nos genes animais e vegetais poderá reservar grande perigo para a humanidade. A alteração nas formas de vida poderá gerar distúrbios irrecuperáveis.

          A natureza, na forma que existe, é cientista incomparável, ninguém a supera. Há milhões de anos vem criando a vida e lhe dando suporte para sobrevivência. Com sua técnica insuperável é cuidadosa e severa, não permite e não gosta de ver seu trabalho danificado, principalmente pelo seu filho homem.

          Será que a humanidade foi um erro?

          Progride sem limites, desafia a própria criação, faz guerras, agride o planeta e até parece não pensar nas conseqüências.

          Será que o homem acha ser grande no Universo?

          Nem sua própria geradora se destaca, não passa de um insignificante pontinho, imperceptível diante do infinito.

           Se continuarmos a explorar o lado negativo, muitas páginas poderiam ser escritas. Também não é só por este lado que devemos ver as coisas. A ciência não fica parada. Com certeza estudos são realizados neste momento para evitar perigos e adequar descobertas de forma a atender os anseios dos povos.

           Poderemos prever um futuro positivo?

           Claro que sim!

           A informática será à base de atendimento das necessidades humanas. As máquinas inteligentes estarão por toda parte. O homem se aprofundará cada vez mais no conhecimento da física quântica. Aparelhos que hoje nos surpreenderiam serão possíveis. Visitará os planetas do sistema solar e um dia sairá em direção às estrelas. Acontecimentos que ainda acreditamos estar dentro da ficção científica farão parte da rotina.

           Se, em apenas cem anos, evoluímos para uma tecnologia surpreendente, o que esperar para mais quinhentos anos?

                                                                                         Armando de Oliveira Caldas

                      

                                                     CRIATIVIDADE

           Em muitas situações, para conseguirmos realizar um trabalho, o uso da inteligência é indispensável. Nasce então a necessidade de criarmos saídas, o que podemos chamar de criatividade.

           Criatividade é a capacidade das pessoas de resolver problemas, mas ela não se aplica somente nas coisas difíceis.

           Independente da profissão que a pessoa exerça e do grau de cultura que tenha, ela deve ter conhecimentos além das atividades habituais que exerça.  Deve aprender um pouquinho de vários tipos de serviços. Para numa emergência, consertar um vazamento, uma cadeira, refazer uma pequena ligação elétrica, pintar uma parede, etc.

           Não custa ter em casa: furadeira, martelo, pregos, parafusos, ... bem, um bom número de ferramentas para emergências.

            Se tudo que for preciso fazer, depender de contratação, o orçamento doméstico pode ser prejudicado.

            Criar a atividade, quer dizer não esperar algo pronto, é fazer o que for preciso. Neste raciocínio encontraremos o espírito inventivo. Para alcançá-lo é necessário eliminar os termos: “não sou capaz”, “não consigo”, “é muito difícil”, “isto não é para mim”, “não vou ganhar nada com isto”, “não dá certo” ou ainda “é perda de tempo”.

         Há muitas formas de buscar a satisfação durante a nossa existência, uma delas é a de ser útil.

         Ser criativo é mais que trabalhar, é resolver situações, é ser um matemático constante, é oferecer soluções.

          Dentro da própria profissão existem momentos em que aquele que mais estudou se sobressai e alcança os resultados que deseja. Acomodar-se não é caminho, principalmente em nossos dias.

          Há alguns anos, ouvi numa palestra na empresa onde trabalhava a seguinte frase: “Antes quem andava chegava ao destino, hoje quem anda é atropelado, então é preciso correr”. Realmente era verdade e na atualidade há então necessidade de voar. Isto quer dizer, raciocínio rápido, eficiente e principalmente CRIATIVIDADE.

                                                     Armando de Oliveira Caldas